Kakay, o advogado, foi o grande perdedor da batalha que não houve no STF

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Carlos Newton

A guerra prevista para hoje no Supremo Tribunal Federal (STF) se tornou semelhante à Batalha de Itararé, que jamais aconteceu, porém acabou sendo usada para denominar o mais famoso barão plebeu da História do Brasil, o gaúcho Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, cujo nome imponente parecia mesmo nobre

O presidente do PEN, deputado Adilson Barroso, agiu a tempo e conseguiu sustar a medida cautelar do advogado Kakay (Antonio Carlos de Almeida Castro), que supostamente estaria representando o partido.

ADVOCACIA “FAKE” – No entanto, até as contínuos do palácio sabiam que, nesta questão, Kakay não representava partido algum, estava na defesa dos interesses de seus clientes. Era uma advocacia “fake”, porque ele não foi procurado pelos dirigentes do PEN, muito pelo contrário. O próprio Kakay é que entrou em contato com eles, propondo que apresentassem a ação ao Supremo, para dar visibilidade ao partido,

Quando Jair Bolsonaro articulou sua filiação ao PEN, que passaria a se chamar Patriota, o pré-candidato exigiu que a ação fosse retirada do Supremo e a direção do partido aceitou. Mas os entendimentos com Bolsonaro não deram certo e o assunto da desistência da ação de constitucionalidade do art. 283 do Código de Processo Penal (prisão em segunda instância) caiu no esquecimento. Mas na semana passada foi estrategicamente ressuscitado por Kakay, no embalo do fracasso do “habeas do habeas do habeas” de Lula.

APOCALIPSE NOW – A decisão do PEN pegou de surpresa os ministros Marco Aurélio Mello, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Celso de Mello, os cinco novos Cavaleiros do Apocalipse, que na Bíblia eram quatro. Eles estão indóceis para mudar a jurisprudência do Supremo, mesmo sem que tenha ocorrido um fato novo superveniente, que pudesse justificar essa mudança de rumos, conforme assinalou o ministro Alexandre de Moraes, que se posiciona claramente a favor da prisão após segunda instância, é praxe em 193 dos 194 países-membros da ONU, e apenas este argumento já diz tudo.

No entanto, para os cinco apocalípticos ministros, nada importa e a presunção de inocência seria uma espécie de DNA permanente, que precisaria ser levada às últimas consequências. Não se comportam como juristas. Ao contrário, agem como se fossem defensores de um estranho fundamentalismo religioso, que visa a considerar “recuperado” todo criminoso que fizer parte das elites nacionais e puder contratar grandes escritórios de advocacia, capazes de reduzir a velocidade da Justiça até que as crimes sejam perdoados por decurso de prazo. Para estes ministros, realmente nada importa, porque estão totalmente dedicados à defesa da impunidade dos poderosos.

Na sessão de hoje, era provável que o presidente do PEN, deputado Adilson Barroso, subisse à tribuna e apresentasse uma questão de ordem à presidente Cármen Lúcia, para desistir da ação, nos termos do artigo 485, incisos VI e VIII do Código de Processo Civil. Ao justificar, poderia contar que foi procurado pelo advogado Kakay, que o convenceu a mover a ação, da qual agora se arrepende, por constatar que uma tese aparentemente legítima na verdade estava embutindo interesses altamente escusos.

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P.S. –
Mas esta nova Batalha de Itararé está apenas adiada. Os cinco Cavaleiros do Apocalipse tiverem de se recolher à estrebaria para reunir as forças e planejar outro ataque. Eles nem percebem que há algo no ar além dos aviões de carreira. (C.N.)

13 thoughts on “Kakay, o advogado, foi o grande perdedor da batalha que não houve no STF

  1. Felizmente o “devogado” espertalhão e sua banca amicus curiae, aquele que se diz ético, defensores dos piores criminosos, perderam, temporariamente, chora e esperneia, Jacques Verges!

  2. O termo “se recolher à estrebaria”, muito propriamente usado, se refere aqueles que conduzem os equinos, bovinos e jumentos, ou os próprios?

    • …Os cinco Cavaleiros do Apocalipse tiverem de se recolher à estrebaria para reunir as forças e planejar outro ataque…> levei o assunto à baia e fui coiçado…

  3. É impressionante a sem vergonhice com que agem continuamente em benefício de criminosos poderosos. Advogados estrelados, juízes, políticos, juristas, e até a própria OAB.

    Querm de qualquer forma transformar nosso Brasil no campeão mundial de impunidade a criminosos poderosos. E para isso basta que consigam derrubar o entendimento de que a prisão já é aceitável após condenação em segunda instância.

    A população honesta e trabalhadora deste Brasil está estarrecida com todas essas artimanhas.

    Nossas Forças Armadas também estão de olho nisso. E é bom que continuem assim.

    Não se pode aceitar algo que põe em risco o futuro do país.

  4. Até hoje, não entendo a fortuna que o PT gasta com advogados na defesa do lula, se ministros do supremo, fazem isso gratuitamente, ou melhor, pago com dinheiro público e com muito mais eficiênncia.
    É acintosa ao povo brasileiro, a conduta de Gilmar Mendes, Tóffoli, Lewandowski, Marco Aurélio Melo e Celso de Melo.
    A ministra Rosa Weber, se quiser ficar na história do Brasil, que continue ao lados dos “bons”.

  5. Quer dizer que toda vez que um partido nanico entrar com uma ADC sobre a prisão em segundo instância haverá esse distúrbio no país?
    Não confiam na decisão de juiz de primeira instância nem nos de segunda instância nem no STJ e ainda duvidam de decisão de colegiado do STF.
    Eu, hein, virou zona.

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