PT arma uma manobra para Lula escapar dos debates e Bolsonaro segue o exemplo

Lula x Bolsonaro: 3 leituras da nova pesquisa sobre a eleição 2022 - PCdoB

Charge do Amarildo (Arquivo Google)

Carlos Newton

Desde 26 de setembro de 1960, quando a rede CBS levou ao ar o primeiro confronto ao vivo entre presidenciáveis norte-americanos (o democrata John Kennedy, senador de Massachusetts, e o republicano Richard Nixon, vice-presidente em exercício), a política mudou e os debates passaram a ser fundamentais para as eleições. Houve três outros programas e um deles, pela ABC News, foi virtual, porque Kennedy estava em Nova York e Nixon em Los Angeles, e os dois foram mostrados em uma tela dividida, enquanto o moderador Bill Shadel estava em Chicago.

No primeiro debate, Nixon bobeou. Confiante nas pesquisas, que lhe davam seis pontos de vantagem em relação a Kennedy, que era menos famoso, Nixon nem quis raspar novamente a barba e recusou maquiagem. Resultado, uma imagem ruim em relação ao visual privilegiado do adversário.

DEBATES, SEMPRE – Foi uma eleição duríssima na matriz U.S.A., pois Kennedy venceu com vantagem de 112.827 votos, ou seja, apenas 0,1% do voto popular, mas conseguiu 303 votos contra 219 no Colégio Eleitoral. E desde então nunca mais houve disputas presidenciais em países democráticos sem a realização de debates.

Aqui na filial Brazil, o PT agora arma uma jogada para tirar Lula dos debates. O partido sabe que os adversários vão explorar os fatos negativos da vida pregressa de Lula, como a atuação de informante do regime militar, o enriquecimento ilícito, o mensalão, o petrolão, a contratação da amante, as românticas viagens pagas pelo poder público e tudo o mais.

Sabendo que jamais haverá entendimento entre as emissoras, o PT pediu à Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão que os veículos de comunicação se organizem em formato de pool para realizar apenas três debates nos 45 dias de campanha .

BOLSONARO, IDEM – O presidente Jair Bolsonaro também sabe que não se sairá bem nos debates. Na eleição passada, faltou aos todos eles, alegando estar se recuperando da facada desferida pelo doente mental Adélio Bispo, circunstância que não o impediu de dar longas entrevistas às TVs.

Agora, sabendo da resistência de Lula em comparecer aos debates, Bolsonaro aproveita a deixa e anuncia que somente participará se o candidato petista estiver presente. Assim, como Lula não irá a nenhum deles, Bolsonaro também estará de fora, fazendo olhar de paisagem.

Já estão marcados cinco debates, programados pelas emissoras CNN, SBT, Band, Record e Globo, em parceria com jornais, rádios e revistas, através de transmissão em várias plataformas e duração aproximada de duas horas. Mas dificilmente serão realizados.

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P.S. –
Como se vê, em matéria de respeito às práticas da democracia pleno, a filial Brazil continua muito aquém em relação à matriz U.S.A. Aqui, nem Lula nem Bolsonaro aceitam participar de debates. Se isso ocorresse nos EUA, os dois estariam eliminados da política, porque seriam considerados covardes e ninguém jamais votaria neles. (C.N.)

8 thoughts on “PT arma uma manobra para Lula escapar dos debates e Bolsonaro segue o exemplo

