Presidente Dilma espera que novo escândalo envolvendo Pagot faça Lula desistir de pressionar para mantê-lo na direção-geral do Dnit. Será?

Carlos Newton

À primeira vista, até parece um paradoxo. Mas a realidade é que o Planalto recebeu com satisfação e alívio a notícia de que um empresário acusa diretamente o diretor afastado do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Luiz Antonio Pagot, de cobrar e obter do prefeito de Lucas do Rio Verde (MT), Marino Franz (PPS), uma casa em troca de obras e outros benefícios para o município.

Agora, ficou mais fácil para a presidente Dilma Rousseff e as ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Helena Chagas (Comunicação Social) enfrentarem a dupla Lula e Gilberto Carvalho (secretaria-geral da Presidência), que insistem em tentar manter Pagot na direção do Dnit.

O caso Pagot é uma espécie de queda-de-braço (ou braço-de-ferro) entre a atual e o ex-presidente, que, ao contrário do que se pensa, começam a ter cada vez mais divergências. Justamente por isso, já assinalamos aqui no blog que a disposição anunciada por Lula – de voltar a influir mais ativamente na política nacional – representa um delicado problema para Dilma Rousseff.

Como se sabe, desde que irrompeu o escândalo no Ministério dos Transportes, a primeira dúvida era saber se Pagot tinha conseguido entrar de férias ou se seria cumprida a decisão da presidente Dilma de demiti-lo, junto com os outros membros da quadrilha formada pelo ministro Alfredo Nascimento e pelo deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP).

Na ocasião, Pagot foi o único dos quatro demitidos a ter usado essa artimanha, e depois deu entrevistas reiterando que tinha saído de férias por orientação do ainda ministro Alfredo Nascimento, que levou alguns dias até ser defenestrado.

Começou aí uma série de ameaças do diretor do Dnit, tendo o ministro Paulo Bernardo (Comunicações) como alvo, e acontece que ele é casado com a também ministra Gleisi Hoffmann. Depois, os ânimos foram apaziguados pelo padrinho de Pagot, o senador Blairo Maggi (PR-MT), que conseguiu fazer com que Pagot prestasse dois depoimentos contidos nas comissões do Congresso.

Tão logo mostrou disposição de colaborar, Pagot passou a ser defendido ardorosamente pelo também ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência, que é conhecido como uma espécie de representante oficial de Lula no Palácio do Planalto.

Ao mesmo tempo, a assessoria da Casa Civil passou a informar reiteradas vezes que Pagot seria afastado definitivamente tão logo reassumisse, embora ele continuasse declarando que sua situação ainda estaria indefinida e somente seria resolvida quando as férias acabassem, dia 5 de agosto.

E sintomaticamente, o ministro Gilberto Carvalho seguia defendendo Pagot. “Até agora, a única pessoa contra quem não apareceu nenhuma denúncia efetivamente é o Pagot”, afirmou Carvalho ao jornal Valor na sexta-feira, portanto, antes das novas revelações envolvendo o diretor do Dnit.

Diante dessa situação, que mostra claramente uma divisão entre os ministros que atuam no próprio Palácio do Planalto, a solução que a presidente Dilma Rousseff der à situação funcional do diretor-geral do Dnit será esclarecedora, porque mostrará até que ponto vai a influência do ex-presidente Lula no atual governo.

Justamente por isso, a nova denúncia contra Pagot foi comemorada pela presidente Dilma e pelas ministras Gleisi Hoffmann e Helena Chagas. Pelo que se soube, a acusação é até antiga e foi feita em 2008 pelo empresário Hélio Moraga, depois de um acordo de delação premiada proposto pelo Ministério Público de Mato Grosso em um inquérito já que gerou a denúncia de 24 pessoas por improbidade administrativa.

A denúncia é de que Pagot teria cobrado e obtido de um prefeito de MT uma casa em troca de obras e outros benefícios para o município. Na época, Pagot não era investigado e não foi denunciado, já que o foco do inquérito eram irregularidades cometidas por autoridades do município, acusadas de terem montado um esquema de fraudes em licitação e desvio de verbas da prefeitura.

Em depoimento prestado à Polícia Civil e ao Ministério Público em julho de 2008, Moraga afirmou que houve “um acerto” entre Pagot, a prefeitura e o próprio empresário. Moraga era sócio do secretário municipal de Obras, Rafael Balizardo, um dos denunciados.

“No começo de 2005, Rafael Balizardo procurou o depoente dizendo que o sr. Luiz Antônio Pagot traria alguns benefícios para Lucas e em troca eles teriam que ajudar o sr. João Pagot a construir uma casa”, afirmou no depoimento.

Com essa denúncia, agora fica facilitada para a presidente Dilma Rousseff a possibilidade de convencer Lula da necessidade de demitir Pagot, decisão que é apoiada pela ministra Gleisi Hoffmann (até mesmo por motivos pessoais, já que Pagot acusou o marido gravemente) e também pela ministra Helena Chagas (para não prejudicar a imagem da presidente, já que não existe como justificar a manutenção do diretor do Dnit).

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