Procurador Gurgel pensa (?) que escapou da CPI, mas pode estar enganado.

Carlos Newton

Nada como um dia após o outro. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, achava que tinha escapado de depor na CPI do Cachoeira. Como se sabe, Gurgel recusou um convite para falar do caso na CPI. Disse estar impedido de prestar depoimento na comissão porque não pode se tornar testemunha no processo.

Ocorre que ninguém ficou satisfeito com a desculpa. E hoje, com apoio do Palácio do Planalto, os deputados e senadores governistas da CPI do Cachoeira farão nova ofensiva na tentativa de levar o procurador a prestar depoimento na investigação parlamentar. E desta vez há integrantes da comissão estão prontos para convocá-lo, o que deve ocorrer em breve.

Nos bastidores, ministros e petistas questionam o fato de Roberto Gurgel não ter aberto nenhum procedimento contra o senador Demóstenes Torres em 2009, ano em que recebeu o inquérito da operação Vegas da Polícia Federal. O fato é que o procurador não fez a denúncia nem pediu novas diligências à PF para elucidar a participação do senador.

A operação Monte Carlo, que desmantelou o esquema Cachoeira no início deste ano e prendeu 34 envolvidos, é justamente um desdobramento da Vegas. Segundo a Folha apurou, a operação conta com o aval do governo que, assim como o PT, reprova a conduta do procurador.

Gurgel alegou à CPI que  em 2009 não havia elementos suficientes para levar o caso adiante. E saiu buscando apoio de parlamentares da oposição para tentar barrar a pressão da bancada governista. Ainda segundo a Folha, o procurador-geral teme o que classifica como estratégia do PT de usar a CPI como instrumento para tentar constrangê-lo. Seria uma retaliação contra a atuação dele no processo do mensalão, que deve ser julgado neste ano pelo Supremo Tribunal Federal.

A assessoria técnica da CPI explica que, mesmo que convocado, Gurgel pode recorrer ao Supremo para não ter de comparecer à comissão. Traduzindo tudo isso: Gurgel tem de se assumir como procurador e se tornar independente. É isso que o país necessita dele. Mas não tem o perfil para fazer a coisa certa. Já inocentou Palocci, pode inocentar qualquer um.

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