Processo de aniquilamento da Síria é similar à tragédia da Líbia.

Roberto Nascimento

Os árabes já dominaram o mundo. Não podemos esquecer que a civilização começou lá, com os povos nômades. A ciência, a matemática, o poder do Egito sobre o mundo, aquela região no passado foi muito próspera.

Entretanto, o mundo funciona como uma senóide, altos e baixos. O Império Romano ruiu e a Itália hoje o que é? A vida muda, sim e muito. Hoje sou senhor, amanhã serei escravo. Muita gente morrerá sem saber dessas mudanças, pois elas demoram séculos.

Quanto à Síria, o processo é similar à tragédia da Líbia. Financiamento das potências ocidentais aos insurgentes, inicialmente de Benghasi, com armas e treinamento militar, apesar de ingleses e franceses negarem com veemência o fato.

Ocorre que, ao derrubarem as autocracias medievais, que começavam a incomodar europeus e americanos, por isso a ordem para derrubada dos ditadores eternos até que a morte advenha, um dado não esperado começa a aparecer: os muçulmanos fundamentalistas começam a tomar conta das estruturas destruídas pela guerra.

No caso da Líbia, os bombardeios da OTAN destruíram toda a infraestrutura da capital Trípoli. Entretanto, as refinarias de petróleo foram preservadas. A razão principal é o óleo negro, fundamental e vital para a segurança da maior nação do planeta.

Definitivamente, a razão humanitária, a falta de liberdade, a opressão dos ditadores e outras mentiras do gênero não foram às causas da entrada das potências nos conflitos da primavera árabe. São razões econômicas e sociais sempre na frente das guerras que matam a esperança dos povos. Crianças, idosos e mulheres são as vidas que vão embora em maior número, pois indefesas, diante dos mísseis e bombas “inteligentes”.

A paz não interessa àqueles países dependentes do complexo industrial militar. Por essa razão, o mundo nunca deixou de estar em guerra. Depois da Segunda Grande Guerra optaram pelas guerras localizadas.

A Síria está sendo desestabilizada porque interessa aos seus vizinhos a derrubada de Bashar al Saad e o fim do controle dos sunitas na região. No Oriente Médio a religião, a política, e o uso irracional das riquezas oriundas das exportações de petróleo impedem o progresso daquele povo fantástico.

É preciso instalar na região os fundamentos do Renascimento Científico e Cultural. Mas, quem somos nós para dar lições a quem quer que seja. Será que nós, os povos ocidentais, estamos com a última palavra em termos do que é o melhor para se viver?

 

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