Prédios do Automóvel Clube e cinema Plaza permanecem abandonados no Rio

Pedro do Coutto

Na edição de domingo 29, excelente reportagem de Lívia Breves, Luiz Ernesto Magalhães e Selma Schmidt, O Globo, focalizou oportunamente uma relação de edifícios abandonados na cidade do Rio de Janeiro, sem que – digo eu – o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes tomem a menor providência. Omissão grave pelo perigo que representam para a população de modo geral e o patrimônio público e particular. Além de o abandono provocar uma infestação de ratos e insetos com risco à saúde de todos.

Um desastre evidente, uma nuvem sombria de ameaça e consequências. As fotos que ilustram a reportagem de O Globo são de Alexandre Cassiano e Marcos Tristão.Lívia, Luiz Ernesto e Selma listaram prédios abandonados na Rua do Resende, na Xavier da Silveira e na Praça da Cruz Vermelha. Neste caso o antigo IASERJ, do governo estadual, desativado e abandonado. Foi em tempos idos um hospital de referência.

Foram operados lá os governadores Negrão de Lima e Chagas Freitas, o vice-governador Erasmo Martins Pedro. Entrou em decadência a partir dos governo sLeonel Brizola, Marcello Alencar, Anthony Garotinho, Benedita da Silva, Rosinha Mateus, Sérgio Cabral não agiram para recuperá-lo. Este é um fato, não só uma opinião.

No programa de debates que dirige aos domingos na Rádio Tupi, das 10 horas ao meio dia, o radialista Haroldo de Andrade Junior colocou a questão do abandono de prédios, pelas causas mais diversas, destacando que são pelo menos 55 edifícios. Todos em condições perigosas, com instalações elétricas expostas, redes de gás e água desprotegidas. O descaso, de outro lado, produz gases poluidores produzidos pelo lixo e sujeira acumulados.

Então acrescentei as duas situações absurdas citadas no título deste artigo: o Automóvel Clube do Brasil e o antigo cinema Plaza, embaixo de edifício outrora residencial e comercial. Assim como edifício Liberdade da Rua Treze de Maio. O Automóvel Clube, inclusive um prédio histórico, pois na sua sede funcionou no início da década de 40 o Clube América, que reunia correntes de pensamento contra o nazismo de Hitler. O chanceler Osvaldo Aranha participava das reuniões, da mesma forma o general Cordeiro de Farias.

Está com as portas absolutamente cerradas há cerca de 20 anos. Nas janelas, em vez de vidros, papeis amarelados e amassados pelo tempo e as chuvas.O antigo cine Plaza está abandonado há mais tempo até. Uns trinta anos. O Poder Público não tomou, até hoje, qualquer iniciativa para equacionar, ou tentar coordenar, a solução dos dois elefantes abatidos pela solidão. Neles só o passado penetra.

Descaso absoluto, como classificou na matéria de O Globo o engenheiro Antonio Eulálio Pedrosa, do CREA-RJ, referindo-se à Rua do Resende. Haroldo de Andrade Junior, claro, começou o debate com a tragédia do Edifício Liberdade, na minha opinião a maior da história do Rio. Um prédio desaba, afunda, arrastando outros dois em sua queda.

O engenheiro Merry Dachon, que participa do programa, analisou a catástrofe. Para ele, culpa dos executores da obra que corroeu uma viga de sustentação desestabilizando o prédio de 74 anos numa área em que são permanentes as vibrações produzidas pelas linhas do Metro.

As obras de sua construção, governo Negrão de Lima, começaram em 1969, exatamente na Rua Treze de Maio. O síndico Paulo Renha possui responsabilidade, já que aceitou a obra sem contestá-la. Vidas humanas foram soterradas. Como no filme Casablanca, as investigações devem ficar nos suspeitos de sempre. As punições sem ninguém.

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