Primeiro, lutar pela democracia; depois, escolher realmente o melhor candidato nas eleições de 2022

Manifestação do dia 15 pode ser uma ameaça à democracia. Pense sobre isso.  | Carlos Sousa

Charge do Duke (O Tempo)

Sergio Fausto
Estadão

Faltando mais de um ano e meio para as eleições presidenciais, é cedo para discutir nomes. Mas não para traçar as grandes linhas de um programa que possa vir a ser apoiado no segundo turno por um amplo leque de forças democráticas, do centro-direita ao centro-esquerda. Ele deve espelhar o aprendizado coletivo que fizemos ao longo dos últimos 30 anos e projetar um futuro que nos permita voltar a ter esperança no Brasil.

Responsabilidade fiscal e responsabilidade social devem andar juntas. No Brasil, a segunda exige não apenas atenção à pobreza, mas também à desigualdade. No grau existente no Brasil, ela impede que seja internalizada em cada um e em todos nós a noção de pertencer a um mesmo corpo político, que nos assegure direitos e nos imponha responsabilidades.

NO MESMO BARCO – Precisamos sentir que estamos todos no mesmo barco e temos um destino comum, que nos faça responsáveis pelo bem-estar das gerações presentes e das que vêm por aí. Sem a generalização desse sentimento a Nação não tem futuro.

Não somos todos iguais e as identidades parciais devem ser reconhecidas e respeitadas. Quem teve menos vez e voz ao longo da História tem o direito de gritar para se fazer ouvir. É parte da luta pela construção da cidadania. Mas não podemos perder de vista o objetivo de alargar o espaço da nossa casa comum, em vez de compartimentá-la em lugares de fala incomunicáveis.

O sentimento de que estamos navegando no mesmo barco ou construindo a mesma casa precisa se materializar em compromisso firme com a solvência do Estado, o que implica ter regras fiscais que a assegurem, e com um regime de tributação e gastos públicos que responda à aspiração de criar uma sociedade mais justa em termos de distribuição da renda e oportunidades. Não devemos crescer para depois distribuir, mas sim crescer e distribuir, e faremos uma coisa e outra mais e melhor se cuidarmos de aumentar a eficiência e a produtividade no setor público e no setor privado.

IDÉIAS ULTRAPASSADAS – Outro aprendizado feito nos últimos 30 anos, vivendo a experiência do Brasil e olhando o mundo ao redor, é que a dicotomia mais Estado ou mais mercado nos mantém presos a ideias defuntas. Temos de nos libertar de esquemas ideológicos que bloqueiam a criação e o aprimoramento de sistemas de cooperação não apenas entre o setor público e o setor privado, mas também entre eles e a sociedade.

Um dos papéis fundamentais do Estado no século 21 será orquestrar esses sistemas de cooperação dentro e para além das fronteiras nacionais. As partituras não serão escritas por decreto e impostas de cima para baixo. Sistemas de cooperação têm de ser abertos à competição e submetidos à publicidade e avaliação para reduzir o risco de a cooperação virar um conluio contra os interesses mais amplos da sociedade. Diante da complexidade, interconectividade e velocidade das transformações tecnológicas e científicas e dos desafios de governança que delas derivam, não há Estado demiurgo ou mão invisível do mercado que dê conta do recado.

Nesse contexto, o Brasil pode aspirar a ter presença global em algumas áreas com grande potencial de criação de valor e bem-estar. Para tanto é fundamental produzir e disseminar ciência aqui dentro. E ter uma política externa que expresse interesses nacionais amplos, e não de partidos ou seitas políticas.

A QUESTÃO AMBIENTAL – Agronegócio e meio ambiente ou se harmonizam ou se destruirão mutuamente. Nenhuma outra atividade depende tão diretamente de um regime de chuvas regulado pela floresta úmida. A pressão em favor de padrões cada vez mais elevados de sustentabilidade socioambiental e sanidade dos alimentos não deve ser sentida como “exigências externas”. São uma obrigação do País consigo mesmo.

A soberania da Amazônia brasileira não está em questão. O desafio é exercê-la com responsabilidade em relação ao nosso futuro comum, com os brasileiros e habitantes de um só e mesmo planeta. São cada vez mais sólidas as evidências científicas de que a floresta está se aproximando de um ponto de não retorno, a partir do qual, em lugar de retirar e estocar dióxido de carbono, passa a emiti-lo. Virar as costas para a ciência é entregar-se aos azares das pandemias e das catástrofes climáticas.

O agro é muito importante, mas não é tudo. A necessidade de criação de renda e empregos de qualidade no Brasil ultrapassa em muito a capacidade do novo mundo rural, mesmo considerando todos os seus encadeamentos com os serviços e a indústria.

EMPREGOS URBANOS – É vital criar bons empregos nas maiores cidades e ligá-los à melhoria das condições de vida e convivência nos centros urbanos. Deve-se experimentar e inovar na concepção e implementação de políticas com essa finalidade, com maior consulta à sociedade e mais intensa participação dos cidadãos. As cidades são espaços propícios ao encurtamento da distância entre o mundo oficial e o universo da cidadania.

