PT continua dividido sobre a saída imediata de Lula da disputa presidencial

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Charge do Jota A (Jornal O Dia/PI)

Alessandra Azevedo e Renato Souza
Correio Braziliense

Com o candidato oficial do partido preso em Curitiba e ausente do primeiro debate entre os presidenciáveis, o PT reavalia a estratégia para a campanha. A sigla continua decidida a registrar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 15 de agosto, mas repensa o que fazer a partir de então. Com base em levantamentos internos, a direção do PT já avalia que a próxima pesquisa eleitoral vai mostrar uma queda na intenção de votos em Lula — reflexo da ausência no debate e sintoma da necessidade de uma mudança de rumos.

A legenda está dividida sobre como agir nos próximos dias para não piorar o quadro e perder algo em torno de 20% a 30% do eleitorado que Lula ostenta até agora, a depender do cenário.

DEBATES – A última esperança de boa parte dos petistas é que, quando a candidatura for oficializada, a Justiça o libere para participar de debates. As divergências internas ficam mais fortes diante da possibilidade de que venha outra negativa do Judiciário em relação à possibilidade dele fazer campanha — como ocorreu esta semana — ou a decisão do TSE de impugnar a candidatura do ex-presidente, algo que a direção do partido espera que aconteça até uma semana depois dos registros, em 22 de agosto.

Em qualquer um desses casos, uma ala defende a troca imediata do nome dele pelo do vice, Fernando Haddad, enquanto outra aposta em recursos para esticar a exposição de Lula como candidato.

A segunda corrente, da qual fazem parte a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e o senador Lindbergh Farias (RJ), é favorável à manutenção de Lula como cabeça de chapa o máximo de tempo possível, mesmo depois que o TSE decidir pela nulidade da candidatura.

RECURSOS – Gleisi e Lindbergh defendem a apresentação de recursos, o que esticaria o tempo dele como candidato por mais alguns dias, porque entendem que desistir antes de o TSE tomar uma decisão iria contra o argumento defendido pela legenda até agora, de que Lula é um preso político e está sendo injustamente impedido de participar das eleições.

“Eles vão ter que abrir mão em algum momento, mas acredito que evitam fazer isso muito cedo para não enfraquecer o discurso”, avalia o cientista político Sérgio Praça, da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Mesmo admitindo que é necessário um “selo” da impugnação do TSE para abrir mão do nome do ex-presidente sem cair em contradições, outro grupo quer que Haddad assuma o quanto antes a chapa, assim que a Corte decidir negar a candidatura.

SAÍDA IMEDIATA – Entre os defensores dessa ideia estão o senador Jorge Viana (AC) e o ex-governador da Bahia e ex-ministro da Casa Civil Jaques Wagner. Essa ala considera muito arriscado deixar o PT sem representação nos debates e, talvez, na propaganda eleitoral gratuita, a depender de decisão judicial a respeito desse assunto. “O problema é convencer Lula disso”, disse um cacique petista.

Um dos riscos de manter a candidatura de Lula até o fim é de que o partido perca votos por não aparecer o suficiente, o que, em uma corrida fragmentada como a que se desenha, é um perigo real de que o PT não chegue ao segundo turno. Enquanto outros candidatos se expõem, ganham destaque e conseguem apresentar propostas, o petista está, literalmente, isolado. O partido está perdendo “preciosos dias de campanha para apresentar Haddad”, que é pouco conhecido em nível nacional, pondera o cientista político Sérgio Praça.

ESTRATÉGIA – A reavaliação da estratégia petista ficou clara em entrevista coletiva concedida na tarde de ontem por Gleisi, após visita a Lula, em Curitiba. Apesar de ter reafirmado que o ex-presidente é o candidato oficial do partido, que o nome dele será registrado em 15 de agosto e que é a foto dele que estará nas urnas em 7 de outubro, a senadora fez uma observação que sinaliza para uma mudança de rumos ao relembrar que, “durante a campanha, o nosso candidato a vice é o porta-voz do presidente”.

Segundo Gleisi, Haddad “vai andar o Brasil, vai fazer os debates, vai participar das sabatinas, vai ser a voz de Lula, do nosso programa, do nosso projeto para o povo brasileiro” — ou seja, fará todas as tarefas atribuídas a um candidato cabeça de chapa, não ao vice.

INVISÍVEL – Os receios do partido ficaram ainda maiores diante da pouca visibilidade do “debate alternativo” promovido por Haddad e a aliada Manuela D’Ávila (PCdoB) — vice-candidata, quando Lula sair de cena — ao vivo na internet, durante o debate de quinta-feira.

As visualizações foram muito abaixo do que os petistas esperavam. Apenas 44,8 mil visualizações, contra 2,6 milhões que viram o debate oficial, sem representante do PT e quase nenhuma menção à candidatura de Lula, que foi encarado pelos candidatos como página virada.

O partido tentou minimizar o fato de Lula ter sido pouco mencionado e da ausência dele não ter sido suprida pelo debate paralelo.

