Publicidade (paga) do governo não atinge a opinião pública

Pedro do Coutto

Exatamente isso: não adianta o governo, no caso o de Dilma Rousseff, destinar recursos para a publicidade oficial porque as mensagens enviadas não atingem e assim não sensibilizam a opinião pública. É perda tanto de tempo quanto de dinheiro público. Focalizo esse assunto porque leio na edição de segunda-feira da Folha de São Paulo reportagem de Gustavo Patu e Natuza Nery revelando que o esquema de contenção de gastos tratado pelo ministro Joaquim Levy reduziu substancialmente os recursos voltados para o setor.

Para se ter uma ideia, Gustavo Patu e Natuza Nery informam que os cortes, este ano, foram de 62% em relação às verbas de 2014. A média mensal de janeiro a maio foi de 33 milhões de reais. Claro que o corte abrange apenas desembolsos do Tesouro nacional, consignados no orçamento, não incluindo as empresas estatais, a começar pela Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal. No caso do BB e da CEF ainda se justifica porque são estabelecimentos bancários disputando espaços no mercado. A Petrobrás, sob o ângulo comercial interno, restringe-se aos postos de venda de combustíveis. Mas esta é outra questão.

O fato é que, na verdade, a publicidade aberta, caracterizada como tal, é supereficiente quanto ao comércio em geral e à venda de imóveis em particular. E isso quando o mercado encontra-se em condições de adquirir. Não é o que está ocorrendo agora com a economia em retração e as diversas classes sociais temendo pelo que pode vir por aí agravando o problema. Por isso mesmo, inclusive, que as fontes do comércio e do setor imobiliário estão aumentando, como se constata, as aplicações publicitárias, na luta para reluzir compradores. Está difícil, mas trata-se de esforço legítimo. Afinal de contas, os recursos injetados são totalmente privados, embora proporcione dedução no Imposto de Renda.

MATÉRIA PAGA

Ilegítimos e, sobretudo, inúteis são os gastos governamentais. Não adiantam nada. Pelo contrário, prejudicam. Pois os que observam o conteúdo dos espaços adquiridos nos jornais, emissoras de televisão e rádio, passando pela Internet, sabe muito bem que ninguém vai pagar para divulgar aquilo que lhe for contrário. Logo, trata-se de um caso que a veiculação publicitária já surge na nuvem do descrédito público. Qualquer informação para ser realmente positiva tem que partir de uma fonte neutra, cujo interesse seja o de ir ao encontro do que a população deseja que aconteça ou então destaque o que efetivamente esteja sendo feito a seu favor, e, sua direção. Neste ponto essencial é que se registra a diferença entre a publicidade e a comunicação jornalística.

Tanto assim que, nos grandes jornais do país, como O Globo, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Valor e também nas revistas Veja e Época, para não alongarmos os exemplos, é absolutamente proibido que qualquer pessoa da redação atue paralelamente na publicidade comercial. Os setores não se misturam em hipótese alguma. Uma coisa é o mercado publicitário, que inclui agências especializadas na produção de anúncios e a corretagem natural, outra e a atividade jornalística distante de qualquer corretagem como o diabo da cruz.

SITES PAGOS

Com essas considerações, resultado de 60 anos de jornalismo desde o tempo do Correio da Manhã, que ficou no passado, o que desejo principalmente afirmar é que um governo para tentar uma imagem positiva, deve agir no plano da comunicação política gratuita, e muito menos pagar vergonhosamente para sites que dizem absurdos para serem patrocinados. Os leitores percebem e jogam tais versões nas latas de lixo. Comunicar bem, acima de tudo, é dizer a verdade e não brigar com os fatos. Publicidade paga não produz fatos, tenta apenas fabricar fantasias. A sociedade não quer mais fantasias. Chega.

 

3 thoughts on “Publicidade (paga) do governo não atinge a opinião pública

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