Quadrilheiros da História ou Sherlocks de Teatro Burlesco

Percival Puggina

Não bastasse a pantomima envolvendo as perícias argentinas e cubanas em João Goulart, agora foi a vez da Comissão da Verdade de São Paulo (aquele bicho ruim de Brasília já está dando cria pelo país afora) decidir que Juscelino Kubitschek foi assassinado.

A filha do motorista do ex-presidente nega a versão de que o pai teria levado um tiro e não autoriza novos exames nos restos mortais, que já foram objeto de duas perícias. A senhora é advogada e afirma que as versões relacionadas à morte dele são invencionices.

A Comissão da Verdade de São Paulo não só já decidiu, no coletivo, que JK foi morto criminosamente como está pedindo que o Governo Federal, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal retifiquem a causa do óbito para reconhecer que ele foi assassinado…

17 thoughts on “Quadrilheiros da História ou Sherlocks de Teatro Burlesco

  1. Esta Comissão da meia-verdade tenta mostrar serviço com esses blablablás. E haja exumação!
    E o nosso suado dinheirinho de impostos vai pelo ralo!
    Enquanto isso o povo brasileiro continua morrendo nas filas dos hospitais desprovidos de praticamente tudo. E a nossa Educação é lanterninha na América Latina.
    Isso é o Brasil da “meia-verdade” ou das falácias eternas e dos bravateiros corruptos…

  2. Eu não consigo entender este argumento do o que passou é para esquecer. Não é assim que se constrói a história de um país. Na Alemanha, os arquivos dos nazistas estão abertos para quem quiser ler, para que nunca mais o mesmo erro se repita. A ditadura militar brasileira foi covarde, mentirosa, cercou-se de apoiadores oportunistas que souberam muito bem tirar proveito das vantagens lhes oferecidas pelos ditadores. Quantos perseguidos empobreceram, quantas famílias perderam seus filhos ? Ridicularizar a busca da verdade não engradece o país.

  3. Os militares não mataram só JK, Jango e Lacerda. Eles mataram também o Batman, o Super-homem e o Papai Noel! E por falar em assassinos, eu também sou um assassino! Semana passada, eu matei a Mulher-Maravilha, usando a pistola de raios do Buck Rogers!

  4. Amanha dirão que o acidente com Castelo Branco foi carinhoso também. A cirurgia de Tancredo também dirão que foi assassinato. Parabéns a filha do motorista de Juscelino, que não deixa tirar o cadáver de seu pai da sepultura para alguns
    m
    aparecerem.

  5. Fico impressionado com tanto tempo dedicado ao nada. Chamam um monte de pessoas idosas, todas comunistas, para encenar uma espécie de tribunal. E aí saem fazendo relatório quilométrico apresentando sua opinião como verdade absoluta. Se o próximo governo brasileiro for exercido por um ditador de direita, ele também poderá constituir uma comissão da sua verdade e anular tudo o que o atual grupo dos velhinhos aprontou, elaborando um novo relatório que se coadune com a sua ideologia. E assim o governante da hora faz igual aos prefeitos de cidade do interior, isto é, cada um que chega reforma as praças e coloca um busto ou um quadro de granito em homenagem a si próprio. Se fôssemos levar esses gagás a sério, teríamos que enfiar o braço nos portugueses, colonizadores do Brasil por mais de trezentos anos.

  6. Talvez não tenham matado Juscelino, mas puseram a bomba do rio centro lotado de jovens,havia um show no momento, um tipo rock in Rio,se os terroristas tivessem logrado exito, muita gente poderia ter morrido.Todo mundo viu o puma com o sargento morto. O que aconteceu com o terrorista que sobreviveu ? Nada. Ficou impune. Virou até professor no colégio militar de Brasília. É bonito isso ? Depois reclamam da justiça que vende sentença. A justiça brasileira só vende sentença porque o judiciário foi contaminado pela ditadura e até hoje as mesma práticas continuam porque os homens que compõesm o judiciário,na sua grande maioria, eram jovens no tempo da ditadura. Vê o que a geração pós Mau Tse Tung fez com a China. A geração pós ditadura brasileira ainda está contaminada pela incompetência e má gestão humana daquela época de chumbo. Graças a incompetência dos terroristas os ditadores saíram pela porta dos fundos, mas para completar a lambança contra o Brasil,entregaram o poder a zé sarney, um aliado fiel de todas as horas.

