Procurador tornou inevitável uma resposta concreta do governo

Rodrigo Janot colocou o governo em xeque-mate

Pedro do Coutto

Com o pronunciamento que fez na abertura da Conferência Internacional de Combate à Corrupção, o procurador Geral da República, Rodrigo Janot, tornou inevitável uma resposta concreta do governo quanto ao prosseguimento e o desfecho do inquérito sobre a corrupção que invadiu a Petrobrás. O episódio foi muito bem focalizado na reportagem de Chico de Góis e Eduardo Bresciani, manchete principal da edição do ontem, 10, de O Globo. Em outra reportagem, esta de Bresciani com Vinicius Sassine e Cleide Carvalho, foi destacado o indiciamento, pela Polícia Federal, de doze executivos de empresas empreiteiras.

O panorama político se complicou, a pressão contra os corruptos e corruptores subiu. Não pelo fato de Janot ter proposto a substituição da atual diretoria da estatal, perspectiva rebatida pela presidente Dilma Rousseff, por intermédio do ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, mas sim pelo aprofundamento da questão. Atingiu um ponto crítico super-elevado, na medida em que o Procurador Geral defendeu de modo absoluto a punição dos que assaltaram a Petrobrás.

Foi um reconhecimento público, dirigido à opinião pública, a respeito da série de crimes praticados. Se o Procurador destaca a existência do crime de assalto contra a principal empresa brasileira, os acusados, denunciados e qualificados, têm que ser levados a julgamento. Rodrigo Janot antecipou as denúncias que vai apresentar à Justiça.

CONFISSÕES

Seu pronunciamento não pode ser traduzido de outra forma. O governo terá de se pronunciar efetivamente nesse sentido, da mesma maneira, e com a mesma intensidade com que defendeu a atual direção da Petrobrás. Isso porque os acusados sequer poderão negar: haja vista a confissão formalizada por dois ex-integrantes do quadro executivo da empresa. Paulo Roberto Costa e Pedro Arbusco, inclusive, já se prontificaram a devolver mais de 120 milhões de dólares, montante do qual ambos se beneficiariam pela participação em negócios ilícitos que geraram comissões enormes.

Cabe a pergunta: em tais operações quanto lucraram as empresas que participaram da trama? Se o dinheiro existe no exterior é porque saiu de algum lugar. Claro que dos cofres da Petrobrás. Evidência maior não pode existir.

Com base nesse aspecto, torna-se evidente que o inquérito em curso é um caminho sem volta. O governo tem de seguir em frente e, como disse em artigo anterior, dar uma explicação à opinião pública. A qual, no momento, não envolve apenas a sociedade brasileira, mas a esfera internacional, não só pela ação judicial proposta nos Estados Unidos, mas sobretudo pelo fato de Rodrigo Janot ter discursado na instalação, em nosso país, da Conferência Internacional de Combate à Corrupção.

NA BAGAGEM

Portanto, os participantes vão levar na bagagem uma forte e frontal exposição do chefe do Ministério Público sobre escândalos de corrupção ocorridos no Brasil. Janot, de outro lado, forneceu argumentos para que o escritório de advocacia dos Estados Unidos tenha a ação que propõe aceita pela Justiça americana. Pois se o Procurador Geral do Brasil destaca, com rara ênfase, a existência de crimes ocorridos em administrações da Petrobrás, com isso, ele mobilizou o processo judicial brasileiro e ampliou a repercussão dos fatos no mundo.

11 thoughts on “Procurador tornou inevitável uma resposta concreta do governo

  1. Caro Pedro Couto, belo comentário.
    Aida veremos os grandes grupos de Comunicação do país, regiamente pagos pelo Governo Federal, com verba pública, para veicular propaganda desnecessária de estatais, como a Petrobras, o BB, a CEF, a Eletrobras – entre outros órgãos -, e serem passíveis de investigação por provável lavagem de dinheiro? O montante depositado nas contas desses grupos é astronômico. Os “anúncios” não estariam com sobrepreço?
    Poderia existir alguma afinidade de interesses, dado ao vergonhoso silêncio obsequioso dos meios de comunicação desses grupos, atuando como um manto protetor dos “malfeitos” da administração petista, notadamente nestes últimos oito anos? Não estaria aí mais uma máquina de lavar dinheiro sujo?
    Deixo à consideração dos comentaristas qualificados deste Tribuna da Internet os questionamentos acima.

  2. Muito bem J.Falavigna F.
    Perfeito seu comentário.

    Quanto dinheiro gasto com publicidade de estatais. DESNECESSARIAMENTE.
    Maracutáias e desrespeito total ao brasileiro contribuinte.
    Dinheiro que poderia e deveria ser usado na saúde, educação, etc., etc.,
    como prometem nas campanhas políticas.
    Lembrando uma composição do Juca Chaves : ”Brasil terra adorada, QUE PALHAÇADA !

  3. E fica a eterna pergunta: Se uma pessoa do 2.º/3.º escalão vai devolver U$ 100, quanto não teria levado o 1.º ? Esse tipo de coisa não se faz sem o conhecimento dele, pois somente o Paulo Costa operava 1.832 contas bancárias sendo 1.716 delas no Banco do Brasil.

  4. E, se o Procurador Geral da República assim não agisse seria conivente com os criminosos que assaltaram a Petrobrás.
    Agora, julgá-los e condená-los, é outra história!
    No entanto, a dificuldade que a presidente Dilma arquitetar contra a prisão desses meliantes, impedindo por meios os mais sórdidos que a Justiça seja feita, ela estará confessando a sua participação neste episódio dantesco à vida nacional.
    Dilma tem duas opções, a meu ver:
    A primeira, que lhe colocaria no patamar de uma mulher séria, honesta, honrada, seria a RENÚNCIA;
    A segunda, se permanecer na sua explicação ridícula de que nada sabia ser condenada, no mínimo, por negligência e crime de responsabilidade, e ter de apear do poder de forma humilhante!

  5. Rodrigo Janot colocou o governo em xeque-mate.
    Conversa para boi dormir.Ele só jogou palavras ao vento.
    Quem manda no Brasil é o PT (leia-se Lula).

  6. Difícil, sr. Pedro do Coutto, muito difícil. A digníssima refraudada teria de acusar-se a si própria e a seu padrinho, ambos mentores máximos do escândalo. E, talvez, devolver grana grossa.

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