Presidente do BNDES “abrirá” caixa preta que a PF levou dois anos arrombando

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Principal item do curríiculo de Montezano é ser amigo da família

Fabrício Castro e Eduardo Rodrigues
Estadão

O presidente do BNDES, Gustavo Montezano, disse nesta terça-feira, 16, que as dúvidas sobre a chamada “caixa preta” do BNDES atrapalham a formação de estratégia do banco e que a imagem da instituição de fomento é questionada. A instituição vive de credibilidade, segundo ele.

 “Com foco empresarial, é importante termos uma explicação sobre a ‘caixa preta’ do BNDES, como marco zero. Precisamos tirar essa nuvem negra de cima do banco”, avaliou. “Tenho o dever de investigar todo e qualquer tema que bloqueie o banco de desenvolver sua estratégia de serviços”, acrescentou.

PAÍS QUEBRADO – Montezano tomou nesta terça-feira posse na presidência do banco de fomento, em cerimônia no Palácio do Planalto. Antes disso, ele esteve na Secretaria de Desestatização do Ministério da Economia. “Fiquei triste quando cheguei a Brasília seis meses atrás”, disse Montezano. “Foi lastimável o que fizeram com as contas públicas. O País está quebrado”, disse.

Ele disse não ter uma opinião formada ainda sobre o tema, mas garantiu que coordenará pessoalmente esse processo. “As informações são completamente desencontradas. Em dois meses devo formar uma opinião sobre essa questão. Dois meses é um tempo curto, mas é importante fazer isso o mais rápido possível”, respondeu.

Além disso, evitou adiantar qualquer ponto sobre essa varredura que deverá ser feita nas contas do banco e disse estar aberto a qualquer tipo de conclusão. “O que sairá disso eu prefiro não dizer agora. Nosso objetivo é ser transparente. Se, no final, alguém não ficar feliz ou contente, isso não vai nos forçar a revelar informações que não sejam consistentes.”

CRESCIMENTO – O novo presidente do BNDES acrescentou que não assume o banco com a função de julgar gestões anteriores, mas com a missão de fazer a instituição se desenvolver. “Sou um executivo. Não sou juiz, nem político. Não vou entrar no mérito do que os outros presidentes fizeram, se foi errado, eu vou fazer do meu jeito”, completou.

Para Montezano, apesar dos principais dados das operações do banco já estarem disponibilizados no site da instituição, é importante explicar essas informações para a população. “O que estamos nos propondo a fazer é explicar a ‘caixa preta’. Ainda paira uma dúvida substancial na cabeça de população e políticos sobre isso”, concluiu.

O presidente do BNDES evitou comentar as investigações e conclusões da CPI do BNDES e da Operação Lava Jato sobre o banco.

SERVIÇOS – O presidente do BNDES, Gustavo Montezano, afirmou que a nova instituição será um banco de serviços do Estado. Montezano disse que pretende atuar nas áreas de privatizações, concessões, e desinvestimento. “O BNDES será menos banco e mais desenvolvimento”, disse.

De acordo com o novo presidente do banco de fomento, o BNDES será peça fundamental na recuperação do Estado. “O foco do banco não será o lucro, será a sustentabilidade financeira. Este é o principal norte.” Montezano afirmou ainda que o banco atuará sempre com transparência. Ele pontuou que momentos de transição de gestão são sempre delicados para quaisquer empresas.

DISRUPÇÃO POLÍTICA – Ao tratar da eleição do presidente Jair Bolsonaro, ele afirmou que a eleição de um deputado federal “à margem do poder político” é uma “disrupção política”. Além disso, afirmou que o movimento de revolução tecnológica está varrendo as estruturas. “Em 5, 10, 20 anos, a forma de o governo interagir com o cidadão não será como hoje”, disse. “Pessoas jovens, com visão moderna de mundo, terão muito a contribuir.”

Montezano afirmou que boa parte da carteira de ações de R$ 110 bilhões do banco de fomento são meramente especulativas. Uma das cinco metas colocadas por ele para a instituição é acelerar a saída desse capital na Bolsa.

“São ganhos financeiros sem qualquer devolução de valor para a sociedade. Deixar o dinheiro na Bolsa não é o melhor investimento”, avaliou. “Já quando você constrói infraestrutura de saneamento, por exemplo, o retorno consolidado para a sociedade é incomparavelmente melhor”, completou.

DEVOLUÇÃO – O presidente do BNDES garantiu ainda que a devolução de R$ 126 bilhões ao Tesouro Nacional neste ano não depende dessa venda de ações. Montezano não detalhou o volume do desinvestimento nesse capital previsto para 2019, mas reiterou que a ideia é acelerar a saída da Bolsa.

“Não tem prazo. Quanto vamos vender esse ano ainda não está decidido. Queremos ter um plano de desinvestimento até o fim do ano”, explicou. “Não estou afirmando que vamos vender toda a carteira de R$ 110 bilhões, mas a intenção é essa. Vamos vender o que o mercado suportar” afirmou.

Para o presidente do banco, o bom investidor precisa entender as janelas de mercado. Por isso, não há ainda um plano exato para a venda dos papéis de cada empresa. Segundo ele, a realocação de portifólio do banco será feita seguindo as condições de mercado. “O que ocorre hoje no mercado de ações é momento positivo. Acredito que o Brasil será um porto seguro para investimentos e que o mercado continuará nesta tendência positiva”, avaliou.

