Presidente do PT confirma candidatura de Dilma à reeleição em 2014, mas há quem duvide.

Carlos Newton

Com bastante antecedência, a sucessão presidencial de 2014 está nas ruas. Os primeiros candidatos já começam a ser colocar na praça. O PSDB deve vir com Aecio Neves, apesar da oposição dos paulistas; o PSB tem opção preferencial pelo governador pernambucano Eduardo Campos; o PV diz que lançará Fernando Gabeira; a ex-ministra Marina Silva ameaça ter seu próprio partido; o PSOL pode repetir Plinio Arruda Sampaio; o deputado Anthony Garotinho ainda sonha em sair candidato pelo PR, mas seu partido vive pendurado nas tetas do governo; Ciro Gomes também sonha, mas não tem legenda; Roberto Requião está no mesmo caso, porque o PMDB jamais aceita ser cabeça de chapa; José Serra, no desespero, pode derrubar Aecio no PSDB ou se filiar ao PPS; e o PT é o franco favorito, mas não sabe se vai de Dilma Rousseff ou Lula.

Traduzindo: a confusão é generalizada e as manobras de bastidores são obras de verdadeiros contorcionistas e ilusionistas políticos. Entre todos esses pretendentes à sucessão, apenas a presidente Dilma Rousseff assumiu a candidatura e já está em franca campanha. Só não sabe se será candidata pelo PT ou pelo PDT.

Dilma depende de Lula, que depende do que vai acontecer a Rosemary Noronha, sua companheira inseparável em 32 viagens internacionais no período de menos de três anos, que agora está toda enrolada em atos de corrupção e formação de quadrilha. Lula depende também do andamento do novo inquérito do mensalão (“Parte 2 – A Missão”), que pode até ter andamento hoje ou no início da próxima semana, segundo o procurador-geral Roberto Gurgel.

Se Lula escapar desses obstáculos, a candidatura do PT será dele e Dilma terá de voltar ao PDT, como o ex-marido Carlos Araújo está tentando, ainda sem êxito, mas vai chegar lá, com apoio do presidente da legenda, Carlos Lupi, aquele que ama Dilma, não faz segredo e continua prestando serviços ao governo, como conselheiro do BNDES, ganhando R$ 6 mil por mês, para aparecer por lá uma vez por mês.

SÓ ATÉ OUTUBRO

Dilma não ama Lupi, mas ama o poder e tem até o início de outubro para se filiar a outro partido. Se o fizer, arrisca-se hipoteticamente a perder o resto do mandato, segundo a legislação de fidelidade partidária. Mas existe uma saída jurídica: ela terá de alegar que deixa o PT porque o partido está descumprindo seu programa, o que é a coisa mais fácil do mundo de demonstrar, pois o PT se revelou especialista em trair seus ideais, seguindo fielmente o exemplo de FHC, aquele presidente que pediu que todos esquecessem o que ele havia dito antes, vejam só que tamanha desfaçatez.

Os assessores de Lula (Paulo Okamotto, Luiz Dulci, Paulo Vanucchi etc.) dizem que ele não é candidato. Também o presidente nacional do PT, deputado estadual Rui Falcão, nega a possibilidade de o ex-presidente disputar a sucessão e garante que a candidata do partido é mesmo Dilma. Mas os veteranos profissionais da crônica política ainda não acreditam nessa jogada, porque lembram da velha piada do senador Magalhães Pinto, que disse a um amigo, no aeroporto do Rio:

Acabei de encontrar o Tancredo, ele vai para Brasília“.

Como é que você sabe” – indagou o amigo.

Perguntei para onde ele ia, e Tancredo disse que vai para Brasília, para que eu pense que vai para Belo Horizonte. Portanto, na verdade ele vai mesmo para Brasília…”

ACREDITAR EM POLÍTICO?

Realmente, não se pode acreditar no que os políticos dizem, especialmente sobre assunto de tal relevância.  Desde que saiu da Presidência, Lula só pensa naquilo. Não foi à toa que colocou um poste no poder, para que pudesse manipular à vontade o governo e o PT.

Todos sabem que, na convenção do PT, ninguém ganha de Lula, que tem apoio de Dirceu, Genoino, Delúbio, Falcão e todos os outros luminares que mandam no partido.  Portanto, se não sair até outubro e se filiar a outra legenda, Dilma Rousseff ficará sem qualquer possibilidade de reeleição.

Por fim, quem plantou ontem na Folha a notícia de que Lula defende Eduardo Campos como vice de Dilma? E a quem interessa essa notícia, depois de o presidente do PT ter confirmado que o vice continuará sendo Michel Temer?

O fato novo, nisso tudo,  é que, para Dilma, interessaria muito ter Eduardo Campos em sua chapa, unindo PDT e PSB, caso Lula saia candidato pelo PT. Não deve ser à toa que os dois têm conversado tanto, e Campos até virou porta-voz da candidatura de Dilma, lembram?

Esse é o quadro, hoje. Amanhã pode ser outro. Ou não, como diz o Caetano Veloso. Faltam poucos meses até outubro e o tempo voa, não é mesmo? Logo saberemos. Enquanto isso, eu vou dando alguns pitacos por aqui.

 

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