PSDB busca “guinada responsável” e mira em eleitores de direita insatisfeitos com Bolsonaro

Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Gustavo Uribe
Folha

Após ter perdido apoio entre eleitores tucanos na última eleição presidencial, o PSDB oficializou neste sábado, dia 7, uma nova estratégia de imagem na tentativa de recuperar espaço entre o eleitorado de direita, sobretudo entre os arrependidos com o presidente Jair Bolsonaro.

No congresso nacional do partido, promovido na capital federal, a legenda encampou bandeiras liberais na economia e conservadoras na segurança. E, para se diferenciar do atual governo federal, refutou a defesa de uma pauta de costumes e criticou atitudes autoritárias.

GUINADA – O novo discurso foi baseado em consulta prévia promovida pelo partido entre seus filiados, que cobraram uma espécie de guinada responsável de direita. As pesquisas realizadas pela sigla mostraram ainda insatisfação entre eleitores do presidente com medidas polêmicas do atual governo.

“A época do muro acabou. Enquanto ele existiu, talvez tenha sido próprio e adequado. Hoje, o que os brasileiros esperam do novo PSDB é atitude, lado. O novo PSDB tem lado. Está ao lado do povo e não tem medo de fazer a defesa de programas e teses que representem o interesse o povo. Nada de ficar na dúvida, nada de ficar em cima do muro, nada de tentar a agradar a todos e a não agradar a ninguém”, defendeu o governador de São Paulo, João Doria.

PORTE E POSSE DE ARMAS – Em um contraponto ao discurso bolsonarista, por exemplo, a legenda pregou uma maior regulação e controle sobre porte e posse de armas de fogo, uma política externa focada no multilateralismo, a manutenção da atual política de cotas no ensino superior e a não interferência sobre comportamentos individuais.

Ao mesmo tempo, em um aceno a eleitores do presidente, defendeu as atuais reformas econômicas, uma política de privatizações no país, o aumento da punição para adolescentes acima de 16 anos que cometem crimes graves e a possibilidade de cobrança de mensalidades de alunos de renda alta em universidades públicas.

DIVERSIDADE – “É o posicionamento do novo PSDB. Um partido de centro liberal democrático que respeita as teses da esquerda e da direita, mas entende que o campo liberal é um campo que pode mudar o Brasil sobretudo na diminuição da pobreza”, defendeu o governador de São Paulo, João Doria. “O PSDB é um partido que defende a diversidade, não tenham dúvidas disso”, acrescentou.

No encontro, a legenda divulgou um documento intitulado “Acima de tudo, a democracia”, na qual fez críticas indiretas ao governo federal e ressaltou que não admitirá tentativa de retorno “aos tempos sombrios do autoritarismo”. O presidente tem sido criticado no Legislativo e no Judiciário por posturas consideradas autoritárias.

RESPEITO À LIBERDADE – “Nós repudiamos o sectarismo, o obscurantismo e a incitação à violência. Consideramos que o governo –qualquer governo– não deve interferir em costumes e valores comportamentais de cada indivíduo. A cada cidadão cabe exercer a sua plena liberdade de ser”, ressaltou.

O texto salientou ainda que os extremos políticos têm feito iniciativas que “afrontam a civilidade”, “alimentam a intolerância e a truculência” e “lançam ameaças contra a nossa democracia”

“Sempre que isso ocorreu e ocorre, vindo de quem quer que seja, o PSDB esteve e estará na oposição”, defendeu. “E sempre que a democracia, as instituições, a liberdade e os direitos individuais forem ameaçados, o PSDB estará firme em sua defesa”, acrescentou.

DISPUTA INTERNA – Além de oficializar uma tentativa de mudança de discurso, o congresso do partido evidenciou uma disputa interna na legenda que deve se estender até 2022. Pré-candidatos à sucessão presidencial, os governadores João Doria e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, foram os protagonistas do encontro. Os dois fizeram críticas ao clima atual do país e defenderam mudanças.

“Eu não defendo que se ignore uma minoria barulhenta, mas a gente não pode esquecer o silêncio da maioria”, disse Leite. “Tenham coragem de ser a moderação nesse tempo de radicalismo, porque moderação e ponderação não rendem likes ou compartilhamentos, mas é o único caminho possível para fazermos desta nação um grande país”, acrescentou.

PRÉVIAS – No evento, tanto Doria como Leite defenderam a realização de um disputa por prévias caso o partido chegue à véspera da disputa presidencial com mais de um pré-candidato tucano “O PSDB terá candidatura à Presidência da República. E, se tivermos mais de uma candidatura, essa é a regra do partido [disputa por prévias] “, disse à Folha o presidente nacional da legenda, Bruno Araújo.

