Produção recorde de jabuticabas faz do Brasil o país mais surrealista do mundo

Nani Humor: Impunidade

Charge do Nani (nanihumor.com

Francisco Moreno

Estava na janela vendo a banda passar quando de repente me vi invejando o escritor José Mauro de Vasconcelos e também quis ter um pé de fruta para chamar de meu, mas como tenho pouca inspiração, fui buscar auxílio na batida frase do saudoso ministro Mário Henrique Simonsen “Se só tem no Brasil e não é jabuticaba, é besteira…”.

Então, vamos começar a colher nossas frutinhas e experimentar as mais doces. Há muitas por exemplo, no pomar sindical.

QUASE 17 MIL – A pesquisa mais recente diz que existem no Brasil 16.431 sindicatos, dos quais 11.257 de trabalhadores e 5.174 patronais. São muitos? Não sei, vamos ver os dados de outros países para comparação, podemos estar errados, quem sabe não é uma jabuticaba e e sim uma melancia?

Reino Unido, berço do sindicalismo, 168 sindicatos, é isso mesmo!; Estados Unidos, sindicalismo mais forte do mundo, 190 entidades; Argentina, só 93 sindicatos; Alemanha, potência industrial da União Europeia, uns dos países com mais igualdade social e menos conflitos trabalhistas, tem, apenas 8 sindicatos. Não, não estou doido nem errado, são apenas 8 sindicatos.

ESTÁ NA BÍBLIA – “Com o suor de teu rosto, comerás o teu pão…”, diz Gênesis 3:10. Mas isso só valeu até aparecerem os sindicalistas e mudarem a sentença: “Com o suor dos companheiros comerei o pão, a mortadela, o churrasco de domingo, pagarei a prestação do carro, aquela viagem a Buenos Aires, a academia da patroa e tudo para sempre, sempre. Isso se não virar político”

Essa jabuticaba, que vingou e amadureceu graças ao fértil solo brasileiro adubado com o imposto sindical, adoça e seduz as pessoas, nunca vi um sindicalista voltar para o chão da fábrica.

E a paixão pelo Direito também não seria uma de nossas jabuticabas? Com toda certeza, essa fruta é uma suculenta amostra do nosso prestígio jurídico, cívico e moral no mundo, pois detemos o recorde absoluto no número de estabelecimentos de ensino superior voltados à formação de advogados, são, simplesmente, 1.670 cursos superiores de Direito.

SEM COMPARAÇÃO – Entre advogados e só bacharéis, que não passaram no exame da Ordem, a cada cem cidadãos brasileiros há um profissional do Direito. Esses dados monumentais justificam o Brasil como o paradigma da Justiça, social, cível e criminal, já o primo pobre do Norte…

Fico até constrangido de fazer uma comparação com os Estados Unidos. O país, talvez, devido ao seu deficiente sistema de educação e má administração dos escassos recursos, só possui 693 faculdades de Direito, menos da metade da produção brasileira.

Considerando que no resto do mundo, incluindo os EUA, há menos de 1.200 faculdades, podemos entender que, no quesito, a nossa jabuticaba é imbatível, o que torna inexplicável que sejamos campeões em direitos desrespeitados e bandidos soltos.

JUSTIÇA ELEITORAL – Com funções de planejamento, organização, execução, fiscalização e julgamento, a Justiça Eleitoral brasileira e seu Tribunal Superior, criado pela Constituição de 1946, são únicos no mundo, talvez com exceção de uma imitação bem limitada em Costa Rica. Sendo assim, é jabuticaba absoluta, o que muito nos orgulharia, não fossem alguns poréns.

Por exemplo, já que teoricamente deveria funcionar só a cada dois anos, idealizou-se que utilizaria a estrutura do Poder Judiciário, física e pessoal, requisitando-se do Executivo os reforços, nas duas modalidades, que se tornassem necessários e assim funcionou alguns anos. Até que, no embalo da Constituinte de 88, o tsunami de direitos deu asas à imaginação progressista dos próceres do Judiciário.

