Precisamos de líderes

Diógenes Dantas Filho

Líder é um anglicismo derivado de “leader”, significa aquela pessoa que orienta, comanda qualquer tipo de ação, empresa ou instituição. Impulsiona as pessoas a cooperarem espontaneamente para que os objetivos da organização sejam alcançados e, principalmente, toma decisões precisas, oportunas e corajosas. O chefe nem sempre é um líder. No meio militar, diz-se que “o líder arrasta” e é seguido por todos.

Recentemente, a imprensa noticiou a morte do 2º sargento do Exército Volber Roberto da Silva Filho, 38 anos, rotulado como o maior contrabandista do país e especializado em explosivos.

Não é de hoje que a mídia encampa a tese existente em setores de segurança pública de que as Forças Armadas, indireta e inconscientemente, fornecem mão-de-obra especializada para o crime. O caso do sargento Volber corrobora a referida tese.

Já tivemos oportunidade de afirmar no livro “Insegurança Pública e Privada”, que o crime organizado procura infiltrar no meio militar, principalmente no Exército, elementos que possam ser úteis à sua causa. É muito mais econômico aproveitar mão-de-obra especializada, com ensinamentos adquiridos na caserna, e que, após o licenciamento, ficará ociosa em face da escassez no mercado de trabalho.

Pelo que consta, o sargento Volber estava no crime há anos. Teria havido falha ou omissão no serviço de Inteligência? Os chefes teriam sido avisados?

Após a comunicação do fato, de nada adianta informar que o caso estava sendo acompanhado. A Inteligência é uma atividade pró-ativa, contínua, permanente e de perene assessoramento à liderança da organização, principalmente ao tomador de decisões.

O título dedicado ao criminoso pode, até, estar superdimensionado. Se ele fosse o maior contrabandista de armamento no Brasil, não teria trocado tiros com a polícia, não teria sido encontrado com facilidade, não moraria na zona oeste do Rio de Janeiro, teria patrimônio gigantesco e advogados de renome á sua disposição. Ele não é, sequer, a ponta do iceberg dos mercadores da morte!

O combate ao trafico de armas é mais difícil do que ao das drogas. Este tramita sempre na ilegalidade, enquanto aquele nasce de uma operação legal, haja vista a nota de compra da munição 380 adquirida no Paraguai e encontrada com o criminoso.

Convém registrar que o calibre 380 não é o preferido pelos agentes do crime e os fuzis Rugger e AR 15 não se enquadram no calibre 7,62 mm utilizado pelas Forças Armadas.

Deveras preocupante foi o achado de 4 mil cartuchos 7,62 mm e 15 mil cartuchos 9 mm, munições de uso estrito e elevado grau de letalidade.

Seria o sargento Volber um “especialista” em explosivos? Teria sido instrutor da matéria para as Forças Especiais, um grupo altamente restrito que usa a “prata da casa” na condução desta atividade?

É óbvio que, como 2º sargento, tivesse conhecimento de armas, munição e seu manuseio. Parece-nos que seu negócio era dinheiro, visando ao maior lucro, de acordo com a demanda, e ao menor risco de identificação louvando-se na sua farda.

Teria o criminoso participado, como veiculado, do maquiavélico atentado contra Rogério de Andrade, em abril do corrente ano? Seria para glamourizar os “atributos” do falecido? Morto não fala!

As ações deletérias do 2º sargento Volber poderiam ter sido evitadas, neutralizadas ou minimizadas. A Inteligência falhou? Em caso negativo, de quem é a responsabilidade? Há quanto tempo o referido graduado estava no mundo do crime?

No ambiente militar existem inúmeros mecanismos para depurá-lo e saneá-lo no campos do Direito e da Moral. Os delinquentes devem ser punidos com presteza e oportunidade. Os casos mais graves devem ser submetidos a conselhos de disciplina, para as praças, e de justificação para os oficiais, independentemente de sanções penais.

Atualmente, a informação e o conhecimento se incluem dentre os maiores bens de qualquer instituição. Para preservação de sua imagem perante a opinião pública há necessidade de líderes – e não somente chefes – com coragem e determinação para a tomada de decisões firmes e oportunas que possam, até, reverter em prol da sociedade,

Diógenes Dantas Filho é doutor
em Planejamento e Estudos Militares

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