Procurador sai de fininho e consegue escapar da CPI do Cachoeira.

Carlos Newton

A solução era boa. A CPI do Cachoeira queria realizar sessões secretas para ouvir o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e delegados da Polícia Federal que participaram das operações Monte Carlo e Las Vegas, que investigam as relações do empresário-contraventor Carlos Cachoeira com políticos e autoridades de todo tipo.

Responsável pelo inquérito sobre o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e que mostra as relações de Cachoeira, o procurador-geral era alvo de requerimentos para prestar esclarecimentos a deputados e senadores sobre o caso. Mas tentava escapar da CPI, alegando que existiria “impedimento legal” que o impediria de depor.

O presidente da comissão, senador Vital do Rego (PMDB-PB), e o relator, Odair Cunha (PT-MG), então cometeram um erro estratégico: foram visitar Gurgel, para fazer o convite pessoalmente, e o procurador deu uma volta neles, como se diz na gíria. Alegou que, se prestasse depoimento à CPI, não poderia mais atuar no processo.

Os parlamentares se deram por satisfeitos, foram enrolados, e o procurador escapou de explicar por que conhecia a investigação e demorou quatro anos para abrir o inquérito, somente tomando essa providência depois que as informações vazaram. Ele alegou que no início do caso, em 2009, quando teve acesso ao material referente à Operação Las Vegas, fez uma avaliação preliminar e verificou que os elementos não eram suficientes para qualquer iniciativa no âmbito do Supremo Tribunal Federal.

Sua justificativa de que somente agora as provas são suficientes para tomar essa iniciativa são patéticas, mas o comando da CPI se deu por satisfeito. Os parlamentares deveriam ter se lembrado de que o mesmo Gurgel, no caso de Palocci, inocentou o ministro, alegando não haver provas contra ele. Gurgel tomou esta decisão num dia, e no outro dia Palocci estava demitido.

 

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