A partir daí, passou-se à construção de sedes suntuosas e também à contratação de funcionários de alto nível com salários “marajás” e direito a três meses de descanso a cada ano, pelo que nós, os de sempre, pagamos R$ 5,5 bilhões, valores de 2019, ano em que nem houve eleição. Sua existência é justificada para anulação do poder econômico e redução a zero da possibilidade de caixa 2, realmente uma grande piada.

19 thoughts on “Produção recorde de jabuticabas faz do Brasil o país mais surrealista do mundo

  1. Abaixo as ditaduras, partidária, militar, sindical, midiática, econômica, criminal e milicianas. DEUS NÃO É SÁDICO, Ele é apenas caprichoso. A realidade, às vezes, copia a ficção. No Brasil, há décadas, a história instigou alguém a esculpiu-lhe um sapato sob medida para ser usado a qualquer momento no tempo e no espaço. O fato é que alguém entendeu os sinais e esculpiu o tal sapato encomendado pela história, e, há cerca de 30 anos, descalça, a História do Brasil procura desesperadamente o sapato encomendado e que lhe fora confeccionado sob medida, como o príncipe da fábula buscou desesperadamente a sua “Gata Borralheira”, no caso do Brasil o Gato Borralheiro, ou Cinderelo, e o sapato especial, extraordinário, que atendem pelos nomes LORIAGA LEÃO e RPL-PNBC-DD-ME, o megaprojeto novo e alternativo de política e de nação, a Terceira Via de Verdade, a Nova Política de verdade, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso. E tudo leva a crer que a História não sossegará enquanto não encontrá-los, o sapato feito sob medida e o seu artífice, o Cinderelo, de modo que de nada adianta e nem adiantará a forçação de barra da turma do continuísmo da mesmice do sistema apodrecido tentando obstruir ou ludibriar a marcha da história e nem tentar roubar a personalidade do autor do sapato histórico, porque isso vai apenas piorar ainda mais a situação, as coisas e as vidas do país e do conjunto da população, porque a marcha da história não se acasala por amor com charlatões, no caso impostores políticos temporais, a medida que não são aquilo que ela está necessitando. Portanto, rendição dos me$mo$, do velho que já morreu, em prol do novo de verdade que precisa ser estabelecido é a melhor, mais sensata e mais feliz opção, para o bem todos e todas e a felicidade geral da nação. E tenho dito. https://veja.abril.com.br/politica/nem-bolsonaro-nem-lula-pesquisa-mostra-que-a-lideranca-e-dos-indecisos/?fbclid=IwAR1Iki_DaVybdhk3N57Q1hAPSoeL487L5mI_0noFP-T5Q0yTPGMHpDEeLJU

  2. Francisco Moreno, meu xará, escreve um artigo irrepreensível, contundente, atual, adequado, que só resta parabenizá-lo,

    Elogio sempre quando o Editor posta um artigo de um comentarista da TI.
    Não só o prestigia, como valoriza os frequentadores do blog, a ponto que há várias postagens desse tipo, desde que iniciei em outubro de 2010, quase onze anos atrás.

    A meu ver, o comentarista tem mais argumentos, razões, motivos, que se encaixam no nosso modo de pensar, entender e interpretar, que a colagem de um ou outro texto de gente de fora.
    Não que não sejam de qualidade, porém são crônicas que vêm de fora, e não específicos à TI.

    Portanto, meus parabéns ao Editor, por ser sensível nesse aspecto, e de a TI ser o único blog que enaltece seus colaboradores, colocando-os nas manchetes do blog merecidamente.

    Quanto à república sindicalista que era um sonho do PT, a verdade incontestável era o trabalhador sustentar uma classe de dirigentes sindicais que, de certa forma, manipulados pelos administradores, votavam no candidato preferido da entidade.

    O mal desse sindicalismo foi a obrigatoriedade do desconto de um dia de salário à sua associação, burlando a lei que não me obriga a pagar o que não quero, cuja razão dessa cobrança residia exatamente numa classe superior dos dirigentes que a dos associados.
    Afora seus nomes estarem sempre na berlinda para ser candidatos permanentes nas eleições.

