Procurador-geral demorou 4 anos para abrir inquérito e será o primeiro a se explicar na CPI do Cachoeira

Carlos Newton

Os senadores e deputados que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito mista do caso Cachoeira não aceitam a desculpa de que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, estaria impedido de prestar depoimento.  Ele vão insistir na convocação dele, antes de ouvirem políticos e empresários. Motivo: mesmo de posse das informações realmente conclusivas, o procurador-geral Roberto Gurgel demorou quatro anos para pedir a abertura do inquérito contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

O discurso oficial é de que é preciso obter informações sobre as operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, que culminaram na prisão de Cachoeira. Mas é claro que a base aliada pedirá explicações a Gurgel sobre essa demora de quatro anos até  abrir o inquérito contra o parlamentar goiano.

Há praticamente consenso na CPI quanto ao procurador, porque tanto a base aliada quanto a oposição enxergam em Gurgel um elemento menos explosivo para ambas as partes. Mas há controvérsias, como dizia o humorista Francisco Milani, porque, ao sentar-se na cadeira de depoente, o procurador-geral da República será o centro do cabo de guerra político travado entre oposicionistas e governistas.

“O procurador apresenta muito mais risco para a base aliada, sobretudo porque Demóstenes, da oposição, já está sangrando. Quem garante que as declarações de Roberto Gurgel não vão obrigar a investigação a escolher o Palácio do Planalto como seu norte?”, avaliou um líder governista à repórter Junia Gama.

Tudo é possível, não há dúvida.

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