PSD, criado por Kassab há 10 anos, ganha peso para influenciar na sucessão

Givaldo Barbosa

Sem mandato e investigado por corrução, Kassab é o cara

Vera Magalhães
O Globo

Faz dez anos que Gilberto Kassab fundou o PSD. Logo após a derrota do PSDB, em 2010, o então prefeito de São Paulo decidiu declarar independência do partido pelo qual se aliara aos tucanos, o DEM, e fundar a própria legenda, definida por ele logo nos primórdios como “nem de direita, nem de esquerda, nem de centro”.

Uma década depois, a legenda encorpou. Saiu bem das urnas em 2020 e, quase um ano depois, ganha musculatura em cima da perda de quadros justamente do DEM, o partido de cuja “costela” surgiu.

UMA LEITURA ERRADA – ACM Neto e Kassab, como dirigentes partidários, vivem momentos opostos. O ex-prefeito de Salvador leu mal o cenário pós-eleições municipais e aproximou seu partido — que tinha o comando das duas Casas do Congresso, levou prefeituras importantes (além de Salvador, base eleitoral do presidente, fez o Rio e Curitiba) e tinha um bom nome para colocar à mesa da sucessão de 2022, o do ex-ministro Luiz Mandetta — de Bolsonaro.

O apoio do DEM, traindo o então presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), foi vital para dar a Arthur Lira a presidência da Casa, e, portanto, para ajudar a blindar Bolsonaro do impeachment.

Assim sendo, de nada adianta ACM Neto repetir que o partido ainda não decidiu estar com o presidente em 2022, porque o partido que ele preside foi fundamental para que o presidente tivesse o controle da Câmara.

BOA PESCARIA – Kassab soube pescar nas águas turvas do DEM. Levou o prefeito do Rio, Eduardo Paes, e, agora, se prepara para filiar o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), um movimento mais surpreendente e com potencial de embaralhar o jogo eleitoral.

Não porque Pacheco seja, mesmo, pré-candidato a presidente. Até hoje, nesses dez anos de vida, o PSD nunca se apresentou com nome próprio à Presidência. Mas sempre ameaça, e isso tem tudo a ver com o movimento de agora.

Mas a ida de Pacheco para o PSD é surpreendente porque afasta do presidente do Senado de Bolsonaro, tornando sua vida ainda mais difícil. O lançamento de seu nome como opção para 2022 já é o suficiente para torná-lo alvo dos ataques do presidente, dos filhos e dos seguidores mais fanáticos. Isso obrigará Pacheco a ser menos em cima do muro do que vem sendo em relação aos arreganhos autoritários do Executivo. Justamente num momento que é de enfrentamento entre os senadores da CPI (presidida, aliás, por um integrante do próprio PSD) e setores do governo, inclusive as Forças Armadas.

JUNTO COM KALIL – Ao ir para o PSD, Pacheco fica na mesma legenda de um aliado local seu, o prefeito de BH, Alexandre Kalil. Também se junta ao ex-governador de Minas e senador Antonio Anastasia, tornando o partido de Kassab uma força muito grande no Estado de segundo maior eleitorado da federação.

A única peça que não se encaixa nessa operação é que Kassb teve conversas com o do ex-presidente Lula, o que alimentou nos bastidores a aposta em um vice do PSD para o petista. Nesse caso, o perfil de Pacheco não parece preencher os requisitos.

A interlocutores, Kassab diz que teve só uma conversa com Lula, e que a aposta numa aliança foi alimentada mais pelos petistas, e nunca esteve no radar do PSD. Mas também admite que, num eventual segundo turno entre Lula e Bolsonaro, estará com o petista. 

11 thoughts on “PSD, criado por Kassab há 10 anos, ganha peso para influenciar na sucessão

  1. 1)Sempre que leio ou vejo a sigla SQN lembro do Plano Piloto da Capital Federal:

    2) Super Quadra Norte… bem arborizadas é um paraíso de cidade…

    3) As periferias precisam melhorar muito – transportes públicos etc.

  2. O Newton gosta mesmo da Vera Magalhães, bem como outros expoentes decadentes da realidade, como Cantanhede. Praticamente todo dia trás um artigo deles e de alguns outros do movimento golpista de 16. Mas a fala de Oliver Stone que saiu em vários portais, em Cannes, de que a Prisão de Lula foi projeto político, e que irá fazer um filme sobre, nenhuma repercussão por aqui na Tribuna de exceção…

    • Como se dizia antigamente, Oliver Stone está mais por fora do que umbigo de vedete. Não entende nada sobre a política brasileira. Não sabe que Lula é um ladrão vulgar, que sustentava a amante com recursos públicos.

      CN

      • A opinião do sr. Stone é ouvida pelo mundo inteiro e possui peso atômico infinitamente superior aos Guzzos, Cantanhedes e Magalhães.
        É até vergonhoso juntar esses nomes em um mesmo parágrafo.
        Para o articulista, até o Noam Chomsky está por fora….

      • Caro CN. O Oliver Stone acaba de divulgar um filme sobre assassinato de um presidente norte-americano, teve que aguardar anos, décadas, para ter acesso aos documentos sigilosos que serviram para o filme. Agora me diz. Acha mesmo que faria um filme sobre alguém sob risco de manchar sua biografia, sem pesquisar???

      • Todos viram o que EUA fizeram e fazem nas Américas (Venezuela, Cuba) e nos outros continentes (Iraque, Líbia, Afeganistão, etc). Mas não só, outras potências também especialmente no passado. Vide no que transformaram o Haiti…

  3. Como sempre, um texto para comadres e compadres.
    A que ponto chegou o jornalisto brasileiro.
    Corre junto com ás águas fétidas do Esgotão Coveiro entre as Marginais….

    Odebrecht confirma quem é o ‘kibe’ de suas planilhas de propina
    Informação contra Kassab foi confirmada pela empreiteira numa ação de improbidade que corre na Justiça de São Paulo

    Leia mais em: https://veja.abril.com.br/blog/radar/odebrecht-revela-quem-e-o-kibe-de-suas-planilhas-de-propina/

  4. Que mal eu pergunte, essa vera magalhães, mais a cantanhêde e a patota da globonews, entre outras, são Jornalistas, ou são articulistas, estrategistas e cabos eleitorais de políticos e partidos de estimação, ao que parece apaixonadas pelo demotucanismo, sardinhas essas para onde estão sempre puxando as brasas políticas ao que parece ? Será que ganham para fazer isso ? Será que tem jabaculê nessa parada ?

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