Acima de tudo e de todos, democracia. Não apenas porque seja melhor do que todas as alternativas conhecidas, mas principalmente porque é a única que nos permite continuar a ter a liberdade para construir um país melhor. Escolher o melhor candidato é o passo seguinte.

10 thoughts on “Primeiro, lutar pela democracia; depois, escolher realmente o melhor candidato nas eleições de 2022

  1. Falou muito mas não falou o essencial. Estamos nesta sinuca de bico pq muitas forças se uniram para conseguir a “alternância” do poder na marra!
    Desde 2006 vem sendo construída uma narrativa anti petista. Todo o mal do mundo vem do PT, e por aí vai….
    Finalmente conseguiram. Deram o golpe na Dilma e bloquearam o Lula. Agora falam aos 4 ventos contra Bolsonaro. Ele apenas é o fruto gerado.
    Enquanto o erro não for assumido, não haverá solução.

    • O maior escândalo de corrupção da história da humanidade e o Sr.fala em “alternância de poder na marra, golpe e bloqueio”?E os 4 bilhões que foram devolvidos, nada?roubalheira na Petrobrás?Obras superfaturadas, planilhas e software da Odebrecht?Gerente devolvendo 100 milhões?Quer mais, a lista é infindável, a petralhada na sanha pelo poder, cavou o próprio túmulo, Lula já era, faz parte do passado, será lembrado da pior forma possível.

  2. Nós diríamos, Primeiro lutar pelo APERFEIÇOAMENTO de nossa Democracia, porque a atual é muito imperfeita.
    O POVO vive dizendo:” Vocês Não nos Representam”, e estão Certos.

    A tal ponto isso é verdade que a “Ditabranda de 64” melhorou o Padrão de Vida Médio do POVO (crescimento médio do PIB de 7,5%aa, enquanto a atual Democracia de 1985 em diante praticamente estagnou o Padrão de Vida Médio do POVO com pífio crescimento médio do PIB de 2,8%aa até agora.

    E deveríamos começar pelos Municípios, no início só os Municípios, para testar:

    1- Distritalização pura para a escolha dos Vereadores para melhorar a REPRESENTAÇÃO.
    2- Voto FACULTATIVO.
    3- Possibilidade de Candidatos INDEPENDENTES mediante certas Condições.
    4- Criar um Mecanismo de Re-Call do Mandato quando 20% do Eleitorado assinar uma Petição.
    5- Voto em Máquinas que permitam RECONTAGEM em casos de dúvida.

    Mas para a maioria da Classe Política que está aí, para boa parte da Imprensa, etc, isto não interessa, e se o POVO não exigir, NADA FEITO.

  3. Primeiro: lutar pela Democracia pegando em armas; segundo: fuzilamento em massa,limpando o Br desta secular e inoperante classe dominante. Exemplos: Guerra de seceção Americana, Revoluçao Francesa, RevoluçãoRussa e Revolução Chinesa.

  4. A MINHA MISSÃO é resolver o nosso Brasilzão para os próximos 500 anos, com Deus na Causa, e é nesse sentido que o Leão ruge, e o tempo tb urge, de modo que, nesse sentido, a tarefa de todos nós, aqui, agora e doravante, juntos e misturados, é empurrarmos o país para frente, para o futuro, promissor, alvissareiro, reinventado, e, até por isso, o Leão não tem mais velas para gastar com defuntos ruins e nem mais tempo a perder com aqueles e aquelas que teimam em puxar o Brasil ora para a direita, ora para a esquerda e ora para o centro, mantendo-o assim como uma espécie de troféu de um jogo inútil de perda de tempo versus tempo perdido, protagonizado pela direita, esquerda e centro, à paisana e fardados. NESSE SENTIDO, gostei da última parte da entrevista do Ministro Augusto Heleno que, ao que parece, jogou a toalha, rendeu-se à minha luta de cerca de 30 anos, e ao nosso discurso, entendeu que urge baixar a bola, acabarmos com os radicalismos, as polarizações inúteis e a guerra tribal, primitiva, permanente e insana entre o militarismo e o partidarismo, politiqueiro$, e seus tentáculos, velhaco$, por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, à moda todos os bônus para ele$ e o resto que se dane com os ônus, que tanto mal faz ao país e ao povo, e, doravante, ouvir a voz da razão, do bom senso e da boa solução para a política , o país e a população, com Democracia Direta e Meritocracia, como propõe a RPL-PNBC-DD-ME, o Projeto Novo e Alternativo de Política e de Nação, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso, alicerçado na paz, no amor, no perdão, na conciliação, na união e na mobilização pela mega-solução com foco no sucesso pleno do bem comum do conjunto da população, de olho no IDH número 1 do Planeta Terra. E por ai, caso esteja sendo sincero, não obstante sentado no colo do centrão, face ao qual parodiou Bezerra da Silva, à moda ” se gritar pega ladrão…”, é possível sim estabelecer-se o Diálogo Nacional, todos juntos e misturados, no sentido de responder a pergunta que desde Junho de 2013 não quer calar e que é a seguinte: o quê fazer com o nosso Brasilzão, doravante, de modo a torná-lo melhor para todos e todas ? https://www.facebook.com/conservadoressergipe/videos/411666593263963

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