PT e PSDB, ordens religiosas sem religião

Carlos Chagas

Durante a campanha presidencial, as críticas da oposição e, em especial dos setores conservadores da produção, queixavam-se de que o governo Dilma, por interesses eleitorais, não queria atualizar os preços dos combustíveis, das tarifas de energia elétrica e, muito menos, aumentar os juros. Com isso crescia o perigo de a inflação desembestar.

Conquistada a reeleição, em manobra lamentável e pouco ética, a presidente fez tudo de uma vez. Anunciou aumentos na gasolina e no óleo diesel, reajustou em níveis cruéis a luz e a energia e aceitou, mas certamente autorizou, que os juros subissem 0.25%.

Coisa que todos os governos fazem, uns com mais, outros com menos desfaçatez. O povo que se dane, pois votou numa coisa e recebeu outra.

O problema é que os mesmos setores em guerra contra o congelamento agora criticam as atualizações de preços. Também são contraditórios, para dizer o mínimo. Malandros, demonstram estar menos preocupados com a economia do que com a disputa pelo poder. Porque da permanente e vertiginosa alta no lucro dos bancos, nem uma palavra. Muito menos sobre os índices de sonegação de impostos ou o contínuo fluxo de remessas especulativas para o exterior, mesmo quando os investimentos internacionais minguam a olhos vistos.

Tivesse sido Aécio Neves o vencedor e estariam invertidas as posições. Os companheiros se arregimentariam em furibunda oposição, denunciando a sanha dos ricos na exploração dos pobres, e os tucanos e seguidores exaltariam a verdade financeira.

O óbvio é que nada mudou. Apesar das exortações dos dois candidatos em prol de alterações fundamentais, no governo ambos serviriam a seus intuitos menos nobres. Tanto os eleitores de Dilma quanto os de Aécio permanecem órfãos de um poder público sempre prometido mas jamais concretizado. Resta-lhes ser suportados pela esperança de que um dia tudo vai mudar. São, tucanos e companheiros, ordens religiosas sem religião.

O MESMO DE SEMPRE

Existe na História uma regra inexorável, de que quando as oligarquias conquistam o poder, acabam terminando em tiranias. Estas despertam seus contrários e, de quando em quando, são depostas pela democracia, plena de propostas libertárias que acabam se transformando em desordem e libertinagem. De novo organizam-se as oligarquias e a roda gira outra vez.

Os ricos assustaram-se com os rumos tomados por João Goulart. Conspiraram, tumultuaram e acabaram encaminhando os militares ao poder. Deu em ditadura, que os anos desgastaram, ensejando a rebelião não apenas das massas, mas da opinião pública. Com a Nova República, mesmo demorando, vai emergindo a desordem. Organizam-se as oligarquias e o resultado, mesmo a longo prazo, já sabemos qual será.

 

4 thoughts on “PT e PSDB, ordens religiosas sem religião

  1. Tivesse Aécio vencido o PT faria isso, faria aquilo, faria o mesmo que o PSDB. A crônica do Tony Belloto ontem em O Globo também criticou aqueles que não aceitaram os resultados da eleição mas aproveitou e disse que o PT joga o povo contra a elite. Tudo para dizer que o PSDB e o P`T são iguais. Não são iguais mesmo. O PT nunca jogou o povo contra a elite, o povo é que sabe muito bem como é a elite brasileira, a classe média. Só para dar um exemplo da cultura exploratória temos o exemplo recente da carteira assinada para empregada doméstica onde foi a maior reclamação: Agora vou cobrar o almoço , o lanche, vai subir pelo elevador de serviço. Esquecem que o PT é o partido dos trabalhadores,e não interessa se é de nível superior, técnico, médio ou básico. É o partido dos trabalhadores. Quando que o PSDB esteve do lado do trabalhador ?

  2. Com todo respeito jornalista, me diga algo que eu não sei…

    Na visão do panorama que se abre a cada dia para todos os brasileiros, uma brasileira deve estar dormindo tranquila, todas as noites , com o sonho dos inocentes.
    A candidata que parou no primeiro turno, Marina Silva.

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