PT desiste de ministérios e agora exige cargos federais

Ricardo Galhardo
O Estado de S. Paulo

Conformado com a perda de espaço no ministério do segundo governo Dilma Rousseff, o PT prepara um avanço sobre os cargos de confiança do governo federal nos Estados e em grandes municípios como forma de reverter pelo menos em parte o prejuízo. A ideia é fazer uma espécie de “recall” dos cerca de 15 mil postos federais fora de Brasília identificando indicações politicamente obsoletas e ocupando os espaços.

“Estamos fazendo um mapa dos cargos federais nos Estados para saber quem é quem, quem indicou, qual a avaliação que a gente tem disso, e fazer uma proposta (de nomes à presidente)”, disse o presidente nacional do PT, Rui Falcão.

A última vez que o partido mapeou os cargos federais espalhados pelo Brasil foi em 2003, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o Planalto. Na época, o encarregado do inventário foi o então secretário nacional de Organização do PT, Sílvio Pereira, que chegou a ter uma sala para trabalhar no Palácio do Planalto.

Dois anos depois, no auge do escândalo do mensalão, Silvinho, como é conhecido, pediu desfiliação do PT sob acusação de ter ganho um Land Rover de presente de uma empreiteira que tinha negócios com o governo federal. O ex-dirigente petista agia sob o comando do então ministro da Casa Civil José Dirceu, que cumpre prisão domiciliar pela condenação no mensalão.

CAMINHO DIFERENTE

Desta vez, o PT optou por um caminho diferente. Em vez de fazer o levantamento a partir de Brasília, a Secretaria Nacional de Organização do partido foi incumbida de elaborar um mapeamento minucioso, Estado por Estado, com base em informações repassadas pelos diretórios regionais da sigla.

O objetivo é identificar as vagas cujas indicações “caducaram” politicamente, seja porque os padrinhos perderam prestígio, seja em função do realinhamento de partidos que apoiaram o governo Lula e hoje fazem oposição à gestão Dilma Rousseff.

“A ideia é melhorar a representatividade. Às vezes, tem gente lá que não representa mais as forças que compõem a base do governo”, disse o atual secretário nacional de Organização do PT, Florisvaldo Souza.

Segundo ele, existe ainda uma terceira categoria de ocupantes destes postos federais que são os técnicos de carreira alçados a postos de confiança automaticamente depois que os indicados políticos deixaram as vagas. Eles também estão na mira do PT.

“Tem lugares em que a pessoa indicada saiu e acabou ficando algum técnico de carreira, sem qualquer compromisso político”, disse o dirigente petista.

BAIXO CLERO

Segundo fontes do partido, os principais objetivos do levantamento são acomodar o chamado baixo clero petista e manter uma margem de manobra para negociar a composição da base de apoio ao segundo mandato de Dilma na Câmara.

Entre os alvos estão indicações feitas pelo PSB, hoje na oposição, que sobreviveram ao desembarque do partido do governo, em 2013, apadrinhados por ex-senadores e ex-governadores hoje aposentados – a exemplo de José Sarney (PMDB) – e até petistas que perderam o poder ou se envolveram em escândalos.

De acordo com o Boletim Estatístico de Pessoal do Ministério do Planejamento, existem quase 23 mil cargos de confiança em todo o governo federal. Os salários vão de R$ 2,1 mil a R$ 12,9 mil. O ministério não soube informar quantos destes cargos estão fora da capital federal, mas o PT estima em dois terços desse contingente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O primarismo da política brasileira é impressionante. Os dirigentes partidários não têm o menor pudor em afastar técnicos renomados e substituí-los por militantes sem qualificação. O resultado é óbvio – uma administração pública incompetente, leniente e corrupta. A tal reforma política deveria restringir ao máximo os cargos políticos, digamos assim. Mas quem se interessa? (C.N.)

16 thoughts on “PT desiste de ministérios e agora exige cargos federais

  1. Com o Cid Gomes na educacao e o Aldo Rebelo na ciencia e tecnologia vamos virar uma grande e policromatica Uganda , sob a regencia da czarina Dilma Amin Dada Yossef.
    Um otimo Natal a todos amigos da Tribuna !

