PT só cresceu com ímpeto quando Brizola apoiou Collor

Pedro do Coutto

O deputado Rui Falcão, presidente nacional do PT, publicou artigo na Folha de São Paulo sobre os 32 anos de criação do PT e a importância do partido na política brasileira e na vida nacional. Perfeito, a presença da legenda no plano eleitoral e no poder é um fato.

Vem de três vitórias nas eleições para presidente da República. Duas de Lula, uma de Dilma Roussef com o apoio total do antecessor. Foram, todas no segundo turno, por larga margem de votos. Lula derrotou Serra por 62 a 38%. E Geraldo Alckmim por 61 a 39. Dilma, em 2010, venceu Serra por 56 a 44 pontos. A popularidade de ambos é incontestável.

Quanto a Dilma, confirmada por pesquisas do IBOPE no final de 2011. Mas nem sempre foi assim. Lula perdeu três eleições seguidas, uma para Fernando Collor, duas para Fernando Henrique Cardoso. Sendo que, para FHC, por maioria absoluta no primeiro turno. Porém na sequência do tempo se afirmou, ao mesmo tempo em que se revelaram suas contradições.

Surpresa? Nem tanto. Quem analisar política buscando coerência plena, como costuma dizer meu amigo Humberto Braga, não vai encontrar muitos exemplos. Mas esta é outra questão. A legenda nasceu no berço metalúrgico do ABCD paulista em 80 e, dois anos depois, Lula disputou o governo de São Paulo no pleito vencido por Franco Montoro, obtendo 10% dos votos. Lula alcançou grande espaço aberto pelos jornais e emissoras de rádio e televisão.
Tinha, como líder sindical, sido preso pelo governo Ernesto Geisel, ao comandar a primeira greve por aumento de salário depois do golpe militar de 64. Esta atitude o projetou: Lula, o metalúrgico, diziam os títulos das matérias. O partido nasceu para lutar pela redemocratização e pelos trabalhadores, uma sigla comprometida com a liberdade e a reforma social.

Esteve firme na campanha das diretas já, em 84, mas em 85 recusou-se a votar em Tancredo Neves no colégio eleitoral, um vencedor que terminou sem vitória porque a morte estava em seu caminho e seu destino. Essa foi a primeira contradição do PT. José Sarney assumiu a presidência.

Em 89, Lula apresentou-se candidato ao Planalto, as diretas então retornavam exatamente 29 anos depois da eleição de Jânio Quadros e 25 após a derrubada de João Goulart do poder. As urnas de 89 fotografaram bem nitidamente as faixas ideológicas, no primeiro turno. Collor 29 pontos, Lula 16, Brizola 15, Mario Covas 10 e Maluf 5%. O reformismo social, então considerado esquerda, totalizava umpotencial de 31% do eleitorado. No segundo turno, Lula atropelou firme, mas a aparição de Miriam Cordeiro, no horário gratuito, abalou o líder petista. Havia ido muito bem no primeiro debate. Foi péssimo no segundo.

Alberico Souza Cruz, então comandando de fato o jornalismo da Rede Globo, até então chefiado por Armando Nogueira, montou uma edição com os melhores momentos de Fernando Collor e os piores de Lula. O destino da disputa estava selado. Diferença final de 4 pontos.

Mas em 91, o destino novamente entrou em cena. Em meio às denúncias de corrupção contra Collor e Paulo Cesar Farias, a Câmara cria uma CPI. Brizola que passara a formar ao lado de Collor, afirma à Rede Globo, ao Globo. Estado de São Paulo, à Folha de São Paulo e à Tribuna da Imprensa, que ainda circulava: “Por mim, essa CPI não saía.”

Neste exato momento, o PT tomou as ruas do PDT. E Lula assumiu a liderança das correntes que, até aquele instante, representavam a ideia do desenvolvimento e justiça social. E assim o PT se caracterizou e, ajudado pelo conservadorismo que marcou o governo FHC, chegou ao governo. Melhorou a política salarial, mas desistiu das reformas (sua maior contradição) e chegou ao poder. Difícil desalojá-lo em 2014. Talvez só em 2018 ou 2022. Política é assim. A história se escreve todos os dias.

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