PSDB oculta FHC e portanto confessa a derrota

Pedro do Coutto

Uma reportagem extremamente importante de Noeli Menezes, Fernanda Odília e Patrícia Gomes, publicada na Folha de São Paulo de 25 de março, ontem portanto, traçou previamente o rumo da sucessão presidencial deste ano. Ao focalizar os preparativos para o lançamento da candidatura de José Serra, marcada para 1º de abril, informou que o PSDB decidiu ocultar a figura de Fernando Henrique Cardoso, colocando-o fora até da lista de oradores do evento. Impressionante.

Para piorar as coisas, a Folha destacou o encontro de FHC com o ex-senador Joaquim Roriz, que renunciou ao mandato de oito anos. Com antecipação enorme, para não ser cassado, por corrupção, focalizado recebendo dinheiro num galpão de Brasília do empresário Henê Constantino.

O PSDB fez exatamente o que o presidente Lula e a candidata Dilma Roussef queriam. Transformar o embate num plebiscito entre a administração de FHC, um desastre, com a de Luis Inácio da Silva, um sucesso de popularidade, longe das eleições. Basta agora ao PT e ao Planalto cobrarem de Serra as realizações de FHC e o conceito popular feito a seu respeito. Não é preciso mais nada.

A direção do PSDB jogou a toalha cedo demais. Talvez tenha trocado a sucessão presidencial pela de alguns estados como o Rio de Janeiro, onde Lula aparenta estar rompido com Sergio Cabral, por inexperiência e infantilidade deste. Cabral – recordam-se leitores- ameaçou não votar em Dilma Roussef se ela aceitasse subir no palanque também de Anthony Garotinho. A ameaça direta não se enquadra na política. Ao contrario. Força os protagonistas a aceitarem o enfrentamento.

O corte dos royalties do petróleo foi uma resposta. E não a única. Depois da primeira tentativa de emenda constitucional, o governo partiu para o campo  legal capaz de diminuir à metade o recebimento dos royalties de 4,9 bilhões de reais para apenas 2,8 bilhões já este ano, corte de 5% no orçamento do RJ já este ano. O mais atingido – Sergio Cabral.

O governador Cabral, aliás, vem demonstrando desequilíbrio emocional. Num dia chora ao receber a notícia do corte dos royalties. No outro, organiza uma passeata à base de samba e sai contando e dançando pelo centro das ruas do Rio. Agora, com o novo projeto Ibsen Pinheiro, não mais inconstitucional, o governador chora novamente ou retira o apoio a Dilma Roussef, abre uma dissidência no PMDB e apoiará Serra? Ninguém pode duvidar que ele fará. Mas não há dúvida quanto a disposição do Palácio do Planalto de isolá-lo das articulações necessárias. Política é assim. A duplicidade torna-se um estilo. Como disse Tenesse Willians na Gata em Teto de Zinco Quente, a mendacidade é o nosso sistema.

Duplicidade rima com mendacidade. Há poucos dias, por exemplo, morreu um político, aos 90 anos de idade, marcado pela duplicidade. Sua memória foi execrada pelos jornalistas da nova geração que só o conheceram pela face ditatorial como ministro da Justiça do governo Ernesto Geisel. Era o homem do nada a declarar. Isso na triste fase final de sua vida. Mas, a bem da verdade, nem sempre foi assim. Eu me lembro dele em 54, 55 e 56. E posso afirmar: acabou indo para o céu. Pois não fosse ele ter envolvido  general Teixeira Lott, Juscelino Kubitshek  não teria assumido a presidência em janeiro de 56.

Foi Falcão que trouxe Lott para o campo da legalidade, afastando-o das pregações de Carlos Lacerda, que tentou violar todos os resultados eleitorais que perdeu. Falcão, na verdade, foi o grande líder parlamentar da vitória da Legalidade. Nem Caxias foi maior do que Lott, frase sua que ficou famosa, ao comparar o ministro ao patrono do Exercito. Falcão, apesar de tudo, descanse em paz. Não fosse você, não haveria os anos dourados de JK.

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