Propina em nove grandes obras teria chegado a R$ 1,77 bilhão

Eduardo Militão e João Valadares
Correio Braziliense

O quebra-cabeças que começa a se formar a partir da junção dos depoimentos de delatores na Operação Lava-Jato, das apreensões de bens e valores, e do volume de negócios que a Petrobras mantinha com as empreiteiras acusadas de formar um cartel para lesar os cofres públicos aponta para um valor surpreendente de propinas pagas no esquema. A estimativa dos investigadores é de que a cifra pode chegar a R$ 1,77 bilhão.
De acordo com o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, os subornos variavam de 1% a 3% do total dos contratos, sendo que a petroleira fechou R$ 59 bilhões em negócios com o suposto cartel formado por empreiteiras como Odebrecht, Camargo Corrêa, OAS, Mendes Júnior e Engevix. As apurações da Polícia Federal e do Ministério Público apontam o pagamento de propina em pelo menos nove empreendimentos, incluindo a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Segundo o executivo Júlio Camargo, da Toyo Setal, a Camargo Corrêa pagou R$ 23,37 milhões à empresa Treviso, de propriedade dele. Desse valor, R$ 6 milhões foram repassados ao ex-diretor Renato Duque — ligado ao PT — e ao gerente Pedro Barusco, em contas no Brasil e no exterior, no banco Credit Suisse. Augusto Mendonça, outro executivo da Toyo Setal, afirmou que a Mendes Júnior e outras empresas corromperam funcionários para garantir obras de R$ 1 bilhão na refinaria Replan, em Paulínia (SP). Ele disse que negociou a propina com o ex-deputado José Janene (PP-PR), Duque e Barusco.

Camargo afirmou que, em 2005, pagou US$ 15 milhões ao lobista Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano, que agia pelo PMDB para garantir que a diretoria Internacional, na época comandada por Nestor Cerveró, adquirisse uma sonda de perfuração da Samsung. O aluguel de um equipamento do tipo custa cerca de R$ 10 bilhões por ano.
DINHEIRO EM ESPÉCIE

Dona de R$ 13,28 bilhões em contratos com a Petrobras e destino de R$ 3,55 bilhões da União nos últimos 10 anos, a maior empreiteira do país, a Odebrecht, escapou de ver seus executivos na cadeia. O Ministério Público pediu a prisão de Márcio Faria e Rogério Araújo, afirmando haver indícios de que eles praticaram delitos como organização criminosa, fraude em licitação e corrupção. “Os pagamentos efetuados pela empresa e seus diretores a título de propina eram realizados em espécie”, diz o Ministério Público.

Nas delações, Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef e Augusto Mendonça mencionaram a megaconstrutora como parte do “clube”. Mendonça disse que Márcio Faria era o representante da Odebrecht nas reuniões do cartel, nas quais havia “uma unicidade de pensamento muito grande”. Na casa de Costa, a PF encontrou uma agenda com menções a “Odeb — Odebrecht”, “Renato Barros”, “Rogério” e “CNO — Consórcio Nacional Odebrecht/OAS/UTC”.

8 thoughts on “Propina em nove grandes obras teria chegado a R$ 1,77 bilhão

  1. Nas asas da Petrobras…
    ” A delação premiada de Júlio Camargo, o executivo da empreiteira japonesa Toyo Setal que já topou devolver 40 milhões de reais aos cofres públicos, está deixando José Dirceu de cabelo (implantado) em pé.

    Depois que deixou o governo Lula, em 2005, Dirceu pegou emprestado várias vezes o jato Citation de Camargo para cruzar o Brasil.

    Por Lauro Jardim

  2. Sr. Newton,aproveitando o rastro das propinas, veja o que disse o jornalistaBoechat na Band News sobre Dona Maria Antonieta deHigienópolis.
    Será que a “banda” chapa-branca do Partidão começa a fazer água.????
    Interessante a fala do jornalista..:

    “O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso veio a público para dizer que sentia vergonha do que estava acontecendo na Petrobras. Eu queria fazer a seguinte observação: Acho que ele [Fernando Henrique Cardoso] está sendo oportunista quando começa a sentir vergonha com a roubalheira ocorrida na gestão alheia. É o tipo de vergonha que tem memória controlada pelo tempo. A partir de um certo tempo para trás ou para frente você começa a sentir vergonha, porque o presidente Fernando Henrique Cardoso é um homem suficientemente experiente e bem informado para saber que na Petrobras se roubou também durante o seu governo. ‘Ah, mas não pegaram ninguém!” Ora presidente! Dá um desconto porque só falta o senhor achar que na gestão do Sarney não teve gente roubando na Petrobras. Na gestão do Fernando Collor não teve gente roubando na Petrobras. Na gestão do Itamar Franco não teve gente roubando na Petrobras. A Petrobras sempre teve em maior ou menor escala denúncias que apontavam desvios. Eu ganhei um Prêmio Esso em 89 denunciando roubalheira na Petrobras. […] A Petrobras sempre foi vítima de quadrilhas que operavam lá dentro formada por gente dos seus quadros ou que foram indicados por políticos e por empresários, fornecedores, empreiteiras. Então essa vergonha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é sim uma tentativa de manipulação política partidária da questão policial”, disse Boechat.

  3. E o ‘violento’ processo contra a Veja ? Ficou como o do Tuma Jr ? rs rs rs. Essa cambada sabe que existe a exceção da verdade e um processo desses vira denunciação caluniosa! Quem tem, tem.

  4. Mais uma viagem de dois articulistas do Correio Braziliense, sobre os tortuosos caminhos tomados pelo dinheiro público desviado pela gangue do Petrolão.

    Impressionante são as divergência que se constata nas análises até agora produzidas, sobre o presumido montante, ou a montanha do dinheiro rapinado…

    Quando mais se cava, mais grana aparece…é o efeito multiplicador da corrupção, que ainda vai levar MUITO TEMPO para se conhecer, em valores aproximados, o que realmente foi roubado do dinheiro público, o SEU, o MEU, o NOSSO dinheirinho…

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