Presidente da Petrobras defende a extinção do BNDES e não é internado no Pinel

Resultado de imagem para

Roberto Castello Branco precisa ser demitido a bem do serviço público

Carlos Newton

O Brasil vive o momento mais controverso e enlouquecido de sua história. Não há hierarquia administrativa, a esculhambação é geral, ninguém demonstra o menor respeito por cargos, atribuições e poderes. Os membros da equipe econômica, por exemplo, comportam-se como se o eleito para a Presidência da República tivesse sido Paulo Guedes, ao invés de Jair Bolsonaro. E não conhecem limites quando se trata de defender um ideário neoliberalizante totalmente ultrapassado, que não deu certo e não é utilizado em nenhum país importante do mundo.

O economista Roberto Castello Branco, por exemplo, que ocupa ocasionalmente a presidência da Petrobras, é um desses servidores públicos que não cabem em si e não respeitam a existência de instâncias superiores – no caso, o ministro de Minas e Energia, o ministro da Economia e o presidente da República, nesta ordem.

DESRESPEITO – Não cabe ao presidente da Petrobras fixar a política estratégica do Ministério de Minas e Energia nem dar declarações a respeito. A fixação dessas diretrizes é atribuição direta da Presidência da República e está acima da competência do próprio ministro – no caso, o almirante Bento Albuquerque, que tem se mantido discreto, sem emitir opiniões pessoais sobre a política estratégica do país.

Roberto Castello Branco, no entanto, se comporta de modo totalmente diverso, mostrando ser inoportuno, inconveniente e impróprio. Doutor pela Universidade de Chicago, amigo pessoal e ex-sócio de Paulo Guedes, de quem desfruta total intimidade, o presidente da Petrobras deu uma declaração estarrecedora aos repórteres Bruno Rosa e Ramona Ordoñez, de O Globo.

Disse que gostaria de ver a Petrobras “privatizada”, revelou seu “sonho” de pôr fim a todas as empresas estatais no Brasil, defendeu a “extinção” do BNDES, e não aconteceu nada, não foi internado em hospital psiquiátrico e as autoridades superiores se calaram a respeito.

MUITO ESTRANHO – Surgem dúvidas. Seria Castello Branco uma espécie de porta-voz informal do presidente Bolsonaro? Estaria falando em nome do ministro Paulo Guedes? Ou trata-se mesmo de um caso de internação? Afinal, é totalmente inadequado que um dirigente de estatal se manifeste tão incisivamente em assuntos de tamanha relevância.

Além disso, é muito estranho que venha a defender a extinção do BNDES, um banco de fomento criado por Getúlio Vargas em 1952 e que se mostrou importantíssimo na industrialização do país. Era o maior banco de desenvolvimento do mundo, até ser superado por sua versão chinesa, o CDB (Banco de Desenvolvimento da China), criado em 1994 à imagem e semelhança do BNDES.

Ao mesmo tempo, o atual presidente, Joaquim Levy (aquele que era da Turma do Guardanapo de Cabral em Paris) quer extinguir a taxa de juros praticada pelo BNDES (a TJLP), que significa acabar com o banco e deixar os industriais brasileiros serem explorados pelos banqueiros.

TUDO ÀS CLARAS – Essa armação para beneficiar os banqueiros (via reforma da Previdência e extinção do BNDES) é feita às claras, sem subterfúgios. Seus promotores esuecem ue o Brasil somente se industrializou porque o BNDES cobrava juros no padrão internacional. No início da décda de 90, os chineses vieram ao Brasil, estudaram o funcionamento do BNDES, criaram seu próprio banco de fomento, mas para o Brasil isso não tem mais serventia.

Esse tal de Castello Branco, como porta-voz informal de Guedes, quer privatizar todas as empresas públicas aqui na filial Brazil, esquecido de que a matriz USA não revela a menor intenção de vender suas estatais. Aliás, a Inglaterra, a Suécia, o Japão e muitas outras nações também não tocam no assunto.

Sinceramente, já houve tempo em que o Brasil era um país. Agora, sob novo governo militar (desta vez, eleito democraticamente…), arrisca-se a se tornar novamente uma colônia. Isso é muito estranho.

###
P.S. –
Os militares precisam entender que de nada adianta a independência político-territorial, quando não existe independência econômica. Apenas isso. Se não entendem essa verdade, então sigam em frente, privatizem a Previdência, vendam todas as estatais, acabem com o BNDES, mas nada mudará – a dívida pública continuará crescendo e o país desmoronando. Podem apostar. (C.N.)

15 thoughts on “Presidente da Petrobras defende a extinção do BNDES e não é internado no Pinel

  1. A ideia sobre o BNDES não é de todo ruim. Caberia saber se os bancos particulares abraçariam os empréstimos, a perder de vista, quase de pai para filho, como acontece com o dinheiro “de ninguém”. Se haveria governo que os obrigasse a negociar de forma mais isenta e mais condicente com a realidade do país em que operam.