O evento que anunciou uma nova fase do partido foi marcado ainda pela ausência de antigos caciques da sigla. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os ex-governadores José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves não compareceram.
 

13 thoughts on “PSDB busca “guinada responsável” e mira em eleitores de direita insatisfeitos com Bolsonaro

  1. Os colegas comentaristas da TI hão de desculpar a minha franqueza, mas o PSDB é um partido sujo, que merece todo o nosso repúdio, e sugiro que nenhum leitor da Tribuna da Internet vote neste partido maldito que tanto mal fez ao Brasil. Basta lembrar que em seus quadros tem gente como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os ex-governadores José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves.

    • O primeiro tucano de alto calibre a aparecer, Sérgio Guerra, ex-presidente nacional do PSDB, foi citado pelo primeiro delator da operação, Paulo Roberto Costa. O problema: ele morreu 11 dias antes da operação Lava Jato ser deflagrada.

      De acordo com Costa, Guerra teria atuado para que uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) criada em 2009 para investigar a Petrobras terminasse em “pizza”.

      • A seletividade e o partidarismo do ex-juiz Sergio Moro fica cada dia mais evidente à medida em que avançam as investigações da Lava Jato sobre o PSDB.

        Não por coincidência: o muro de proteção dos tucanões de estimação está caindo depois que Moro deixou a República de Curitiba para ser ministro da Justiça de Jair Bolsonaro.

        Beto Richa, ex-governador tucano do Paraná, está preso, acusado de vários crimes de corrupção.

        Paulo Preto, o célebre operador dos tucanos graúdos de São Paulo, também está preso.

        Aloyzio Nunes Ferreira, ex-chanceler tucano, foi alvo de buscas e apreensão em seus domicílios, e também está sendo investigado.

        Em todas as notícias sobre as novas investigações da Lava Jato envolvendo tucanos, aparece lateralmente o nome do ex-governador José Serra.

        Em jogo estão R$ 100 milhões em propinas que Paulo Preto teria guardado num apartamento em São Paulo e outros US$ 100 milhões em contas na Suíça.

        • Ricardo Kotscho
          Ricardo Kotscho é jornalista e integra o Jornalistas pela Democracia. Recebeu quatro vezes o Prêmio Esso de Jornalismo e é autor de vários livros.

          Já repararam? A Lava Jato só avança no PSDB agora, depois que Moro saiu de Curitiba
          “A seletividade e o partidarismo do ex-juiz Sergio Moro fica cada dia mais evidente à medida em que avançam as investigações da Lava Jato sobre o PSDB” diz Ricardo Kotscho, do Jornalistas pela Democracia; “Não por coincidência: o muro de proteção dos tucanões de estimação está caindo depois que Moro deixou a República de Curitiba para ser ministro da Justiça de Jair Bolsonaro”; “Nem Gilmar Mendes está mais segurando a barra. Os tucanos que se cuidem”

    • Sr. Sylvio Rocha,

      É por isso que argumentei aos comentaristas e leitores que leem mas não comentam na TI , em todos os cantos do Brasil, que em hipótese alguma, já nas próximas eleições municipais, que em hipótese alguma votem em candidatos a prefeitos ou vereadores da siglo PSDB , ou candidatos apoiados pelo PSDB. Quem fizer isso estará dando tiro no próprio pé. O PSDB não presta !

  2. Como todos os partidos, multilateral e estatutariamente APÁTRIDAS, escravos dos vampirismos e $abore$ do “Alcoviteiro Conglomerado”, quais sejam: “Mãe da Impunidade & Congeneres & Ecumenicas Meretrizes & Más Companhias Ilimitadas, fazendo brotar incomodas urticárias à um assim incurável corpo nacional!

  3. Acho mais fácil o Daciolo se eleger presidente que qualquer tucano. O PSDB acabou, muito merecidamente, pelos malfeitos que praticou no poder, inclusive comprar a reeleição para se perpetuar no governo, e ninguém sente sua falta. O PSDB está tão no fundo do poço que qualquer figura um pouco mais notória é vista como presidenciável, até esse Eduardo Leite, que ninguém conhece fora do RS, está a menos de um ano no governo, e quase com certeza em 2022 não terá nem como se reeleger governador, como ocorreu com todos seus antecessores desde Antonio Britto, outro futuro presidente que deu em nada. provavelmente Leite está sendo citado agora porque não encontraram trouxas suficientes para comprar a candidatura do Luciano Huck, e é preciso fingir que o PSDB não tem o Doria como única opção.

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