Procurador teme que Caixa apague gravações sobre ‘pedaladas’

Vera Magalhães
Folha

O procurador da República Julio Oliveira, que atua junto ao TCU (Tribunal de Contas da União), requisitou à Caixa Econômica Federal atas e áudios de reuniões do Conselho de Administração em que foram discutidas as “pedaladas” fiscais, atrasos de pagamentos de benefícios sociais pelo Tesouro para melhorar as contas públicas. A intenção é verificar a informação de que conselheiros se opunham sistematicamente à prática, alvo de processo no tribunal.

Se comprovada a objeção do conselho às “pedaladas”, ficará comprometida a tese de defesa do governo, de que o expediente era corriqueiro mesmo antes da gestão Dilma Rousseff, e nunca foi questionado.

O procurador junto ao TCU teme que a CEF alegue que as gravações das reuniões do conselho não são guardadas. Por isso pedirá também o registro por escrito das sessões.

ESTATAIS

Depois do recuo sobre a proposta de sabatina de presidentes de empresas públicas, o Senado estuda incluir na Lei de Responsabilidade das Estatais mecanismo que permita que o Congresso dê um “voto de desconfiança” aos dirigentes que não cumprirem metas.

Os senadores vão analisar se, nesse caso, a lei deve prever a demissão imediata da diretoria. As metas das empresas seriam estabelecidas em contratos de gestão que seriam fiscalizados pelo Senado.

E sem alarde, o Congresso criou comissão que vai regulamentar mais de 140 dispositivos da Constituição, como direito de greve no setor público e tipificação do terrorismo. O presidente é o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) e terá como relator o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO temor do procurador é procedente. Na Petrobras as gravações das reuniões do Conselho Administrativo no tempo de Dilma Rousseff foram todas apagadas, para destruir provas da participação ativa dela na compra da refinaria de Pasadena. Na Caixa, presidida por Miriam Belchior, a mesma cena pode se repetir. (C.N.)

3 thoughts on “Procurador teme que Caixa apague gravações sobre ‘pedaladas’

  1. Me engana, que eu gosto. Luiz Sergio e Romero Jucá criando alguma dificuldade para o governo? Só se for no
    pais do papai noel ou coelhinho da pascoa.
    Um é petralha de carteirinha, o outro é governista, desde que foi inventado alguma forma de autoridade pública. O que vai acontecer? Mais encargos para os cidadãos, ou seja, o governo obterá novas vantagens no
    relacionamento com o povo.
    Esta tudo dominado, nós somos os mais novos exemplares de “servos da gleba”. Devemos trabalhar cada vez mais para que o governo tenha recursos para esbanjar, no pais e principalmente no exterior.
    A inflação e os juros, já estão nas nuvens. Logo o PT terá de recriar o plano CRUZADO, do amigo Sarney.

  2. Antigamente, no tempo da Decência, Dignidade, Moral e Ética, essa história de apagar arquivos era coisa errada … mas hoje … pode tudo … principalmente nos mais altos escalões … nóis periferia continuamos lascados…

  3. A Constituição de 1988 está fazendo vinte e sete anos e grande parte dos seus dispositivos não foi regulamentada até hoje por inoperância ou desinteresse do Congresso, que só se manifesta na hora de propor emendas para “quebrar galhos” e resolver questões isoladas do interesse deles quando o Supremo julga inconstitucional alguma iniciativa dos parlamentares. Agora de repente, dentro da maior crise de governabilidade dos últimos tempos, o partido governista cria uma comissão para regulamentar a toque de caixa 140 dispositivos da Carta Magna? Cheira muito, mas muito mal mesmo.

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