Previsões para 2013. Senado será presidido por um dos parlamentares mais ricos do país, cuja fortuna é inexplicável – Renan Calheiros.

Carlos Newton

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) era presidente do Congresso Nacional, em 2007, quando a imprensa levantou que o parlamentar usou laranjas e pagou 1,3 milhão de reais em dinheiro vivo, parte em dólares, para virar sócio oculto de uma empresa de comunicação em Alagoas.

No mesmo ano, explodiu o escândalo Renagate, com a divulgação de que a jornalista da TV Globo Monica Veloso tinha uma filha com o parlamentar alagoana, que assumiu a paternidade da criança. Mônica passou a pleitear na Justiça um aumento de pensão para a filha. No meio da confusão (o senador era casado há 28 anos com Verônica Calheiros), Mônica revelou à imprensa que o dinheiro da pensão lhe era entregue por Cláudio Gontijo, um lobista ligado à construtora Mendes Junior.

Promovida a celebridade, Mônica posou nua para a Playboy, lançou uma autobiografia aos 39 anos, ganhou as páginas das revistas de fulgaridades, não fala mais sobre o Renangate e há alguns meses passou a apresentar o programa Vrum, no SBT, sobre carros de luxo, do jeito que ela gosta.

Monica virou “celebridade”

Com um escândalo atrás do outro, ficou-se sabendo que Calheiros era dono de fazendas de gado, casa na praia, apartamento e carros de luxo, com patrimônio “declarado” de cerca de 10 milhões de reais. Descobriu-se também que o senador era também empresário do ramo das comunicações, dono de duas emissoras de rádio em Alagoas que valem cerca de 2,5 milhões de reais e tinha sido sócio de um jornal diário.

Nada como um dia atrás do outro…

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POR BAIXO DO PANO

Reportagem de Alexandre Oltramari, na Veja, mostrava que pouca gente em Alagoas conhecia essas atividades do senador. E por uma razão elementar: os negócios de Renan eram clandestinos, irregulares, forjados de modo a manter o anonimato dos envolvidos.

“Para que isso fosse possível, a compra das emissoras de rádio e do jornal foi colocada em nome de laranjas, formalizada por meio de contratos de gaveta e paga com dinheiro vivo – às vezes em dólares, às vezes em reais. Tudo feito à margem da lei, com recursos de origem desconhecida, a participação de funcionários do Senado e, principalmente, visando a garantir que a identidade do verdadeiro dono, o senador Renan Calheiros, ficasse encoberta”, revelou o jornalista.

A reportagem mostrava que Renan não costumava usar usou banco, cheques ou transferências eletrônicas. A exemplo do que fez no caso do pagamento da pensão de sua filha, quando pediu o apoio de um lobista de empreiteira, nos negócios de comunicação ele, de novo, utilizava como tesoureiro um intermediário com envelopes cheios de dinheiro.

Dessa vez, o pagador das mensalidades foi o assessor legislativo Everaldo França Ferro, funcionário de confiança do gabinete do senador. O assessor fez entregas em dinheiro vivo que totalizaram 700 mil reais. Às vezes, pagava em dólares.

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FESTIVAL DE DENÚNCIAS

A imprensa devassou a vida financeira de Renan Calheiros, mostrando que tudo que ele fazia era irregular, por baixo do pano, até mesmo a compra e venda de gado e os negócios com um frigorífico eram mutretadas.

Houve uma sequência de denúncias sobre tráfico de influência, junto à empresa Schincariol, na compra de uma fábrica de bebidas, com recompensa milionária, sobre o uso de notas frias, em nome de empresas fantasmas, para comprovar seus rendimentos, sobre a montagem de um esquema de desvio de recursos públicos  em ministérios comandados pelo PMDB, e sobre a montagem de um esquema de espionagem contra senadores da oposição ao governo Lula.

Ao todo, houve seis representações no Conselho de Ética do Senado, pedindo a cassação de Renan Calheiros, que teve de abandonar a presidência so Senado.

Renan Calheiros teve de sair da presidência do Senado, ficou meses submergido. Consciente de que “a memória nacional só dura 15 dias”, como dizia o general Golbery do Coutto e Silva quando a ditadura entrava em algum escândalo, o enriquecido parlamentar ficou na encolha. Não foi investigado pela Receita, pela Polícia Federal ou pelo Ministério Público. Continua livre, leve e solto. E vai presidir novamente o Senado, com apoio irrestrito do governo e da bancada do PT. Ah, Brasil…

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