  1. É A INTELECTUALIDADE IDEALISTA, empática, desprendida, que vai aonde o povo sofrido está para socorrê-lo, que está sendo exterminada por bárbaros, psicopatas, sem empatia, sem escrúpulo e sem remorso. BRUNO E DOM, entre outros e outras idealistas que tb já se foram nas mesmas condições, lutando o bom combate à mercê de facínora$, somos nós amanhã, se hoje e doravante não batermos de frente, diariamente, contra o domínio e avanço dos psicopata$. O FATO É EMBLEMÁTICO, posto que representa a síntese da sinopse do resumo do esquema da mentalidade doentia dos psicopatas, de todas as estirpes e matizes, loucos por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, de todas as searas e segmentos sociais, capazes de tudo e qualquer coisa para lograrem os seus intento$, à moda todos os bônus para ele$ e o resto que se dane com os ônus, gentalha essa que, no frigir dos ovos, representa a desgraça da Humanidade em qualquer lugar que brote e prospere, e que no Brasil, infelizmente, ao que parece, sob a égide da república do militarismo e do partidarismo, politiqueiro$, e seus tentáculos, velhaco$, dominada por uma classe política pra lá de despreparada e desmoralizada, enquanto carro-chefe do conjunto da sociedade, avariado, encontrou campo fértil para germinar e prosperar em todo o território nacional, do Oiapoque ao Chuí, contra a possível boa convivência social de todas as demais estirpes da pirâmide social. Gentalha psicopata essa que tenho denunciado diuturnamente, há mais de 20 anos, e que, infelizmente e desgraçadamente, em grande medida, no voto, face ao sistema político apodrecido, mais furado do que queijo suíço, conseguiu invadir a seara política e até fazer maiorias em seu favor, aparelhando quase todos as instituições, com os seus partidos e loucuras pelo poder, inclusive as forças armadas, ao que parece, que, em tese, seria o último bastião defensivo honrado do conjunto da população, de modo que com mais de 40 anos de estudos nessa área, inclusive no front para não ficar só na teoria, não consigo ver outra saída alvissareira para o estágio de visível decadência terminal do conjunto da obra da república do militarismo e do partidarismo, politiqueiro$, e seus tentáculos, velhaco$, que aí está há 132 anos, com prazo de validade vencido há muito tempo, senão via Democracia Direta com Meritocracia, como proponho com a Revolução Pacifica do Leão, enquanto instrumento de resolução e pacificação da nação, com projeto próprio, novo e alternativo de política e de nação, pelo novo Brasil de verdade, confederativo, pela redenção da política, do país e da população que foram levados à loucura pelo sistema apodrecido, que urge ser revisto, enquanto ainda há tempo e rebarbas nas quais ainda podemos nos apegar, antes tarde do que nunca e antes que seja tarde demais. O Leão ruge e o tempo urge. http://www.tribunadainternet.com.br/e-impressionante-bolsonaro-arranja-sempre-um-jeito-de-piorar-a-imagem-do-brasil-no-exterior/?fbclid=IwAR0g3X6RvKuxn6-L394QBnELisVfXQx2BLszc8d8Ovyt7MvV2CKyxPsA608

  2. Narcotráfico matou Dom e Bruno. E agora?

    Por
    Luciano Trigo
    16/06/2022 // Gazeta do Povo.

    Um dos sinais mais tristes da degradação moral e da sordidez espiritual do nosso tempo é a exploração política da morte pelas carpideiras ideológicas. Como urubus em cima da carniça, nos últimos 10 dias a lacrosfera se mobilizou em peso nas redes sociais e na grande mídia para tentar jogar no colo do governo a responsabilidade pelo desaparecimento do indigenista Bruno Araújo Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips no Vale do Javari, na Amazônia.

    Parecia revolta? Era apenas vigarice. A indignação, como sempre, foi seletiva: a tragédia só interessava como pretexto para exibir virtude, ficar bem na fita e sabotar o adversário de sempre.

    Protestavam e derramavam lágrimas de crocodilo, mas no íntimo estavam comemorando. Porque, sempre que uma tragédia pode ser usada contra o governo e capitalizada politicamente, eles festejam, com mal disfarçado entusiasmo. Só querem palco, tribuna e palanque para ostentar superioridade moral e exercer seu ativismo.

    Que tristeza.

    Pois bem, para frustração dessa turma, ontem foi revelado que Dom e Bruno foram assassinados não por garimpeiros, nem por madeireiros, nem por desmatadores, nem pela policia fascista e genocida (isso, então, seria motivo de orgasmos), mas a mando de um narcotraficante: o peruano Rubens Villar Coelho, também conhecido como “Colômbia”.

    Aparentemente, a presença do jornalista e do indigenista estava prejudicando o transporte de cocaína na rota entre o Brasil e o Peru. Motivo suficiente para os dois serem amarrados em uma árvore, torturados, assassinados e eviscerados. É a lei do tráfico, e não é apenas em regiões remotas da Amazônia que essa lei impera.

    E agora? O que farão e dirão os justiceiros sociais? Por honestidade moral e intelectual, deveriam demonstrar indignação contra o narcotráfico que domina a região sem qualquer preocupação com a vida humana, muito menos com o meio ambiente. Mas, como escrevi neste artigo, contra traficante, no Brasil, ninguém faz protesto.

    Fosse sincera a indignação contra a tortura e o assassinato de Dom e Bruno, todos aqueles que fazem do gesto de apontar o dedo uma razão de viver demonstrariam agora revolta contra o narcotráfico, exigindo justiça e combate implacável aos criminosos. Ou não?

