Presente de Natal: China prepara-se para socorrer financeiramente a Rússia

Tyler Durden
Zero Hedge

Na noite de 16 de dezembro, Wang Yungui, da Administração Chinesa de Câmbio, observou que “o impacto da depreciação do rublo russo ainda não aparece com clareza, e, como Bloomberg noticiou, “a China está acompanhando de perto a depreciação do rublo e encorajando as empresas a proteger-se contra os riscos do rublo.”

Seus comentários ecoaram também na agenda de reforma do mercado de moedas para dar mais flexibilidade ao yuan, tema para o qual o jornal “The South China Morning Post” apontou em matéria intitulada “Rússia pode procurar ajuda da China, para enfrentar crise” – na qual se lia que a Rússia pode recorrer ao acordo de swap [troca] de moeda, de 150 bilhões de yuan ($24 bilhões) com a China, assinado em outubro, se o rublo continuar a cair.

Além disso, dois banqueiros próximos do Banco Central da China [People’s Bank of China, PBOC] disseram que a linha de swap foi criada para reduzir o papel do dólar norte-americano, se China e Rússia precisarem ajudar-se uma a outra, para superar algum aperto de liquidez.

Como Bloomberg noticiou também ontem à noite, mais cedo, Wang Yungui disse que “o real impacto da depreciação do rublo ainda não está claro”, acrescentando que a China planeja reformas nas regras dos swaps, para flexibilizar trocas de moedas.

UMA PISTA…

Na sequência, o jornal South China Morning Post dá uma pista, ao afirmar que a Rússia pode servir-se do acordo de troca de moeda (150 bilhões de yuan (HK$189,8 bilhões) que tem com a China, se o rublo continuar em queda.

Se o acordo for ativado para essa finalidade, será a primeira vez que a China será chamada a usar a própria moeda para resgatar outro país em crise. O negócio foi assinado pelos dois bancos centrais em outubro, quando o premier Li Keqiang visitou a Rússia.

“Rússia precisa muito de apoio de liquidez, e a linha de swap pode ser ferramenta ideal”, disse o economista Lian Ping, do Banco de Comunicações.

O swap permite que os bancos centrais comprem yuan e rublos diretamente nas duas moedas, não mais via o dólar norte-americano.

SEM USO DO DÓLAR

Dois banqueiros próximos do Banco Central da China disseram que aquele acordo visa a reduzir o papel do dólar norte-americano, se China e Rússia precisarem ajudar uma a outra, no caso de aperto de liquidez.

Atualmente, a China mantém acordos de swap de moedas com mais de 20 autoridades monetárias em todo o mundo. Esses swaps, em geral, são usados para pagamentos de comércio bilateral.

“O acordo de swap não foi questão exclusivamente financeira” – disse Wang Feng, presidente de um grupo de corretores privados com sede em Xangai, Yinshu Capital. – “Teve implicações políticas, como sinal declarado de confiança mútua.”

O rublo perdeu mais de 50% em relação ao dólar esse ano, empurrando a Rússia para a beira de uma crise de moeda; medidas anunciadas pelo banco central, contudo, ajudaram o rublo, ontem, a recuperar algum terreno.

AJUDA AINDA MAIOR

Li Lifan, pesquisador na Academia de Ciências Sociais de Xangai, disse que o swap não será suficiente para a Rússia, mesmo que seja inteiramente usado. “O Banco Central da China pode concordar com acrescentar cerca de 15 bilhões de yuan ao acordado inicialmente, como meio de manifestar o compromisso da China em relação à Rússia.”

Alguns informativos econômicos, como o Bloomberg, continuam céticos, sem acreditar que esse pivô sem precedentes da Rússia em direção à China, que deixa de lado o ocidente, venha a ferir só o Kremlin. Mas outros veem de outro modo: quem sairá beneficiado? A Europa, com déficit crônico de energia e dependente da energia russa? Ou a Rússia, país riquíssimo em recursos naturais, cuja economia passa atualmente por deriva dramática e dolorosa, no processo para romper todas as amarras que o ligam ao petrodólar e criar laços de Gas-O-Yuan?

Mas a política financeira que está sendo atacada é que, ao usar acordos bilaterais de troca de moeda, os países BRICS já estão efetivamente se desacorrentando de um ‘mundo desenvolvido’ à moda Fed e dominado por esse e outros bancos centrais, para assumirem, eles mesmos, suas próprias exigências de financiamento.

ACORDO DOS BRICS

O acordo que estabelece a Reserva de Contingência, Contingent Reserve Arrangement, o CRA dos BRICS – que começa com US$ 100 bilhões.

Esse acordo terá efeito positivo de precaução; ajudará países a livrar-se de pressões de liquidez de curto prazo; promoverá maior cooperação entre os BRICS; fortalecerá a rede de segurança financeira global e complementará outros acordos internacionais já existentes (…). O acordo é um arcabouço que proverá liquidez mediante troca de moedas, em resposta a pressões reais ou potenciais de equilíbrio de curto prazo na balança de pagamentos.

Ah! Vale registrar: o papel do dólar nesse novo mundo é, bem… É zero, nada, zero.