  2. A tradição na deletéria e abjeta política brasileira é que ao vencer as eleições para presidente, governador ou prefeito, obteve-se um prêmio, que significa usar o poder para benefício do vitorioso e de seus partidos, além dos aliados de plantão.
    A eleição não foi para trabalhar em prol do povo ou resolver as questões nacionais, não, ela outorgou aos parlamentares e governantes o “direito” de dividirem a “taça” com os companheiros, então o preenchimento de cargos em profusão e, a cada novo chefe do Executivo tais vagas aumentam, justamente obtendo maior quantidade de eleitores para o partido e seus candidatos, diante do esforço para permanecerem usufruindo do cargo obtido com tanta humilhação e súplica para uma função no funcionalismo sem concurso!
    Pois esta liberalidade é outro vício que deveria ser proibido.
    Lembro-me de dois, que somados a este, deveríamos bater nesta tecla, se cncordarem comigo, evidentemente:

    1 – parlamentares não podem se conceder aumentos de salários, acima da inflação;
    2 – a presidência da República não pode nomear diretores às estatais que não sejam funcionários da própria empresa, portanto, de carreira, e que sejam comprovadamente apartidários;
    3 – Proibidas as contratações de FGs ou CCs. Com exceção dos ministros, somente entram para o funcionalismo público à base de concurso.

    Na verdade ou o povo limita os poderes hoje infinitos do Congresso e Executivo ou, então, seremos exterminados pela gana do enriquecimento ilícito, corrupção, desonestidade, fisiologismo explícito e a transformação do Brasil em cofre aberto aos “vencedores” nas eleições, invariavelmente ladrões que, a cada período eleitoral, mais refinados se apresentam para dilapidar o patrimônio nacional e usar o povo despudoradamente!
    (Quem tiver mais sugestões para diminuir este ímpeto de tirania sobre o nosso País, por favor, completa a lista)

  3. amigos
    Nada diferente com ocorre em nossa pátria desde sempre.
    Divisão da sociedade e sólida organização da máfia política. Hoje um, amanhã o outro, Mas todos iguais. Basta ver-se as origem de muitos do líderes e dos fiéis escudeiros. De partido em partido se aboletando no poder.
    Muitos ministérios e poucos ministros competentes e afeitos as tarefas que estão sendo confiadas. Alguns caso são mais do que ridículos.
    Ontem, inimigos mortais. Hoje, aliados amorais. Padilha volta ao poder. Quem diria: ministro de FFHH agora de Dillma
    Mas tudo pela governabilidade, atualmente com o significado de negociando para poder continuar fazendo as mesmas coisas, sem perturbação da sociedade.
    O que esperar-se de um psicopata administrando um berçário?
    O que a parcela consciente da sociedade pode esperar do futuro/mesmo governo?
    Quando se fazem as coisas com os mesmos ingredientes e do mesmo jeito, o resultado também será o mesmo.
    Na área da educação, o indicado é realmente El Cid? grandes avanços, na mesma direção.
    Vamos orar (resta-nos pouco mais do que isto) e esperar que Deus continue brasileiro.

  4. É irretocável a nota da redação do Blog.

    O fisiologismo político e o aparelhamento estatal com os boçais que garantem a sustentação partidária com o seu dízimo é puro crime de lesa-pátria.

    E para ninguém esquecer, nas palavras do Paulo César Regis de Souza – Vice Presidente Executivo da Associação Nacional dos Servidores da Previdência e da Seguridade Social -, sobre a administração petista:

    “Criaram 39 ministérios e colocaram 30 mil terceirizados, 30 mil temporários, 6 mil “consultores” externos, sem concurso, aparelhando o Serviço Público Federal.”

  5. Faço minhas as suas palavras no comentário, Carlos Newton. O impressionante é a declaração de um deles, querendo dar a entender que é um grande defeito ter um orgão comandado por um técnico de carreira “sem qualquer compromisso político”. Na visão dessa ralé é impossível de existir uma pessoa assim. Acham que todos os que não estão com eles estão contra eles.

  6. Essa IMUNDA forma brasileira de governar distribuindo cargos atrapalha violentamente o crescimento e o desenvolvimento deste país! É simples assim!

    E ficamos cada vez mais enojados percebendo que tal política (aperfeiçoada ao máximo pelo PT) já nem envergonha mais a turma que negocia cargos em troca de apoio, abertamente e sob a luz do dia.

    País de m…

  7. Caros amigos Juca e Isac,
    Impressionante quando alguns comentários de origem absolutamente diferente (autores que sequer se conhecem pessoalmente), expressam o teor que gostaríamos de ter escrito.
    Há uma certa similaridade nos textos meus com os do Fallavena quando o tema é política, evidentemente ele sendo um hábil escritor e, eu, um mero escrevinhador.
    Mas os pensamentos às vezes são os mesmos, variando a maneira como são apresentados.
    Juca e Isac são dois dos expoentes deste blog incomparável, seja pela ironia e sarcasmo ou pelo conhecimento do assunto e inteligência superior.
    Meu abraço a ambos.

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