Próximo presidente será quem for capaz de representar a maioria silenciosa

Demétrio Maglioli
Folha

Nesse ponto precoce da disputa presidencial, os números das pesquisas devem ser lidos pelo avesso. A sondagem recente da CNT/MDA reitera as fotografias anteriores, com Lula disparado à frente (33%), seguido por Bolsonaro (17%). A soma, 50%, equivale à parcela do eleitorado que rejeita os dois únicos candidatos amplamente conhecidos. O próximo presidente será, provavelmente, Mister X: o centrista capaz de falar a língua da maioria silenciosa. Daí, emerge a oportunidade visualizada pelo Planalto.

Segundo o levantamento, Lula bateria facilmente qualquer adversário no segundo turno. Mas a foto, captada bem antes do confronto no horário oficial de TV, assemelha-se às imagens das estrelas: o brilho de objetos distantes milhões de anos-luz é uma janela aberta para o passado. A mesma sondagem informa que mais de 52% concordam com a sentença condenatória do TRF-4. Só lulistas de carteirinha e analistas alucinados acreditam na inevitabilidade de triunfo do ex-presidente num hipotético turno final.

LULA DE FORA – Na prática, o raciocínio é inútil. Lula estará fora da campanha quando o TSE declará-lo “ficha suja”, um ato que impedirá o país de acertar as contas políticas com o lulismo e propiciará a extensão da narrativa fraudulenta sobre o “golpe de 2016”. Contudo, os números indicam que o ungido de Lula tem tudo para alcançar o segundo turno. Quem concorrerá com ele?

Do ponto de vista do lulismo, Bolsonaro é o desafiante perfeito. Mas o discurso asqueroso, purulento, que empolgou uma minoria movida pelo rancor, traça-lhe um rígido limite eleitoral. No cenário sem Lula, ele salta para apenas 20% das intenções de voto e, na simulação de turno final, empata com uma Marina Silva ainda não declarada candidata. O pretendente odiento só chegará à etapa decisiva mediante um suicídio do centro político.

A paisagem centrista caracteriza-se pela fragmentação e por apostas especulativas.

OS CENTRISTAS – Marina tem um patrimônio eleitoral, mas carece do partido que se revelou incapaz de construir. Alckmin tem um partido em ruínas, devastado pelo bombardeio das denúncias e consumido por crônica dislexia política. Álvaro Dias e Rodrigo Maia são personagens em busca de autores e enredos.

Diante do populoso vácuo centrista, o Planalto deu um passo à frente e montou uma estratégia. Seus três pilares são o projeto das reformas econômicas, uma promessa para os agentes de mercado, e as bandeiras populares da retomada do consumo e da política de segurança pública.

A candidatura potencial de Temer articula-se atrás da intervenção federal na área de segurança do Rio de Janeiro e da criação do Ministério da Segurança Pública.

TECLAS QUENTES – Desemprego, corrupção e criminalidade formam as teclas quentes da corrida presidencial brasileira. A estratégia do Planalto toca a primeira e a última. O governo confia na expansão de suas taxas de aprovação, no ritmo da recuperação do emprego. Quase 70% aprovam a intervenção no Rio e 63%, o novo ministério. O nervo exposto do presidente corresponde à tecla do meio, fonte da letal taxa de rejeição de 88%.

Os 88% são de Temer, não de Raul Jungmann, o balão de ensaio do Planalto. O czar da Segurança, uma figura política sofisticada e livre de pendências judiciais. O Planalto não tem pressa: Jungmann ficará sob os holofotes pelos próximos meses, sem a obrigação de assumir uma candidatura, enquanto a coleção de candidatos centristas rema contra a correnteza. A aposta é que se reproduza a trajetória de FHC, o ministro da Fazenda catapultado à Presidência pelo Plano Real. Seria uma repetição da história, mas não como farsa.

11 thoughts on “Próximo presidente será quem for capaz de representar a maioria silenciosa

  1. Essas pesquisas q colocam lula na frente são feitas na filas do bolsa família e no Nordeste. Não se enganem. O pt tem muito dinheiro ainda.

  2. Lula disparado nas pesquisas….. Tem que ser muito imbecil para acreditar nisso…
    Se a Globo é contra Bolsonaro,se os outros meios de comunicação são contra, se 90 % dos políticos são contra, não precisa entender nada de política… Basta votar no Bolsonaro…..Para desespero dos “leite com pera”.

  3. O Globo reconheceu que Lula reduziu pobreza no Brasil pela metade

    um estudo amplo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dizendo que o governo do ex-presidente reduziu a pobreza em mais de 50% em 8 anos.

    A pobreza no Brasil caiu com maior intensidade durante o governo Lula do que no de Fernando Henrique Cardoso. Desde o começo do Plano Real, a pobreza caiu 31,9% durante a Era FHC. Já no período em que o ex-presidente Lula esteve à frente do país – oito anos encerrados em dezembro de 2010 -, houve queda de 50,64%.

    https://goo.gl/WX5io4

    • Caro Alex;

      Respeitosamente, e com toda isenção, já que não sou “fernandista”, digamos assim, acho importante lembrar que o governo FHC enfrentou várias crises internacionais:

      – A crise do México em 95.
      – A crise dos tigres asiáticos em 97/98.
      – A crise russa em 98/99.

      Se não me engano teve uma crise na Austrália também nesse período, que afetou a economia mundial, e também o Brasil.

      Já o governo Lula surfou num dos períodos de maior calmaria e prosperidade da economia internacional.
      Sobretudo pelo grande crescimento e demanda por commoditesda China.

      São quase obviedades, que vc certamente não desconhece, mas nunca é demais lembrar quando se compara os dois governos e o desempenho econômico de cada um.

    • Tanto é verdade que acabaram as favelas no Brasil, agora só existem “belas comunidades” servidas por água, esgoto, energia elétrica, segurança pública, creches, escolas, telecomunicações, correio, postos de saúde, hospitais do SUS, transportes públicos, tudo de primeiro mundo, uma maravilha de país, agora que não existem mais pobres.

  4. É melhor Jair se acostumando. a maioria silenciosa não gosta de bandido, quer a posse de arma, e está de saco cheio das imposições dos socialistas/comunistas.

  5. Esse Demétrio com sua boca cheia de cuspe já começa também a entrar na fase de delírio esquizofrênico ! Ô metralhadora de cuspe ,é melhor Jair se acostumando !

  6. Acho que o candidato mais forte na próxima eleição será o que melhor encarnar a rejeição à podridão do nosso sistema político. Bolsonaro tem ao menos por enquanto se beneficiado de ser visto o mais ‘anti-sistema’, como Lula foi um dia.
    O fato é que os brasileiros estão cansados dos abusos e da enganação, e vai ser difícil convencê-los a votar num candidato ‘centrista’ (pra não dizer vazio) que não tenha um discurso forte contra ‘o que está aí’, só pra evitar o Bolsonaro ou o Lula ou seja quem for o candidato do PT. As pessoas querem mudanças, não um bom-mocismo de fachada. Foi por isso que naufragou a candidatura do incrivelmente moderado Luciano Huck, mesmo com toda fanfarra da mídia.

  7. É normal muito antes da eleições as pesquisas apontarem para os candidatos que estão diariamente sob os holofotes..Estão fazendo campanha e aparecendo na mídia o Lula e o Bolsonaro,. Contra o Lula, qualquer candidato é melhor.
    Com certeza, ao aproximar-se as eleições, com os debates, que é mais importante que o horário eleitoral, as pesquisas mudam.Todas eleições isso acontece..

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