Para quem talvez tenha esquecido quem são os BRICS, além de uma sigla criada por ex-banqueiro do Goldman, vale lembrar que nesses países vivem 3 bilhões de pessoas, quase a metade do planeta.

(artigo enviado por Sergio Caldieri)

5 thoughts on “Presente de Natal: China prepara-se para socorrer financeiramente a Rússia

  1. Esse artigo como o anterior que fala da condição da Rússia agora , cabeça do seu fã ou torcedor, o articulista profetiza ela não vai se ferrar economicamente como os EUA.
    Para quem se interessa em sair do Brasil para melhorar de vida, agora então o negócio não é os EUA e sim a Russia.

    Acreditem.

  2. Estamos vendo o ensaio da China em tentar substituir o padrão monetário mundial – hoje com o dólar – para o Yuan. Não será tarefa fácil. Até porque a própria China possui uma reserva espetacular em dólar de mais de US$3,8 trilhões.

    Por outro lado, a medida mais efetiva que o Banco Central russo tomou para evitar maior perda de valor do rublo e a fuga de capitais de seu mercado foi a elevação de sua taxa básica de juros para 17%!

  3. No séc. XIX os Estudiosos de Geo-Política garantiam que o País que dominasse os 7 Mares, venceria todas as guerras e seria Hegemônico. Baseavam-se em que o Império Romano só fez jus a esse nome depois que dominou a arte da guerra naval, aprendendo principalmente dos Gregos e Phenícios, e ter dominado o Mar Mediterrâneo e Mar do Norte ( Atlântico Norte). Depois Veneza, Gênova, Liga Hanseática, Portugal, Espanha, Holanda e o Império Britânico fizeram o mesmo.
    Os EUA se lançaram então na tarefa Mestra de dominar os 7 Mares. Dominaram.
    No final do séc XX, uma grande corrente de Estudiosos garante que quem dominar a grande Massa de Terra da EURÁSIA ( Europa – Ásia ) será Hegemônico, mesmo que não tenha o domínio dos Mares. Essa grande Massa de Terra é composta em maioria por Rússia, China, Índia ,Japão e Koreias. Daí segue-se que os EUA tem que fazer de tudo para DIVIDIR essas Nações e cercá-las e enfraquecê-las. É uma luta Geo-Política para 50 anos.
    Atualmente quem está mais sofrendo assédio é a Rússia. A China lhe oferece ajuda, isso está no seu interesse, mas a Rússia não pode aceitar muito para não cair na dependência da China, seria trocar um Patrão pelo outro. Mas a grande luta se dará entre os EUA e a China. Hoje os EUA estão “enfraquecendo a Rússia”, para depois cercar e enfraquecer a China, seu verdadeiro alvo. Quem é HEGEMÔNICO tem o direito de emitir SEM LASTRO, à vontade, a MOEDA HEGEMÔNICA, e cobrar Imposto Inflacionário DO MUNDO TODO.
    Para nós Brasileiros, a melhor estratégia é acabar aliado ao VENCEDOR.

  4. Caro senhor Flávio José Bortolotto … saudações!

    0 século XX presenciou 2 grandes momentos geopolíticos:
    1 – Os EUA se tornaram a 1ª potência atômica … e usaram 2 bombas para acabar com a 2ª Grande Guerra … … … poderiam ter usado tal poderio para se tornarem Império Mundial!!!
    2 – A antiga URSS cercava os EUA com seus submarinos nucleares com capacidade de acabarem com os EUA em 10 minutos … … … e os EUA mantinham super aviões 24 horas no ar para um possível troco em 20 minutos!!! e Reagan veio com Guerra nas Estrelas para anular um possível ataque!!!

    Neste século XXI, o grande momento geopolítico tem sido Israel conseguir anular os foguetes de Gaza … num reflexo do Guerra nas Estrelas!!! e levando Netanyahu a convocar eleições para que se decida o CUMPRIR PROFÉTICO – como ele mesmo discursou na ONU!!!

  5. Prezado Sr. LIONÇO RAMOS FERREIRA, Saudações.
    O primeiro grande momento Geo-Político, brilhantemente citado pelo senhor, foi no final da IIª Guerra Mundial em 1945, quando os EUA tinham o monopólio das Armas Atômicas. Como a URSS, uma semana antes do começo da IIª Guerra Mundial, tinha assinado um Tratado de Paz e Amizade com a Alemanha Nazista de HITLER, o que deu origem ao início da terrível guerra com o ataque da Alemanha e URSS à Polônia em 01 Set 39, Tratado de Paz e Amizade que só foi rompido em 22 Jun 41 com o ataque surpresa da Alemanha contra a URSS, os EUA, como queria o Gen. PATTON, ( que por isso NÃO ACABOU BEM, morreu de “Acidente de Automóvel”), poderia alegar que a URSS foi responsável pela guerra e declarar guerra a URSS da qual com bombas atômicas, ganharia facilmente, e assim acabaria com o COMUNISMO. Em 1949, a URSS explodiu suas primeiras Bombas Atômicas, e daí para a frente, até hoje com a Rússia, vigora o equilíbrio do Terror.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *