Projeto Guedes para o diesel perdeu-se no espaço sideral da Eletrobras e da Economia

Ninguém entendeu nada do que Guedes tentou explicar em reunião

Pedro do Coutto

O projeto apresentado pelo ministro Paulo Guedes apresentado ao presidente Jair Bolsonaro para subsidiar o óleo diesel nas bombas está sendo pedido no espaço sideral da Eletrobras e a própria economia nacional. Essa visão, destacada pela reportagem de Manoel Ventura, Bruno Rosa, Bruno Góis e João Sorima Neto, O Globo desta quarta-feira, e também pela reportagem de Douglas Gavras, na Folha de S. aPaulo.

Se na reunião ninguém entendeu nada do que Guedes tentou explicar, na prática a confusão tornou-se ainda maior, sobretudo porque surgiram dados concretos da impossibilidade absoluta de suspender o ICMS dos estados e também o imposto de importação do diesel como forma de baixar o preço do combustível.

SEM EFEITO – Problemas semelhantes referem-se aos preços da gasolina e do gás de cozinha. O fato – Paulo Guedes sempre desconhece os fatos – é que ontem, por exemplo, o óleo diesel teve o seu preço aumentado no mercado internacional na base de 13%, equivalente a R$ 0,60 por litro. O subsídio assim previsto aleatoriamente por Paulo Guedes e endossado pelo governo perderia o efeito diante do avanço do preço.

Matéria de especialistas em economia de petróleo avaliam que a conta não fecha, pois para zerar os efeitos do preço do diesel é preciso conter os preços do mercado internacional, o que é impossível. Além disso, o governo calcula ter que desembolsar R$ 40 bilhões para compensar o ICMS dos estados e do preço do diesel nas bombas.

GRANDE PROCURA – Mas para isso terá que recorrer a R$ 25 bilhões previstos na venda de ações da Eletrobras e seu processo de privatização. A procura das ações tem sido grande, está claro. Se querem obter o comando da Eletrobras por R$ 25 bilhões, revela-se um preço baixíssimo. Na semana passada uma termoelétrica em Sergipe foi negociada por R$ 67 bilhões.

O problema ainda é que o Tesouro, pela ideia de Paulo Guedes, desviaria os recursos da transação da Eletrobras para subsidiar os combustíveis importados. Além disso, calcula-se que o ICMS dos estados custará mais uma parcela de R$ 50 bilhões, o que acarretaria um prejuízo na operação.

LIMINAR DERRUBADA –  Por três votos a dois, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, da qual faz parte o ministro André Mendonça, derrubou a decisão liminar do ministro Nunes Marques que anulava a cassação do deputado Fernando Francischini, que  havia colocado fake news nas redes da internet, manifestando desconfiança contra as urnas eletrônicas.

Na votação virtual da matéria pelo Plenário do STF, Mendonça pediu vista do processo. Mas, na Segunda Turma, ele não fez o mesmo e votou pela manutenção da decisão de Nunes Marques. O caso é o seguinte, ele tinha dúvida ou não tinha? Nunes Marques e André Mendonça esperavam um resultado diferente na Segunda Turma, mas não contavam com os votos de Lewandowski, Gilmar Mendes e Edson Fachin que anularam a liminar.

QUESTIONAMENTO – Às vésperas da Cúpula Americana, reunião convocada para Los Angeles, Gabriel Gulino, O Globo, revela que, mais uma vez, o presidente Bolsonaro questionou a eleição de Joe Biden nas urnas de 2020. Disse que Trump estava bem à frente nas pesquisas (o que não é verdade), e que por isso fica uma sombra que acolhe a suspeita de fraude nos Estados Unidos.

Incrível a falta de sensibilidade de Bolsonaro. Primeiro não é verdadeira a fraude, segundo Biden sempre ficou na frente das pesquisas, além disso, não poderia haver momento mais inadequado para as declarações de Bolsonaro.

GEOGRAFIA DA FOME –  A Geografia da Fome no Brasil tem crescido no país de forma avassaladora. Hoje são 33 milhões de pessoas sem condições de adquirir alimentos de forma sequer regular e 58 milhões que amanhecem sempre em dúvida se conseguirão almoçar.

É uma triste realidade excepcionalmente focalizada pelas repórteres Carolina Nalim e Jéssica Marques, O Globo, e por Fernanda Mena, na Folha de S. Paulo. São trabalhos que devem ser guardados por todos os leitores. Apenas duas páginas completas, mas que trazem consigo uma informação dramática – e cada vez mais –  do problema social brasileiro.

DELFIM NETTO – Ninguém ocupou tantos cargos nos governos da ditadura militar de 1964 a 1985 do que Delfim Netto. Sucedeu Roberto Campos na pasta da Fazenda, no governo Costa e Silva. Permaneceu ao longo de todo o governo Médici. No governo Geisel foi nomeado embaixador em Paris. No governo Figueiredo, ministro da Agricultura e depois do Planejamento.

Como sabia exercer o poder, no governo Figueiredo derrubou Mario Henrique Simonsen da Fazenda através de um atrito. Simonsen não entrava em bola dividida e deixou o cargo. Na gestão, Delfim lançou uma frase: “Primeiro é preciso fazer crescer o bolo para depois dividi-lo”. O bolo cresceu, mas as divisões o povo aguarda até hoje.

8 thoughts on “Projeto Guedes para o diesel perdeu-se no espaço sideral da Eletrobras e da Economia

  1. Vender ações da Eletrobrás para subsidiar o preço do combustíveis, e outras fórmulas do governo tirando dinheiro do povo para resolver o preço dos combustíveis, não vai resolver. como bem explicou o Pedro do Couto.
    Ninguém é a favor da Petrobrás não ter lucro, mas não um lucro abusivo, que é hoje um dos principais fatores da inflação, mas o lucro gigantesco da Petrobrás é imexível, não pode prejudicar os pobres acionistas.
    As empresas estatais estratégica é de grande importância para o governo, podem ser usadas para regular o mercado.

  2. O discursinho dos liberais:
    “vamos vender estatais e usar os recursos da venda pra investir em saúde, educação e segurança”.
    O mundo real:
    O dinheiro da venda vai ser usado pra assegurar os doces dividendos dos acionistas privados.

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