Presidentes de partidos sem expressão ou partidos com presidentes sem perfil?

Carlos Chagas                                               

Com todo o respeito, mas os principais partidos, com raras exceções, estão disputando o campeonato nacional com o segundo time, daí as arquibancadas vazias.  Em vez de figuras exponenciais em suas presidências, como era de praxe, os partidos são hoje dirigidos por políticos de menor expressão e perfil, desconhecidos até da maioria de seus correligionários.

O PMDB, para começar: de Ulisses Guimarães a Orestes Quércia, Paes de Andrade e até Michel Temer, está presidido por Waldir Raupp, senador por Rondônia, que pelo noticiário ainda não reuniu uma só vez a executiva nacional. Nenhum pronunciamento se conhece de sua autoria, apenas ocupa a vaga aberta com a ida de Michel Temer para a vice-presidência da República, abrindo-se a dúvida sobre quem manda mesmo na legenda.

O PT, depois de fundado e presidido pelo Lula, seguido de José Dirceu, vê-se agora conduzido por Rui Falcão, deputado estadual em São Paulo,  senão contestado ao menos ignorado  pelo fundador e pela presidente Dilma Rousseff.  Fosse feita uma enquete entre os companheiros do país inteiro, quantos responderiam conhecer o passado e até o nome do atual presidente?

O PSDB sofreu uma diminuição de fato, pois o atual presidente, Sérgio Guerra, sequer conseguiu manter sua cadeira no Senado, representando Pernambuco.  Conformou-se com a eleição para deputado federal.  É dos que mais se pronunciam, mas perdeu a unanimidade. José Serra gostaria de ocupar a vaga, coisa de que Aécio Neves e Geraldo Alckmin discordam, preferindo a continuação do titular, que influenciam.

O PTB, de Getúlio Vargas e João Goulart, vive hoje num cone de sombra, presidido pelo ex-deputado Roberto Jefferson, cassado e permanentemente excluído das reuniões com o governo, de Lula a Dilma Rousseff. Jamais cumprimentou a presidente e não foi convidado para sua posse,  apesar de o PTB  integrar a base parlamentar oficial e ter ministros. Jefferson detém o controle das bancadas mas não aparece.

Leonel Brizola, se estivesse entre nós, perguntaria quem é Ernani Mello, substituto de Carlos Lupi, que foi para o ministério do Trabalho desde os tempos do Lula. Já não era figura nacional, apesar do esforço continuado para suceder o criador do PDT, mas deixou a presidência mais ou menos  como Michel Temer deixou o PMDB, atuando na sombra.

Duas exceções, em matéria de ausência de líderes de primeiro time, são registradas no DEM, cujo presidente é o senador José Agripino, e no Partido Socialista, presidido pelo governador Eduardo Campos. Fala-se muito na paulicéia em Gilberto Kassab, prefeito da capital e articulador da fundação do PSD, mas trata-se de um exagero da mídia concentrada na maior cidade do país. Afinal, poucos o conhecem em Araçatuba, Pindamonhangaba ou Ribeirão Preto. Menos ainda tem lembrança do que foi o velho PSD, mas ganhará um prêmio quem supuser o que vai ser.

Vale o mesmo para os pequenos partidos de pouca expressão e ainda menor conhecimento de quem são seus condutores, uma evidência de que, acima e além da reforma política, precisaria acontecer uma revolução na vida partidária. Também, a culpa é deles, que quase sem exceção só pensam em conseguir nomeações.

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DOIS CANDIDATOS BRASILEIROS

Que Deus dê vida longa a Bento XVI, mas projeções a respeito de quem será o futuro Papa fazem-se desde a prisão de São Pedro. Depois de um polonês e de um alemão, são grandes as chances de o trono voltar a um italiano, mas a composição do colégio dos cardeais favorece os estrangeiros.

Na hipótese de emergir uma candidatura do Terceiro Mundo, jamais da Igreja da Libertação, mas de um cardeal moderado porém oriundo das regiões mais pobres do planeta, o Brasil teria duas opções: D. Odilo Scherer e D. Raimundo Damasceno, os dois últimos brasileiros nomeados pelo Vaticano. O primeiro, cardeal de São Paulo, o outro de Aparecida do Norte, ambos acabam de disputar uma espécie de preliminar em torno da presidência da CNBB. Ganhou D. Damasceno, coisa que não significa vantagem na futura decisão maior.

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MAIS UM QUE SE VAI

Até o movimento militar de 1964 não havia limite para a permanência de oficiais generais no serviço ativo das forças armadas.  Foi o marechal Castello Branco que promoveu modificações profundas, acabando com o posto de marechal em tempos de paz, menos o dele, é claro. E o de Costa e Silva também.

O primeiro presidente do ciclo castrense estabeleceu que um general, almirante ou brigadeiro só poderia permanecer 12 anos no serviço ativo, no máximo 4 anos como general de Brigada, 4 como general de Divisão e 4 como general de Exército. Por conta disso obrigaram-se a passar para a reserva grandes lideranças, cortadas suas carreiras no auge do prestígio.

Ainda esta semana a compulsória atingiu um dos generais mais prestigiados do Exército, Augusto Heleno, primeiro comandante das tropas brasileiras no Haiti, Comandante Militar da Amazônia e depois, como ele mesmo ressaltou, “o homem errado no lugar errado”, chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia. Conhecido por suas posições nacionalistas em defesa da Amazônia e sem evitar críticas à política dos governos Fernando Henrique e Lula para a região, no último 31 de março viu-se proibido de discursar em homenagem à data. Obedeceu a ordem, mas segunda-feira, em seu pronunciamento de despedida junto ao Alto Comando, falou o que não pode falar antes. Elogiou o golpe e lembrou o perigo comunista na época. 

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REAÇÃO NO SENADO

Nasceu na Câmara, não no Senado, a proposta para se acabar com a figura de suplentes de senador, aqueles que sem terem recebido um voto costumam exercer mandatos longos ou curtos. O argumento é de que sem respaldo popular ninguém deve ocupar cadeiras legislativas.  No caso de doença ou viagem do senador, o estado respectivo ficaria sem a representação. Na sua falta, novas eleições precisariam realizar-se em tempo recorde.

Os senadores conseguiram virar parte do jogo, sugerindo que em vez de dois suplentes, deveria existir pelo menos um, fórmula capaz de reduzir mordomias. A sugestão colou, mas agora chega o segundo tempo da discussão: no Senado, a maioria já fecha com a permanência de dois suplentes, alegando que quando a vaga é aberta para sempre, até o final do mandato, se for um só o novo titular fica impedido de viajar e de ficar doente, se não quiser ver seu estado sem representação durante o período. Daí a necessidade do segundo suplente.

Em suma e pelo jeito, trata-se de mais uma proposta de reforma política que vai para o espaço. A menos, é claro, que os deputados, em maior número, aferrem-se à mudança como forma de impedir que os senadores se intrometam em suas prerrogativas.

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