Provas de corrupção da companheira Rose continuam se acumulando no desenrolar da Operação Porto Seguro.

Carlos Newton

As denúncias se multiplicam sobre a companheira Rosemary Noronha, ex-chefe do Gabinete da Presidência da República em São Paulo e protegida do ex-presidente Lula, digamos assim. Agora é Folha de S. Paulo que traz mais uma embaraçosa notícia, revelando que Rose pagou com dinheiro vivo o apartamento onde mora na Bela Vista, em São Paulo.

Segundo a escritura da negociação, lavrada no 22º Tabelião de Notas de São Paulo, o valor declarado do imóvel foi de R$ 250 mil, dos quais R$ 211 mil pagos em espécie. A escritura foi lavrada em 11 de junho de 2010.

A cobertura é o terceiro imóvel comprado por Rose desde 2008, conforme certidões obtidas pela Folha. Os demais são um apartamento de R$ 90 mil em Santos (SP) e outro imóvel na Mooca, zona leste de São Paulo, no valor de R$ 155 mil. Diz a reportagem da Folha que, de acordo com o relato de uma pessoa que participou da transação, Rose carregou em sacos de supermercado o dinheiro para quitar o negócio.

Um dos desdobramentos da Operação Porto Seguro, que indiciou Rose por corrupção e formação de quadrilha, será a investigação de eventual lavagem de dinheiro obtido com supostos esquemas de corrupção. Porém, como os imóveis estão em nome dela, esse tipo de crime não ficaria configurado.

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UMA PROVA FATAL

Ainda na Folha, reportagem de Mario Cesar Carvalho e José Ernesto Credencio mostra que Rosemary Noronha foi indiciada por formação de quadrilha por causa de um documento que a Polícia Federal encontrou na própria Presidência. Trata-se um fax de 2008 enviado à ouvidoria da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquáticos) para tratar dos interesses do ex-senador Gilberto Miranda na ilha das Cabras, em Ilhabela (SP).

Miranda precisava da ajuda de Rose porque havia perdido uma ação na Justiça e teria de deixar a ilha e recuperar o ambiente, o que representaria um prejuízo estimado em pelo menos R$ 10 milhões.

A Polícia Federal diz ter encontrado outros dois indícios de que a então assessora de Lula integrava a quadrilha desbaratada pela Operação Porto Seguro. Num e-mail de 19 de novembro deste ano, quatro dias antes da ação da PF, ela pediu a Paulo Vieira, diretor da Antaq, um empréstimo de “650” “em dinheiro” para o pagamento de um apartamento. O valor seria de R$ 650 mil, segundo a PF.

Noutro e-mail, ela agradece a Vieira pela compra da “casa de SJC” –a sigla seria São José dos Campos, para instalar um de seus negócios – um curso de línguas.

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EXPLICAÇÃO NECESSÁRIA

Conforme já esclarecemos aqui no Blog, ninguém tem nada a ver com a vida amorosa do ex-presidente Lula – isso é assunto entre ele e a esposa, dona Marisa, que o acompanha na viagem à Europa e ainda não sabe de nada sobre os escândalos revelados pela Operação Porto Seguro.

O que se questiona e esta sendo cobrado ao ex-presidente é o uso da máquina pública para agradar à companheira Rose e dar emprego não somente a ela, mas também à filha, ao ex-marido e ao atual, além de contratar para importantes cargos do governo quem ela indicasse, como foi o caso dos irmãos Vieira, recentemente presos pela Polícia Federal e acabaram estão respondendo a inquérito em liberdade. É isso que se discute, é isso que importa.

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