Preços sobem, mas os salários permanecem congelados. Isso pode, Arnaldo?

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Charge do Bruno Galvão (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Os quatro grandes jornais do país publicaram com grande destaque a resolução administrativa do Supremo Tribunal Federal propondo um reajuste de 16,38% para os ministros da Corte, incluindo a projeção da despesa na Lei Orçamentária para 2019. A decisão despertou reações contrárias com base nas dificuldades de receita e despesa com que o governo Michel Temer se defronta. Tudo bem. Mas é preciso, sem entrar no mérito da questão específica, considerar que os salários, não apenas dos Ministros do STF, mas de todo o funcionalismo público federal, encontram-se congelados desde janeiro de 1917, exceção dos que percebem somente o salário mínimo.

Isso porque o salário mínimo é regido por lei especial impositiva, com base na taxa inflacionária do ano anterior mais o crescimento percentual do PIB. Como ano passado o PIB não cresceu, restou apenas transferir a inflação oficial, 2,9% sobre o piso salarial do país. A lei orçamentária aprovada no início do governo Michel Temer estabeleceu que os tetos não poderiam ser mais elevados do que o índice inflacionário do exercício anterior. Assim o orçamento que em 2016 era de 2,9 trilhões de reais passou a ser 3% maior. 

CORREÇÃO, APENAS – Não se pode dizer que o orçamento ficou maior, porque apenas se corrigiu o valor absoluto à base da inflação do exercício anterior. Não fosse colocado em prática o índice de inflação, o orçamento do país teria diminuído na mesma escala. É o que acontece com os salários de modo geral. Não havendo reposição de um ano para outro, aplicando-se-lhes o mesmo critério, o funcionalismo federal estará tendo seus vencimentos reduzidos. No caso dos aposentados, tiveram redução, porque o reajuste foi de apenas 1,8%, abaixo da inflação de 2,9%.

A matéria sobre a decisão do Supremo foi bem exposta nas edições de ontem de O Globo e do Estado de São Paulo. No Globo é assinada por Carolina Brígido e Geralda Doca. No Estado de São Paulo assinaram Rafael Moraes Moura e Amanda Pupo. Nos outros dois jornais, Folha de São Paulo e Valor, tiveram chamadas nas primeiras páginas.

FREIO NO CONSUMO – O assunto é dos mais importantes, porque, sem correção salarial, o consumo não cresce e, em consequência os impostos também. Daí porque coloquei no título a expressão sempre usada por Galvão Bueno para ouvir a impressão de Arnaldo Cesar Coelho em lances do futebol.

Esse tema deve ser explorado amplamente nos debates sobre a sucessão presidencial que tiveram início ontem na Rede Bandeirantes de Televisão. Haverá uma sequência de confrontos, em várias emissoras, e o mais decisivo será a 4 de outubro, na Rede Globo, quando faltarem três dias para o desfecho do primeiro turno das urnas.

7 thoughts on “Preços sobem, mas os salários permanecem congelados. Isso pode, Arnaldo?

  1. Tirando o equivoco 1917 a matéria é correta todos os salários devem ser corrigido pelo o índice de inflação do ano anterior istoé constitucional.O problema brasileiro não esta nos sálarios sim nas insenções fiscais aproximadamente 300 bi pagamentos de juros e amortizações que levam mais uns 400bi e não estou mencionante o dinheiro que some no ralo da corrupção.

  2. O aspecto mais contraditório e tenebroso do neoliberalismo financeirizado é o massacre do poder de compra da sociedade em geral, em especial da classe trabalhadora.

    Como se deve esperar qualquer tipo de recuperação econômica futura se as pessoas não tem poder aquisitivo e ainda tem os benefícios sociais eliminados?

    O neoliberalismo leva aos extremos a situação de concentração de renda. Basta ver todos os anos as listas crescente de bilionários no Brasil e no mundo.

  3. Existe qualquer perspectiva de melhora com qualquer governo que seja sem que haja poder aquisitivo?

    É isso que faz o neoliberalismo financeirizado que só concentra renda mais os mais ricos e leva a grande massa da população à mais profunda miséria.

  4. Pois é. E ainda tem gente criminalizando os que querem dar uma folga no teto.

    Não estou preocupado com os ganhos dos ministros do STF. Acredito que nem eles estejam. Ganham muito por fora, em participações em debates, em palestras, em livros, por pertencerem ao TSE etc. etc.

    Então, seria profundamente injusto eles, egoisticamente, se posicionarem contra o aumento do teto. Estariam se posicionando contra o aumento – que, na verdade, aumento não é, trata-se de mero reajuste -, do salário dos outros, porque o deles está garantido. Recebem muito bem com essas verbas extras, que não são sujeitas ao teto dos mortais.

    E foi exatamente esse egoísmo demagógico o que praticaram aqueles quatro ministros contrários à elevação do teto. Ficaram bem na fita e não arriscaram suas economias. Assim é fácil, né?

  5. Somente os “Ladrões, Criminosos de Lesa Pátria e Traidores do Brasil” sobem cinicamente seus salários com a desfaçatez e cara de pau de sempre ! Bandidos são Bandidos, nada mais do que Bandidos !!!!!!!!

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