Preocupados, ex-presidentes consultam generais sobre o risco de ocorrer um golpe

Fernando Henrique Cardoso -

FHC é um dos ex-presidentes que consultaram os militares

Marcelo Godoy e Pedro Venceslau
Estadão

Os ataques do presidente Jair Bolsonaro à democracia e a ameaça de não aceitar as eleições de 2022 sem a adoção do voto impresso levaram cinco ex-presidentes da República a procurar contatos com militares para saber a disposição dos quartéis. Emissários ouviram de generais da reserva e da ativa a garantia de que as eleições vão acontecer e de que o vencedor – seja quem for – tomará posse.

Os generais foram indagados sobre as constantes aparições de Bolsonaro em solenidades militares das Forças Armadas e em formaturas de cadetes e sargentos. Eles explicaram aos seus interlocutores que não podem impedir a presença do presidente nesses eventos, mas que ela não será suficiente para romper a hierarquia. Ou seja, afastaram a hipótese de Bolsonaro contar com insubordinação nas Forças.

HÁ UMA PREOCUPAÇÃO – Os chefes militares, porém, externaram preocupação de que o presidente e seus aliados tentem fazer isso – e tenham sucesso – com as Polícias Militares. Mas o risco de rompimento da cadeia de comando nas PMs é monitorado pelas Forças Armadas.

Os ex-presidentes que se mobilizaram para contatar os militares são Michel Temer, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, José Sarney e Fernando Collor.

Todos receberam as mesmas informações de seus contatos. Peças-chave nessa articulação são os ex-ministros da Defesa, Nelson Jobim, Raul Jungmann e Aldo Rebelo. Também participa dessa movimento o professor de filosofia Denis Lerrer Rosenfield, que é amigo de Temer e mantém boas relações com generais, como o ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Sérgio Etchegoyen e com o vice-presidente Hamilton Mourão. Pelos menos seis generais da ativa e da reserva forneceram os relatos sobre a situação do Exército.

UM MAU SINAL – “Antes de mais nada, essa não é uma discussão boa para o País, uma discussão que tem como agenda o envolvimento de militares na política. Não é um bom sinal”, disse o ex-ministro Aldo Rebelo.

Segundo ele, “a boa notícia dentro da má notícia é que os militares não estão interessados em desempenhar um protagonismo na desorientação que estamos atravessando”. Aldo diz ser consultado quase diariamente. “Acompanho esse tema há muito tempo. E converso com os ex-presidentes.”

Dos ex-presidentes, um manteve contatos diretos com militares. Trata-se de Fernando Henrique Cardoso. O tucano ouviu que não há hipótese de o Exército embarcar em uma aventura. O estabelecimento militar estaria se descolando do chamado “partido militar”, os oficiais que se uniram para fazer política com Bolsonaro.

HÁ CONTROVÉRSIAS – Existe, porém, desconforto com a postura dos comandantes da Marinha, almirante Almir Garnier, e da Aeronáutica, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, que demonstram claramente apoio a Bolsonaro.

Quem recebeu mais informações foram os interlocutores de Temer. “Não há possibilidade de o Exército participar de uma ruptura. Nossos generais são constitucionalistas”, disse Rosenfield. Temer, FHC e Sarney vão participar no dia 15 de um debate com o tema Crise Institucional e a Democracia, que será mediado pelo ex-ministro Jobim. Seus partidos – MDB e PSDB –, além do DEM e do Cidadania, articulam uma chapa única para as eleições em 2022.

Jobim é também interlocutor de Lula com os militares. O petista recebeu o mesmo diagnóstico de seus colegas, mas sabe que existem resistências ao seu nome entre os representantes das Forças Armadas.

8 thoughts on “Preocupados, ex-presidentes consultam generais sobre o risco de ocorrer um golpe

  1. A mãe de todos estes problemas e suas consequências futuras é a Dona Corrupção e os pais, são todos estes aí que se dizem preocupados, mas, já estão forrados e preparados para cair fora quando a ‘cobra fumar’.
    Não podemos esquecer nunca que o governo em que acabaram com o combate a corrupção foi no governos do Bolsonaro; o ‘tosco’.

  2. Está escrito no artigo:

    “Os ex-presidentes que se mobilizaram para contatar os militares são Michel Temer, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, José Sarney e Fernando Collor.”

    Juntos, formam o “quinteto maravilha” dos corruptos impunes a que o Brasil esteve entregue nos últimos anos, sendo que o do meio, considerado o maior corrupto do planeta, foi protegido por uma corte de justiça nomeada por ele e demais corruptos.

    E a Dilma, a “mulher sapiens”, não procurou os militares ? Grande ausência …

  3. É preciso usar o termo correto: general é o da ativa, se tiver sido general da ativa e agora é velhinho na reserva, não pode usar o título de sua sua patente em cargos públicos. Se quiser continência, seja reconvocado e volte para o quartel!

  4. “Preocupados, ex-presidentes consultam generais sobre o risco de ocorrer um golpe”. Vejam a qualidade dos nossos ex-presidentes: será que eles esperavam que algum general confirmasse que haveria golpe? E, em caso afirmativo, eles perguntariam o dia e o horário em que o evento ocorreria??????

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