    • Alias a CPI do sistema financeiro, já cabe no Brasil dos juros mais altos do mundo. Se os governo não podem obriga-los a baixar seus juros, podem sobretaxá-los por conduta antieconômica. Não acredito que saíssem do país, deixando seus clientes para os bancos estatais. Não podem mais financiar campanhas milionárias, apesar de ainda terem influencia deletéria sobre as prioridades dos governos.

  2. Quando se começa a falar em extinguir as tetas dos esquerdistas, estes começam a latir e latir… IMPRESSIONANTE! Fiquem calmos. O desmame é assim mesmo. No começo é uma gritaria, esperneios pra todo lado, mas depois acostuma e o resultado final é aquela tortura horrorosa: Tem que ir à luta e trabalhar, como todo mundo faz!

  3. Tem mais é que privatizar tudo o mais rápido possível , assim vai acabar a farra do servidores públicos milionários e parasitas.
    E com isso vai sobrar mais dinheiro para prestar serviço a população que vive na miséria e é tratada pior do que lixo.
    Enquanto isto não acontece, o Brasil segue afundando na dívida pública.
    Daqui pra frente a crise econômica vai aumentar e ficar fora de controle.

  4. As antigas “casas de tolerâncias”, tinham este nome, por justamente aceitar tudo o que alguém desejasse fazer, desde que pagasse para tal.
    Um pais como o Brasil, que ontem abdicou da sua soberania, entregando uma parte do seu território ao domínio americano e ainda fazendo valer a sua condição de vira-lata, revogou a necessidade de vistos para a entrada de cidadãos de alguns países, sem a devida reciprocidade, tudo em nome da economia.
    Passamos a ser um casa de tolerância, de dimensão continental, por um punhado de dólares, vendemos a nossa honra.
    Só falta agora, o governo emitir decreto, isentando os estrangeiros oriundos destes países, de cumprir as leis nacionais, ficando sujeitos apenas as leis dos países de origem, mesmo estando aqui.
    A questão das estatais, vai pelo mesmo caminho, mas que pelo menos, não façam as “doações” do FHC.
    Quanto a questão da base entregue aos americanos, seria bom dar uma consultada aos portugueses, como foi o episódio da entrega da base Das Lajes, nos Açores, durante a guerra contra o Iraque.

  5. Parabéns Carlos Newton! Excelentes suas observações. Ocorre que, não adianta demitir esse presidente da Petrobrás, se continuar Paulo Guedes, seu chefe. Ele está simplesmente repetindo o que Paulo Guedes já disse com clareza. Aliás, esse Ministro da Economia disse também ser favorável à venda do Banco do Brasil e da Caixa Econồmica Federal e nem faz ressalva quanto à desnacionalização, que para ele pode ser até total. Não consigo entender como um presidente patriota / nacionalista pode se assessorar com um entreguista e traidor da Pátria.

  6. PARTE DE NOTÍCIA DO UOL DE HOJE, 19.03.2019:
    Dispensados de vistos para seus cidadãos a partir de 17 de junho, em medida anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) ontem, os Estados Unidos recomendam a seus viajantes que “exerçam cautela aumentada no Brasil devido ao crime”.

  7. Turistas americanos, além de outros, sem precisar visto para entrar no Brasil; já os brasileiros para lá, obviamente, só com visto; sem reciprocidade, portanto.
    Mais ainda: Cota sem tarifa do Brasil para trigo sai mesmo sem contrapartida dos EUA
    Volume importado pode chegar a 750 mil toneladas anuais, que equivale a 13% do consumo do produto por ano.

    A POLÍTICA DA ”ABRIÇÃO DE PERNAS”? .

  8. Síndico o BNDES foi o foco principal da roubalheira dos petralhas e PMDB / PP. Não sei acabar, mas a gestão tem que melhorar muito, pois ali no governo ANTAlógico foi para ralo 500 bilhões de reais que hoje, nos daria um fôlego na dívida pública e não estariam propondo a reforma da previdência. Foi para isso que serviu a senhora Dilma, deixar o país na falência. Igual a seu mentor fez com o Palmeiras.

    • Antonio Carlos, é só colocar pessoas decentes e preparadas para gerir o BNDES que tudo logo muda da água para o vinho. Quem esculhambou o BNDES foi FHC, com as privatizações de moedas podres, lembra?
      Abs.

      CN

      • Essas histórias de “moeda podre”,”herança maldita” com que ferem as privatizações de FHC é conversa fiada de petista que hoje só serve para acalentar o sono dos seus líderes nas prisões. Não fossem as privatizações das teles,por exemplo, talvez nem existisse esta fabulosa Tribuna pois ao invés de internet ainda estariamos nos comunicando através dos orelhões.
        Em tempo: quem esculhambou o BNDES foi o PT mesmo, tomando dinheiro do Tesouro, captado a juro de mercado, para emprestar às empresas dos amigos à juro subsidiado. Não por acaso, ontem foi acatada a denúncia contra Luciano Coutinho, Mantega e outros por corrupção no BNDES.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *