PT vai ao TSE contra Serra? Uma comdia

Pedro do Coutto

O Partido dos Trabalhadores revela O Globo na edio de 4 de maio pretende representar ao TSE contra o candidato Jos Serra, por ter havido, sustenta, uso de recursos pblicos no evento realizado em Cambori, quando se reuniu com representantes das igrejas evanglicas. Uma verdadeira comdia. Como o PT pode partir para uma iniciativa dessas, se no Primeiro de Maio, em So Paulo, com o uso de recursos da Petrobras e do Banco do Brasil, transformou a comemorao da data, que consagra o valor do trabalho humano, num autntico comcio em torno da candidatura de Dilma Roussef?

O prprio presidente Lula, na ocasio, afirmou que todos sabem que ela PE a sua candidata. A seguir, defendeu a continuidade de seu governo, sustentando que tal continuidade depende da vitria da ex-chefe da Casa Civil. Ora, mais evidente que Lula infringiu a legislao eleitoral, mas no vai acontecer nada porque a imagem do Judicirio junto opinio pblica a pior possvel. Basta lembrar, como escrevi neste site h poucos dias que existem aes que demoram vinte anos para ser julgadas e seus resultados concretamente executados. o caso, por exemplo, de centenas de milhares de processos contra o INSS. o caso, vale sempre frisar, da Tribuna da Imprensa.

Mas isso, evidentemente, no exclui o clima de comdia que o PT pretende colocar na campanha pela sucesso. Como possvel o Partido dos Trabalhadores recorrer Justia contra o PSDB alegando motivos que ele mesmo usou no Primeiro de Maio? muita cara de pau. Uma ironia acima da realidade. Uma comdia de costumes, muito popular no teatro brasileiro de cinqenta anos atrs. Uma farsa.

Por falar em realidade, como o convite praticamente formulado oficialmente de Dilma Roussef para que o deputado Michel Temer, presidente do PMDB, seja candidato a vice em sua chapa, efetivamente a iniciativa amarra o destino desse partido ao destino do PT nas eleies presidncias. Pois alm de manter cinco ministros no governo, o PMDB ocupa a posio mxima que uma legenda aliada poderia obter do governo que integra atravs de sua base parlamentar. No possui mais linha de recuo. O que significa isso? Que, paralelamente, o PT fica vontade para disputar eleies estaduais com candidatura prprias, independentemente do pacto nacional.

o caso de Minas Gerais, por exemplo. E o caso do Rio Grande do Sul, entre outras unidades da Federao. No Rio Grande do Sul, as pesquisas mais recentes apontam praticamente um empate entre Tarso Genro, do PT, e Jos Fogaa, PMDB, em matria de intenes de voto. L o quadro da disputa j est configurado no se falando em palanque nico para Roussef. O mesmo deve acontecer em Minas Gerais. Depois de vencer as prvias, derrotando Patrus Ananias, dificilmente Fernando Pimentel deixar de disputar o Palcio da Liberdade contra Anastsia e Hlio Costa. Se assim no fosse, para qu realizar prvias? Para escolher o candidato ao Senado? Nada disso.

Sobretudo porque o PT, em Minas, disputa com chance real de vitria. Depois de formalizado o convite a Temer, o PMDB fica sem condies de exigir alianas estaduais em trono de seus candidatos prprios. Pois j obteve o mximo.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, finalmente Gabeira decidiu apoiar Csar Maia para o Senado e abrir espao no terceiro colgio eleitoral do pas para Jos Serra e Marina Silva. Lance difcil. Jamais na histria poltica brasileira um candidato a governador apoiou simultaneamente duas candidaturas presidncia da Repblica. No vai dar certo. Ou um ou outra. Os dois no faz sentido. S confunde os eleitores do PSDB e do Partido Verde. E no acrescenta votos a Fernando Gabeira. Pelo contrrio.

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