PSDB mostra timidez até em propaganda na televisão

Pedro do Coutto 

O PSDB iniciou na noite de quinta-feira no horário destinado à  propaganda partidária uma campanha de críticas ao governo focalizando o atraso (inegável) das obras para a Copa do Mundo de 2014. Utilizam um ator quase desconhecido – conforme comenta Vera Magalhães na Folha de São Paulo de sexta-feira – deixando claro o temor de mostrar a face dos autores das críticas. Não querendo se expor individualmente assumem portanto uma postura mais defensiva do que ofensiva. Não vai pegar, não vai surtir efeito. Não é por aí o caminho de contestação política da oposição e dos oposicionistas.

Propaganda é como texto de jornal: tem que possuir autor, verbo, objeto, tempo e conteúdo. É vago dizer que as obras de reforma dos estádios encontram-se atrasadas. A afirmação, inclusive, deve ser sustentada por imagens. Não foi.

O meio não é a mensagem, ao contrário do que na década de 50 sustentou Marshall McLuhan, grande teórico – mas não prático – da comunicação. O meio pode ser fundamental para maior amplitude da mensagem, porém não tem força para substituir o conteúdo concreto. A comunicação jornalística é como um teorema: tem que ser comprovada na prática. Não pode ser lançada à conta apenas de um axioma publicitário que se utiliza de slogans sem exigência de comprovação.

O grande Orson Welles também se equivocou quando Charles Foster Kane, o personagem que representava inspirado no magnata de imprensa Randolph Hearst, afirma que qualquer notícia é importante no alto da primeira página em três colunas. Não é assim. O gênio errou, apesar de sua experiência como jornalista profissional. Nem sempre as três colunas no alto da primeira acrescentam e estimulam o interesse dos leitores. Pode ser que sim, pode ser que não. Depende.

O fato preponderante é que as matérias publicadas, para serem levadas a sério, têm que possuir autor. Uma questão intrínseca de responsabilidade. Perdem a força, e até despertam suspeitas, quando os sujeitos das frases não aparecem clara e nitidamente. Muito comum em colunas, pouco comuns no corpo dos jornais. Não estou, é claro, me referindo aos textos de análise. Mas aos textos informativos. A não identificação das fontes é coisa de passado. Perdem a força porque dão margem a dúvidas e interpretações as mais diversas.

Os tucanos, ao abrirem o bico para ferir o governo com suas críticas, e elas, no caso da Copa de 2014 são verdadeiras, deveriam entrar na tela e projetar-se nas páginas dos jornais e nas ondas das emissoras de rádio. A sombra do anonimato enfraquece o ímpeto do ataque. Como se diz no boxe americano, transforma o soco agressivo em acariciante. Aliás como acontece com certos jornalistas cujos textos mais parecem um frágil conselho a quem disfarçadamente fingem criticar. Mas esta é outra questão.

As mensagens têm que ser humanizadas. A começar por mostrar a face dos seus autores.  A humanização é tão essencial que se estende à presença de seres humanos, caso da TV, nos filmes produzidos. A campanha de 65, no Rio, quando Negrão de Lima derrotou Flexa Ribeiro, que tinha o apoio de Carlos Lacerda, é um exemplo. Deu margem – me lembro bem – a um amplo debate sobre a ausência de homens, mulheres, meninos e meninas nas diversas sequências da propaganda comandada por Lacerda. Ele fez muitas obras: túnel Rebouças, urbanização do parque do Flamengo, adutora do Guandu, pontes e viadutos. Tudo isso aparecia. Mas não havia a presença de um ser humano sequer. A partir daí, a propaganda descobriu a humanização. Mas não a editada na quinta-feira pelo PSDB. Foi um erro enorme. Não ganhou força. Não repercutiu nada. Dinheiro jogado fora.

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