Prisão dos mensaleiros fica para a semana que vem…

Ricardo Brito
Estadão

O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou nesta quinta-feira, 14, a sessão sem ter definido quando começa o cumprimento das penas dos condenados do mensalão. O presidente do STF e relator do processo, Joaquim Barbosa, não levou para aprovação dos demais colegas em plenário as informações sobre a decisão da véspera, que numa sessão confusa, aprovou a execução imediata das punições. Dessa forma, os condenados só devem ser presos na próxima semana, após o feriado de sexta-feira, 15, da Proclamação da República.

Joaquim Barbosa passou boa parte da sessão desta quarta-feira fora da cadeira da presidência da Corte, ocupada interinamente pelo ministro Ricardo Lewandowski. Barbosa se declarou suspeito de votar em um processo que avaliava a incorporação de vantagens por juízes antes de eles ingressarem na magistratura. Ele nem sequer ficou no plenário durante a análise desse caso.

No retorno do intervalo, apesar da expectativa de que finalmente o caso do mensalão seria debatido, Joaquim Barbosa também não voltou ao plenário. Desde cedo, o relator do mensalão determinou a sua equipe passar um pente fino para fechar, a partir da decisão de ontem do Supremo, quais condenados terão de cumprir imediatamente a pena. Não se sabia se uma lista seria divulgada ainda hoje.

Extraoficialmente, 11 condenados devem ir para a prisão nos próximos dias. Entre eles, o ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente do PT e deputado federal José Genoino (SP) e o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares.

DIRCEU PASSA FERIADÃO NA BAHIA

Enquanto o Supremo Tribunal Federal definia o destino de 21 dos acusados no processo do mensalão, o ex-ministro José Dirceu descansava com a família na região de Itacaré, no litoral sul da Bahia. Veja o vídeo aqui.

 Dirceu chegou ao local na última segunda-feira, 11, e deve permanecer durante o feriado do dia 15. A região abriga hotéis de luxo e residências de alto padrão.

A única forma de acesso é por uma rodovia estadual. Para se chegar à localidade é preciso atravessar um ramal de estrada de chão batido por onde circulam apenas pessoas autorizadas. Ninguém entra no local sem passar pelos seguranças.

As praias são praticamente privativas. A região é protegida por reservas de mata atlântica e é praticamente impossível se chegar pela areia.

5 thoughts on “Prisão dos mensaleiros fica para a semana que vem…

  1. O vinho amargo que será tomado para festejar a prisão de Dirceu

    Colunistas da mídia estão festejando com sua habitual hipocrisia estridente a decisão do Supremo de ontem de mandar prender boa parte dos réus.

    Dirceu preso era o sonho menos deles do que de seus patrões.

    Num momento particularmente abjeto da história da imprensa brasileira, dois colunistas chegaram a apostar um vinho em torno da prisão, ou não, de Dirceu.

    Você vai ler na mídia intermináveis elogios aos heróis togados, aspas, comandados pelo já folclórico Joaquim Barbosa.

    Mas um olhar mais profundo, e menos viciado, mostra que o Mensalão representou, na verdade, uma derrota para a elite predadora que luta ferozmente para conservar seus privilégios e manter o Brasil como um dos campeões de desigualdade social.

    Por que derrota, se a foto de Dirceu na cadeia vai estar nas manchetes?

    Porque o que se desejava era muito mais que isso. O Mensalão foi a maneira que o chamado 1% encontrou para repetir o que fizera em 1954 com Getúlio e 1964 com João Goulart.

    Numa palavra, retomar o poder por outra via que não a das urnas. A direita brasileira, na falta de votos, procura incansavelmente outras maneiras de tomar posse do Estado – e dos cofres do BNDES, e das mamatas proporcionadas por presidentes serviçais etc etc.

    A palavra mágica é, sempre, “corrupção” – embora nada mais corrupto e mais corruptor que a direita brasileira. Sua voz, a Globo, sonegou apenas num caso 1 bilhão de reais numa trapaça em que tratou a compra dos direitos de transmissão de uma Copa como se fosse um investimento no exterior.

    Foi assim como o “Mar de Lama” inventado contra Getúlio, em 1954. Foi assim com Jango, dez anos depois, alvo do mesmo tipo de acusação sórdida e mentirosa.

    E foi assim agora.

    Por que o uso repetido da “corrupção” como forma de dar um golpe? Porque, ao longo da história, funcionou.

    O extrato mais reacionário da classe média sempre foi extraordinariamente suscetível a ser engabelado em campanhas em nome do combate – cínico, descarado, oportunista – à corrupção.

    A mídia – em 54, 64 e agora – faz o seguinte. Ignora a real corrupção a seu redor. Ao mesmo tempo, manipula e amplia, ou simplesmente inventa, corrupção em seus adversários.

    Agora mesmo: no calor da roubalheira de um grupo nascido e crescido nas gestões de Serra e Kassab na prefeitura, o foco vai se desviando para Haddad. Serra é poupado, assim como em outro escândalo monumental, o do metrô de São Paulo.

    Voltemos um pouco.

    A emenda que permitiu a reeleição de FHC passou porque foi comprado apoio para ela, como é amplamente sabido. Congressistas receberam 200 000 reais em dinheiro da época – multiplique isso por algumas vezes para saber o valor de hoje — para aprová-la.

    Mas isso não é notícia. Isso não é corrupção, segundo a lógica da mídia.

    O caso do Mensalão emergiu para que terminasse como ocorreu em 1954 e 1964: com a derrubada de quem foi eleito democraticamente sob o verniz da “luta contra a corrupção”.

    Mas a meta não foi alcançada – e isso é uma extraordinária vitória para a sociedade brasileira. No conjunto, ela não se deixou enganar mais uma vez.

    O sonho de impeachment da direita fracassou. Ruiu também a esperança de que nas urnas, sob a influência do noticiário massacrante, os eleitores votassem nos amigos do 1%: Serra conseguiu perder São Paulo para Haddad, um desconhecido.

    O que a voz rouca das ruas disse foi: estão tentando bater minha carteira com esse noticiário.

    O brasileiro acordou. Ele sabe que o que a Globo — ou a Veja, ou a Folha – quer é bom para ela, ou elas, como mostram as listas de bilionários brasileiros, dominadas pelas famílias da mídia. Mas não é bom para a sociedade.

    E por estar acordado o brasileiro impediu que o Mensalão desse no que o 1% queria – num golpe.

    Por isso, o vinho que será tomado pela prisão de Dirceu será extremamente amargo.

  2. A pena a ser cumprida pelo José Dirceu devia a ser a máxima por reclusão SEM DIREITO A LIVRAMENTO CONDICIONAL, porque, no caso específico desse condenado, muitos morreram, foram cruelmente torturados e tiveram a vida destruída por contribuírem direta ou indiretamente com sua libertação durante a ditadura militar. Ele os desonrou duplamente. Foi um corrupto no exercício do importante cargo público que ocupou e foi um dos maiores responsáveis pela sabotagem aos direitos das vítimas da ditadura quando ocupou a Casa Civil da presidência da República, período em que muitos de seus contemporâneos de ideais morreram na miséria SEM AUFERIR DIREITOS CONSTITUCIONAIS.

  3. o resultado desse julgamento mostra que o crime.nesse pais.compensa se não vejamos:o verdadeiro chefe nunca foi incomodado.ninguem foi condenado por formação de quadrilha, as penas são frouxas falta o principal:como e quando será devolvido o dinheiro roubado do povo????

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