Principal crítico da União Européia diz que não há alternativa: a única solução é acabar logo com o euro.

Carlos Newton

Em entrevista coletiva em Edimburgo, na Escócia, da qual participou o repórter Aguinaldo Marinheiro, da Folha de S. Paulo, o historiador Niall Ferguson, professor da Universidade de Harvard, afirma que a Europa precisa agir rápido: acabar com a união monetária para salvar a União Européia.

Autor do livro “Civilization: The West and the Rest” (Civilização, o Ocidente e o Resto), Ferguson, que sempre foi um crítico do uso de uma moeda única na União Européia,  já previa em 2000, logo após a adoção do euro, que a moeda comum não duraria dez anos, porque as enormes diferenças entre os países causariam o colapso do sistema.

“Há duas opções para a Europa hoje, ou se transformar numa federação, como os Estados Unidos, ou abandonar essa ideia de moeda única. Mas não há vontade política para a federação. Estamos muito próximos de uma crise enorme. Os mercados já se voltaram para países como Itália e Espanha. Não faz sentido manter uma política de moeda única se você questionar a participação desses países”, assinalou.

Em seguida, respondendo se não seria possível excluir países da União Europeia e salvar a moeda, reafirmou que não há opção. “É preciso acabar com a moeda única para salvar a UE. Não há outra solução. A Grécia não vai ser competitiva com a mesma política monetária da Alemanha. Portugal também não. Há seis meses, ainda era possível manter o euro e excluir da União Europeia um país ou outro. Mas essa solução foi sendo adiada e hoje não é mais uma opção”, destacou, lamentando que os governantes europeus em Bruxelas (sede da UE) e em Frankfurt (sede do Banco Central Europeu) continuem a negar a realidade.

Quando ao problema do déficit nos Estados Unidos, disse que a discussão sobre um possível calote norte-americano é estúpida. “Entramos num território muito perigoso quando encontramos na mesma manchete de jornal os termos EUA e calote. Mesmo com o enorme problema fiscal dos EUA, não devemos falar de calote nesse momento. É incrível que os republicanos tenham ficado tão doutrinários que não queiram nem sequer discutir o fim de buracos no sistema tributário e nas despesas do país para reduzir o déficit. Para quem não tem um cérebro histérico, essa ideia de calote nos Estados Unidos é chocante”, concluiu Ferguson.

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