    Ergueu-se, no país, a casta dos sindicalistas, alguns até mesmo conseguiram se perpetuar no poder, na função de presidente, auferindo proventos mensais em níveis de parlamentares.

    Da mesma forma, tivemos vários “puxadinhos” de algumas instituições, aumentando a oferta de vagas para apaniguados, e protegidos das velhas raposas da política.
    Ora, a consequência de tantos órgãos adicionais, e com influência tanto nas administrações públicas quanto nas particulares, redundou numa nação engessada.

    Abrir um negócio, mil documentos e certidões;
    plantar, mil documentos e certidões;
    construir, mil documentos e certidões;
    reformar, mil documentos e certidões;
    abrir um comércio qualquer, mil documentos e certidões;
    até para se abrir um pequeno bar, mil documentos e certidões.

    Evidente que cada um desses documentos e certidões o interessado deve pagar, desembolsando uma quantia que poderia ser adicionada ao empreendimento, e não a gastos desnecessários e supérfluos.

    Enfim, somos o país da complicação, da “burrocracia”, das taxas, tarifas, licenças, permissões, alvarás, que esmorecem o ânimo de quem queira investir no Brasil ou mesmo um brasileiro querer ter um negócio próprio pois, a partir do momento que passou a funcionar, após as devidas aprovações e deferimentos, a insuportável carga tributária!

    Não há como pensarmos em desenvolvimento.

    Moreno, um grande abraço.
    Meu aplauso pelo artigo interessante e pontual.
    Saúde e paz.

  3. Artigo realista. Apenas faltou dar nomes aos “bois” (políticos) que deram origem ao descalabro.

    Getúlio Vargas incrementou o sindicalismo e Juscelino construiu uma cidade em vez de investir em educação, saúde e saneamento básico.

    E essa cidade, Brasília, vem sendo a fábrica de leis que incrementam o gasto irresponsável do dinheiro do povo e, hoje, é considerada a capital mundial da corrupção impune.

    • Obrigado Chico você sempre generoso com este humilde aprendiz, mas sou novo e tenho mestres exemplares nesta TI para me iluminarem.
      Abs.
      Celso, agradecido pela resenha, mas não é um artigo e sim uma sátira de um ocioso.
      Admiro seu pensamento e sua perseverança na defesa de suas ideias.
      A qualquer hora voltaremos a nos digladiar em torno de Brasília e do maior brasileiro do século XX.
      Um abraço

  4. A ideia de sindicato para categorias de trabalhadores sempre foi bem-vinda.
    Tornou-se problema, a partir do momento que surgiram várias outras entidades representativas da mesma categoria.
    Exemplo:
    Somente de professores, existem mais de 20, afora uma Federação, no RS!

    Professores rurais;
    professores urbanos;
    professores estaduais;
    professores particulares;
    professores de escolas públicas;
    Centro de Professores …

    De vendedores, então, se perde a conta:
    comerciários da mesma forma;
    motoristas é uma Torre de Babel …

    Não há necessidade de mais de 50 sindicatos em um país.
    Quantos tivemos?
    Perto de 15.000, é isso?
    Absurdo.

    Não só desprestigiou o trabalhador, como a sua representação.
    Evidente que esta eclosão de sindicatos, associações, federações, confederações … surgiram em face do desconto obrigatório do associado à sua entidade, que se tornou um filão de ouro!

    O parlamento fez o mesmo:
    Tem cabimento um senador ter 80 (OITENTA ASSESSORES), como no caso da senadora Kátia Abreu?!
    Os poderes, de modo a aumentarem seus tentáculos sobre o alcançar mais influências, também construiu seus “puxadinhos”:
    TSE, Tribunais de contas, Vigilâncias, Ministérios que poderiam ser eliminados, assim como secretarias, diretorias …

    Não pode sobrar dinheiro para investimentos no Brasil, não tem como.
    Qual seria o custo desta máquina para se manter funcionando?
    Mais:
    Quanto pagamos de juros pela dívida interna?
    Quanto nos custa o desequilíbrio das contas públicas?
    Os cartões de crédito “corporativos”?

