PT quis trazer R$ 20 milhões para eleger Dilma, diz doleiro

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Youssef não trouxe o dinheiro por causa da Lava Jato

Andréia Sadi Gabriel e Mascarenhas
Folha

O doleiro Alberto Youssef disse à Justiça Eleitoral que foi procurado por um emissário da campanha da presidente Dilma Rousseff no ano passado para trazer de volta ao Brasil cerca de R$ 20 milhões depositados no exterior. Apontado como um dos principais operadores do esquema de corrupção descoberto na Petrobras, Youssef diz que foi procurado no início do ano e não executou a operação porque, em março, foi preso com a deflagração da Operação Lava Jato.

O novo depoimento do doleiro, ao qual a Folha teve acesso, foi dado em 9 de junho deste ano, em Curitiba, onde Youssef está preso. Ele foi tomada no âmbito de uma ação movida pelo PSDB contra Dilma no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) desde 2014.

A ação foi apresentada logo depois do fim da campanha presidencial, em que Dilma derrotou o senador Aécio Neves (PSDB-MG), e pede a cassação da chapa encabeçada pela petista por abuso de poder econômico e político.

UM TAL FELIPE

No depoimento, o doleiro não identifica com precisão a pessoa que o teria procurado para pedir ajuda, e deixa claro que não participou da campanha da presidente.

“Olha, uma pessoa de nome Felipe me procurou para trazer um dinheiro de fora e depois não me procurou mais. Aí aconteceu a questão da prisão, e eu nunca mais o vi”, disse Youssef à Justiça.

O doleiro falou do assunto depois de ser questionado sobre reportagem publicada no ano passado pela revista “Veja”, segundo a qual o PT havia pedido sua ajuda para repatriar os R$ 20 milhões.

O doleiro afirmou que Felipe não pertencia ao seu círculo de relações ou amizades, e que o conheceu por meio de um amigo chamado Charles, que tinha uma rede de restaurantes em São Paulo.

Youssef disse não se lembrar do sobrenome de Felipe. “Se não me engano, o pai dele tinha uma empreiteira. Não consigo me lembrar [do nome da empreiteira]”, disse.

Questionado se o dinheiro era para a campanha de Dilma, o doleiro respondeu: “Sim, mas não aconteceu”. Segundo Youssef, a conversa ocorreu 60 dias antes de sua prisão. O doleiro afirmou que Felipe não indicou onde estaria o dinheiro, mas Youssef disse a ele que poderia trazê-lo “sem problema nenhum”.

O doleiro afirmou não saber se Felipe buscou outros operadores porque não teve mais contato com ele. Questionado sobre o valor do dinheiro a ser internalizado, o doleiro respondeu: “Acho que era em torno de 20 milhões”.

Youssef está preso em Curitiba. Em setembro passado, ele assinou um acordo de delação premiada para colaborar com as investigações em troca de redução da pena e outros benefícios. Ele é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa devido aos desvios na Petrobras.

PAULO ROBERTO

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, outro delator que colabora com as investigações, também prestou depoimento à Justiça Eleitoral, no mesmo processo. Ele falou sobre sua relação com Dilma e confirmou ter ido ao casamento da filha da presidente, Paula, em 2008, três anos antes de ela chegar ao Planalto.

Costa disse que foi convidado pela própria Dilma, mas não soube assegurar se o convite foi feito a todos os diretores da estatal. “Foram convidados o presidente, a [então] diretora Graça [Foster] e eu, que eu saiba. Não posso confirmar se outros foram [convidados]. Estavam presentes no casamento o presidente [José Sérgio] Gabrielli, a diretora Graça e eu”, afirmou.

O ex-diretor também contou que, para permanecer em seu cargo na Petrobras, precisava manter a confiança do presidente da República. “Eu e todos os diretores da Petrobras e o presidente, que é escolhido pelo presidente da República”, acrescentou Costa.

Ele disse ainda que alguns contratos da Petrobras eram feitos na sua época sem projeto completo. Para o ex-diretor, essa prática facilita desvios de recursos. Questionado se Dilma, como ministra ou presidente, tomou medidas para mudar isso, Costa disse: “Que eu saiba, nenhuma”.

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