AÇÕES DA VALE – Apesar do cenário positivo, o BNDES tem cerca de R$ 17 bilhões em ações da Vale, que têm sido afetadas pelos recentes incidentes com barragens. “Não consigo comentar se é um momento bom para vender ações da Vale”, esclareceu. “Mas será que vale a pena esperar dois anos para a recuperação das ações? Quanto vale dois anos de uma criança fora da escola, ou dois anos de uma rua sem saneamento e iluminação? É preciso fazer essa conta, essa reflexão”, acrescentou.

Montezano disse ainda que não há ainda uma decisão sobre fechar ou não o BNDESPar. “É muito cedo para fazer qualquer comentário sobre esse sentido”, respondeu.

Ainda assim, o presidente do BNDES disse que dificilmente o banco de fomento voltará a investir em ações. Se isso acontecer, será apenas em casos nos quais haja “benefícios laterais” para a sociedade. “Se for meramente especulativo, é pouco provável”, concluiu.

MAIS DEVOLUÇÃO – O presidente do BNDES falou que a devolução de R$ 126 bilhões ao Tesouro Nacional este ano é parte da conclusão de um processo já iniciado por gestões anteriores do banco. O BNDES já devolveu R$ 40 bilhões ao Tesouro em 2019, restando cerca de R$ 86 bilhões a serem pagos até dezembro.

“Esses recursos fazem parte dos R$ 500 bilhões aportados pela União ao banco de fomento em uma estratégia que não funcionou. Além desses R$ 126 bilhões, ainda faltariam cerca de R$ 270 bilhões do volume total, que idealmente gostaria de devolver até o final do meu mandato”, completou.

Já a devolução dos R$ 36 bilhões em Instrumentos Híbridos de Crédito e Dívida (IHCD) ficaria para depois da devolução dos outros R$ 270 bilhões em aportes.

MAIS SERVIÇOS  – Para Montezano, a devolução dos recursos não atrapalharia o novo posicionamento do banco de fomento. “O banco quer se posicionar menos como um banco de empréstimos e mais como um banco de serviços ao Estado. O BNDES será uma espécie de consultor financeiro para o governo federal e os governos estaduais, auxiliando na modelagem financeira de privatizações”, explicou.

Nesse novo modelo, acrescentou, o BNDES se remuneraria por meio de comissões, e não através do recebimento de juros. “Os governos hoje não têm dinheiro, herdaram finanças vergonhosas. A ideia é o time do BNDES focado a ajudar a reestruturação das finanças desses governos” acrescentou.

O presidente do banco disse não enxergar a necessidade de prestar esse tipo de serviço de consultoria financeira para agentes privados que, segundo ele, já estariam bem atendidos pela banca privada.

PRIVATIZAÇÕES – Além disso, para Montezano, não serão necessários empréstimos do BNDES para o financiamento das operações de privatizações planejadas pelo governo.

“Os bancos privados já ocupam esse espaço. Já nas concessões de longo prazo, eventualmente será necessária a participação do banco. O BNDES continuará ativo, principalmente em infraestrutura e saneamento. O banco tem recursos para isso, mesmo sem o dinheiro do Tesouro”, concluiu.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA entrevista de Montezano é um imenso vazio. Ele não sabe nada sobre o BNDES nem sabe o que banco significa para a economia nacional. A caixa-preta que ele promete abrir não existe há muito tempo. A Polícia Federal ficou dois anos investigando o banco, os responsáveis foram incriminados e respondem a processo. Os principais réus são Guido Mantega e Luciano Coutinho. O novo presidente não sabe nada sobre essa investigação. Pensa (?) que vai descobrir a pólvora. Se lesse os jornais, saberia que a caixa-preta foi arrombada há tempos, exibindo os números dos recursos utilizados e os nomes  dos envolvidos. (C.N.) 

10 thoughts on “Presidente do BNDES “abrirá” caixa preta que a PF levou dois anos arrombando

  1. Lúcido o novo presidente do BNDES. Banco de fomento não tem que ter ações de empresa na sua carteira, bom momento para vender as participações. Quanto as ações da VALE vai vendendo aos poucos, até o fim do ano a VALE recupera seu preço. Mas, tem gente que continua a querer esconder os podres do BNDES. Lamentável a postura de alguns!

  2. Bom dia, comentário geral nas redes sociais feito por economistas e agentes do mercado foi que o discurso foi um desastre e feito exclusivamente para agradar o Messias (Bozo pai). Os comentários foram os piores possíveis inclusive de ex presidentes do banco como o Mendonça de Barros (Luiz Carlos). Um moleque. Ao menos deve saber fritar hambúrgueres pois o filme já sabemos que é especialista em fritura! Rsrsrs! Seus vizinhos que o digam !

    • “Lamentaveis as primeiras declarações do novo presidente do BNDES a imprensa no dia de hoje. Para uma pessoa que trabalhou em uma grande instituicao financeira ele – para agradar o presidente da Republica – faz observacoes tecnicas absurdas;
      Volto a isto!” LCMB

  3. Antes de dizer-lhe adeus, eu apenas o aconselharia a diminuir o volume do cabelo. Fica parecendo um cabeção. De resto, seria uma ausência que preencheria uma lacuna, como se diz por aí.

    • Não é porque é jovem que não sabe das coisas. O cara é do IME. De onde era o Luciano Coutinho?
      O BNDES errou muito quando preferiu financiar paises estrangeiro em vez de focar no NACIONAL!
      Espero que a atuação do jovem Montezano leve o Luciano Coutinho e o Mantega ao banco dos réus pelo mal que fizeram ao país. Eles e o canalha preso em Curitiba.

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