DIZ GLEISI – Sexta-feira, em entrevista coletiva em Curitiba, após visitar o ex-presidente na sede da Polícia Federal, em Curitiba, a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, afirmou que ele “só viu um pedaço do debate”, que considerou “sem propostas”. Mas, nos bastidores, a ausência preocupa muitos dirigentes do partido.

Depois de ter sido invisibilizado no debate, Lula corre o risco de não aparecer no horário eleitoral gratuito, que começa em 31 de agosto, segundo a especialista em direito eleitoral Karina Kufa. Se a justiça criminal não autorizá-lo a participar das propagandas oficiais na televisão e no rádio, ele não pode ser substituído pelo vice, explica. “É a mesma lógica do debate”, diz. A propaganda eleitoral gratuita vai até 4 de outubro, três dias antes do primeiro turno.

15 thoughts on “PT continua dividido sobre a saída imediata de Lula da disputa presidencial

  1. Os adeptos da seita petistas não passam de 17% do eleitorado. Os outros votos seriam dos “clientes” do populismo que votam em Lula por causa do Bolsa Família, por exemplo. Se o próximo Presidente “incrementar” de alguma forma o Bolsa Família, Lula vai morrer esquecido no xadrez e o PT vai virar mais um nanico da extrema esquerda como o PSOL e o PC do B.

  2. Debate da chapa PT-PC do B na internet: audiência de 3 milhões

    Levantamento detalhado nas redes sociais mostra que a audiência do debate da chapa PT-PC do B (Lula-Haddad-Manuela) realizado na quinta-feira (9) à noite foi um recorde: a audiência superou a casa de 3 milhões de visualizações.

    É um levantamento detalhado mas ainda parcial, pela característica de horizontalidade e dispersão da internet.

    A audiência de 3.071.000 foi alcançada por uma rede de 25 páginas -20 no Facebook e cinco no YouTube.

    A transmissão que concentrou mais visualizações no Facebook foi a da página de Lula: 980 mil. No YouTube, a TV 247 foi a líder em visualizações: 257 mil.

    Estes números foram apurados entre 16h00 e 17h deste sábado (11) e continuam a crescer.

    Diga não as fake news

  3. É hilário ver os esforços repetitivos quase dementes de algumas mentes tão estranhas quanto hilárias neste espaço que tentam o tempo todo, teimosa e repetitivamente, até à moda nazifascista, parar uma locomotiva a 80 Km/h segurando-a pelo ponteiro do velocímetro. Não conseguem entender, ou não aceitam o fato, que da conta do que está desequilibrando a disputa eleitoral é muito mais do que o Lula e seu PT, é, isto sim, o imaginário popular, a memória de um governo que realizou em grande parte da população, dos três andares, pobres, remediados e ricos, os seus sonhos de consumo, e até o sonho de viver sem precisar trabalhar, sob o qual até os banqueiros nunca ganharam tanto dinheiro, sem ter em conta as consequências da loucura financeira que inclusive entupiu todas as garagens, estacionamentos e ruas do país de veículos, carros, motos…, um período de vacas gordas como nunca antes visto na história deste país, sendo essa a impressão que restou do governo Lula no imaginário da população, que jamais será apagada, impressão essa que só se fortalece com Lula sendo mantido na cadeia, como aquele cara que tem que ser mantido fora do jogo senão ele desequilibra a disputa, fato esse que demonstra a fragilidade dos seus adversários, que afeiçoam-se a “pigmeus”, “pobres coitados”, “sem projetos”, como definidos pelo arremedo de presidente, Michel Temer, posto que, na verdade, sem projeto novo e alternativo de política e de nação, como propõe a RPL-PNBC-DD-ME, capaz de fazer o contraponto ideal à hegemonia do Lula e seu PT, não são páreo à altura para o retorno do governo Lula-PT, que, com a ausência do novo de verdade nas eleições, continuam de vento em popa, já garantidos no segundo turno, para delírio dos seus desafetos cabeças, de bagre.

    • A candidatura Lula, em que pese as fantasias discursivas inventadas e desejada pelos seus adversários, vai a registro, conforme a legislação em vigor, poderá ser impugnada no prazo legal pelo MPF ou por seus adversários, o pedido de registro será julgado no prazo legal pelo TSE (que já absolveu a chapa Dilma-Temer, não obstante a avalanche de provas palpáveis, diferente do caso Lula), e se indeferido com base na inelegibilidade da condenação em segunda instância, caberá recurso até ao STF, que, em última instância, poderá indeferir ou deferir o registro da candidatura. Portanto, é esse o cara que os seus adversários terão que enfrentar, ou desocupar a moita para que o Leão entre em cena e o enfrente na moral e no jogo limpo.

  4. Lula? quem é Lula?
    Ah, sim. Parece que foi um chefe de quadrilha, que os brasileiros, privados de educacao e de informação de qualidade, deixaram roubar e destruir o Brasil por longos 15 anos…ouvi dizer que está PRESO, e deve assim ficar por muuuitos anos!!!

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