PT pede que Ministério Público investigue Aécio Neves, alegando que o enriquecimento do senador mineiro é pior do que o de Palocci. O MP vai ter muito trabalho, porque Aécio é rico há várias gerações. E Palocci?

Carlos Newton

Parece piada, mas é sério. Ao mesmo tempo em que tenta blindar Antonio Palocci de todas as formas e evitar que haja uma investigação sobre o enriquecimento ilícito do chefe da Casa Civil, o PT (com apoio do PMDB mineiro) ingressa na Procuradoria-Geral da República com pedido para que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) seja investigado por supostas sonegação fiscal e ocultação de patrimônio.

A representação é de um primarismo constrangedor. Ao invés de utilizar dados concretos para embasar a denúncia, o PT simplesmente anexou cópias da declaração de bens de Aécio, documentos sobre empresas de sua família e reproduções de multas de trânsito. Acusa o senador tucano de ter “hábitos caros e pouco comuns à maioria esmagadora da população”. Alega que Aécio leva uma vida “nababesca”, frequenta restaurantes de primeira linha, festas com celebridades e viaja em jatinhos, o que seria “incompatível com seus rendimentos”.

O mais curioso é que, segundo o deputado Rogério Correia, líder do bloco PT-PMDB-PCdoB na Assembléia mineira, o caso é “mais grave” que o de Palocci, pois Aécio Neves “era governador quando enriqueceu”.

O PT não sabe, mas está dando um tiro pé. A acusação não vai dar em nada e vai abrir a oportunidade de Aécio mostrar que é muito diferente de Palocci, porque já nasceu rico, filho do deputado federal Aécio Cunha, um dos maiores fazendeiros da região de Teófilo Otoni. Sua mãe, Inês Maria Neves de Faria, é filha de Tancredo Neves, que também era rico, mas dizia que político tinha de parecer pobre, por isso se comportava tão discretamente.

Depois que se separou de Aécio Cunha, Inês Maria se casou com o empresário mineiro Gilberto Faria, dono do Banco Real. Faria morreu em 2008, deixando a viúva ainda mais rica. Inclusive o jatinho que serve a Aécio é de propriedade da mãe, que o herdou. O prefixo do avião leva as letras GAF, que são as iniciais do antigo dono: Gilberto de Andrade Faria.

Se Palocci tivesse conhecido Tancredo, Palocci jamais compraria o apartamento de R$ 6,6 milhões, que tem aquecimento até no piso. Teria ficado na moita, enchendo as burras de dinheiro às custas dos outros burros, os contribuintes brasileiros, que no final sempre pagam as contas desonestas dos políticos.

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