    Se partidos políticos embolsam BILHÕES DE REAIS … que se somam a vários outros bilhões de reais que custa o legislativo, quanto pagamos para sustentar um poder podre, corrupto, inútil, incompetente como este?
    Em torno de 60/70 bilhões anuais, se não for bem mais, se eu adicionar as assembleias e câmaras municipais!

    E o executivo?
    Municipal, estadual e federal?
    E o judiciário:
    Fóruns, tribunais, tribunais superiores …

    Bom, talvez isso nos tire 30% do PIB ou mais, logo, o resultado é que o brasileiro trabalha seis meses por ano para pagar impostos que sustentem essa máquina pesada, lenta, ultrapassada.

    Se colocarmos no papel as minúcias ou detalhes de nossos gastos oficiais … o Brasil deveria se perguntar como que ainda está em pé!?

    Somem a tais gastos incalculáveis porque em trilhões de reais, com os danos e prejuízos ocasionados pela corrupção, propinas, acordos espúrios, vendas de votos, negociatas, falcatruas, golpes os mais variados e exóticos …

    Paro por aqui, pois ainda haveria muito mais gastos para mencionar, como aquelas fortunas que são pagas aos tribunais de contas!
    Enquanto isso, o salário … ó!!

    • Não há necessidade de mais de 50 sindicatos?
      Que país você vive, Vendo? E vocês? A realidade muda muito do Oiapoque ao Chuí.

      Tem estado com mais de 400 municípios.
      Isso sim é um absurdo!

      Primeiro vamos ver melhor a organização do Estado brasileiro.
      Depois outros assuntos.

      Criação e extinção de sindicatos não cabe na canetada do Estado

  5. O caro Moreno, autor do texto, foi econômico nos exemplos trazidos e fazer comparação com o Brasil.
    Por que não pesquisou e trouxe para citar a França???
    Seria porque não serviria para endossar sua conclusão???
    A França tem muito mais sindicados do que o Brasil. É isso mesmo que escrevi.
    Então, num universo de centenas de países, selecionar a dedo um ou outro que endossa o entendimento que o autor pretende, ignorando outros, afim de que o caso brasileiro seja posto como modelo único no mundo, uma coisa excêntrica, para mim, é uma fraude da realidade.

      • Caro Leão, aceito seu comentário parcialmente e justifico que não escolhi a França, apesar da organização, importância, história e peso político do sindicalismo francês, porque até no fornecimento de dados exatos, os franceses são tacanhos e não consegui quantitativos confiáveis.
        Quanto à sua afirmação de que teriam maior quantidade de sindicatos, vou-me permitir duvidar, por algumas razões, a França tem aproximadamente 32% da população do Brasil, os franceses são reconhecidamente adversos a contribuir financeiramente com quaisquer empreitada e a França é o segundo país da Europa, atrás somente da Eslovaquia, no declínio da taxa de trabalhadores sindicalizados.
        Sendo assim, fica difícil que essa nação possa superar o Brasil na produção da jabuticaba sindical, mas veja, só estou justificando minha apontada omissão.
        Cabe ainda, declarar que meu retorno a esta TI é exclusivamente no intuito de tentar agregar alguma ideia positiva à hercúlea tarefa de fugir da catástrofe anunciada e reconstruir um Brasil melhor, e nunca! “fraudar a realidade”
        Agora vou cumprir meus deveres familiares e homenagear uma carioquissima feijoada na casa de uma filha.
        Bom dia a todos.

        • Olá, bom dia! Gostaria de agradecer-lhe sua atenção e dedicação de esclarecimentos.
          Sobre o motivo do quantitativo na França ser auto, mesmo a população sendo menor, justifica-se peloa inúmeros sindicatos de autônomos.
          Bom final de semana!Abraço!

        • Desculpe me meter, no bom sentido, Moreno. Não sei onde o Leão arranjou esse número de sindicatos na França. Mantenha sua informação, que está corretíssíma.

          Abs.

          CN

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