    Quando a indignação é seletiva, não é de indignação que se trata, apenas de estratégia e método

    O ator famoso, a funkeira empoderada, o imitador de foca, o fotógrafo premiado, o índio de passeata, o antropólogo esquerdopata, o jornalista checador de meme, os exilados em Paris, o youtuber de pronome neutro e todos aqueles que fizeram dos desparecidos pretexto para a militância do ódio do bem: será que algum deles dirá uma palavra sequer contra o tráfico? Podem esperar sentados: nunca disseram, não será agora que dirão.

    Estranhamente, nessas horas, os indignados se recolhem a um silêncio quase reverente. Talvez porque, politicamente, estejam do mesmo lado do mandante dos assassinatos. Ou são partidos e governos de direita que a indústria da droga financia na América Latina? Ou são de direita os chamados “narcogovernos” da Bolívia, da Colômbia, da Venezuela e do México? Que partidos e governos são apoiados pelas Farc? São de direita?

    Para ilustrar a relatividade moral dessa gente, basta lembrar o caso das três crianças de Belford Roxo barbaramente torturadas e assassinadas por traficantes, em dezembro de 2021, tema deste artigo.

    Pobres e negros, três meninos foram executados por causa de uma gaiola de passarinho. Onde estavam os virtuosos que nos últimos dias demonstraram tanta indignação com o desaparecimento de Dom e Bruno? Não derramaram uma lágrima, não disseram um “ai”.

    Desconfie de quem só protesta contra mortes que podem ser capitalizadas politicamente. Quando a indignação é seletiva, não é de indignação que se trata, apenas de estratégia e método.

    Tivessem sido as crianças de Belford Roxo assassinadas por policiais, aí sim elas seriam dignas da revolta da militância progressista. Mas os assassinos eram traficantes, então os virtuosos ficaram em silêncio, fazendo de conta que não era com eles. Negras ou brancas, vidas não importam quando quem as tira é o dono da boca que se frequenta, ainda que simbolicamente.

    De maneira similar, tivessem sido outros os assassinos, Dom Phillips e Bruno Pereira renderiam protestos até a eleição. Faixas e cartazes com a pergunta “Quem matou Dom e Bruno?” seriam exaustivamente exibidos em horário nobre. Não faltaria gente insinuando que o crime foi encomendado pelo próprio presidente.

    Mas, como agora se sabe que quem mandou matar Dom e Bruno foi um traficante, subitamente o mandante do crime deixou de ter importância. A mídia deixará de lado esse “detalhe” para tentar espremer os últimos dividendos do caso, depois vai abandonar o assunto. (Você viu manchetes destacando a identidade e a ocupação do mandante? Nem eu.)

    Como foi um traficante que mandou torturar, eviscerar e matar Dom Phillips e Bruno Pereira, não haverá mais como capitalizar politicamente a tragédia. De novo, não foi dessa vez.
    As carpideiras ideológicas vão ter que torcer por outros cadáveres para explorar.

  3. “Cícero (106-43 a.C.), na sua mais conhecida obra “As catilinárias”. No século I antes de Cristo, Cícero nos alerta:
    “Uma nação pode sobreviver aos idiotas e até aos gananciosos. Mas não pode sobreviver à traição gerada dentro de si mesma. Um inimigo exterior não é tão perigoso, porque é conhecido e carrega suas bandeiras abertamente. Mas o traidor se move livremente dentro do governo, seus melífluos sussurros são ouvidos entre todos e ecoam no próprio vestíbulo do Estado. E esse traidor não parece ser um traidor; ele fala com familiaridade a suas vítimas, usa sua face e suas roupas e apela aos sentimentos que se alojam no coração de todas as pessoas. Ele arruína as raízes da sociedade; ele trabalha em segredo e oculto na noite para demolir as fundações da nação; ele infecta o corpo político a tal ponto que este sucumbe. Deve-se temê-lo mais que a um assassino”.
    PS. Eis porquê, diante dessas renovadas “infestações” os assim asfixiados países, naufragam!

  4. Caro CN, falar em indignação seletiva, o fato apontado não é de hoje. FHC, e depois os próprios Lula (que eu me lembre) e Bolsonaro, graças à facada, tambem não foram a debates.

    • Você tem toda razão, amigo Silvio Amorim. A matéria ficou incompleta, porque os políticos aqui da filial realmente têm pavor de debate. Por que será?

      Forte abraço,

      CN

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