  7. ‘Tuma lá, dá cá’, de Carlos Brickmann

    Publicado no Observatório da Imprensa

    CARLOS BRICKMANN

    O debate jornalístico sobre o livro-depoimento do delegado Romeu Tuma Jr., Assassinato de Reputações – um crime de Estado, abandonou a pesquisa e a reportagem e mergulhou fundo no clima de campanha eleitoral, como se tornou habitual nos últimos tempos. Tuma Jr. fez uma série de denúncias em mais de 500 páginas; o correto é analisá-las e desmenti-las, ou confirmá-las, ou reconhecer o que há de preciso ou impreciso em cada uma.

    Algumas denúncias, em princípio, são graves – por exemplo, a de que o então líder sindical Luiz Inácio da Silva, que ainda não havia incorporado Lula a seu nome, era informante da polícia política. Há aí três possibilidades:

    1. A informação é verdadeira – e, nesse caso, exige aprofundamento, com abertura de espaço ao ex-presidente Lula para que apresente sua posição;

    2. A denúncia é falsa – e, nesse caso, abre-se a possibilidade de processo contra o denunciante e investigação dos motivos que o levaram a inventá-la;

    3. Questão de interpretação: tanto Lula quanto o delegado Romeu Tuma, pai de Tuma Jr., eram afeitos ao diálogo, e podem perfeitamente ter combinado os limites da atuação de cada um, trocando informações, para evitar choques que poderiam piorar o clima entre governo e os sindicalistas mais organizados.

    Há muitos pontos a esclarecer nas narrativas de Tuma Jr.: o caso Celso Daniel, por exemplo – ele era o delegado de Taboão da Serra (SP) e conduziu as primeiras investigações sobre o assassínio do prefeito de Santo André, chegando a conclusões opostas à de seus colegas de Polícia Civil. Para ele, foi um crime político; para os delegados que comandaram duas outras investigações, foi um crime comum, assalto e sequestro seguido de morte. A conversa que diz ter tido com o hoje ministro Gilberto Carvalho, que teria lhe dito que o dinheiro arrecadado ilegalmente em Santo André era destinado exclusivamente ao partido, às campanhas, e entregue diretamente a José Dirceu. O episódio da prisão do milionário russo Boris Berezovski, que tinha vindo ao Brasil a convite do governo. Sua atuação no Corinthians, onde é um dos destaques da oposição ao grupo do ex-presidente Andrés Sanchez, ligado ao ex-presidente Lula.

    Enfim, material é o que não falta. E, no entanto, o que se tentou fazer foi discutir besteiras: desmentir que Tuma Jr. estivesse na polícia na época em que Lula foi preso e ficou sob a guarda de seu pai, Romeu Tuma; negar, com base num erro da Wikipédia, que Tuma Jr. tivesse idade para pertencer à polícia; desmentir sua presença junto a Lula, quando há até fotos dos dois nessa época.

    O entrevistador de Tuma Jr., Cláudio Tognolli, que deu o texto ao livro, é um ótimo repórter, investigativo, de grande currículo, ex-correspondente internacional, professor de duas universidades, extremamente cuidadoso na avaliação dos dados a que tem acesso. Levou algo como dois anos entrevistando o delegado e examinando sua narrativa. Pronto o livro, Tuma Jr. procurou seus advogados, que leram tudo com muito cuidado, até atrasando o lançamento nas livrarias. Tuma Jr. se compromete a esclarecer qualquer dúvida, a rebater quaisquer desmentidos e ainda garante que tem material para outro livro.

    OK, Tuma Jr. não é um campeão de popularidade. Dizem que é pessoa de trato difícil, participou de episódios controvertidos, colocou-se contra colegas respeitados em investigações importantes. Num episódio triste, trabalhou em dupla com o então presidente da Câmara Municipal de São Paulo, José Eduardo Martins Cardozo, do PT, hoje ministro da Justiça. Cardozo interrogava testemunhas durante doze ou mais horas e, em seguida, as entregava a Tuma Jr., que as levava, já exaustas, para ser ouvidas na polícia.

    Mas não se trata de analisá-lo como santo ou demônio, como petista, tucano ou PFL (que foi por muito tempo o partido de seu pai), nem de elegê-lo Mr. Simpatia, nem de discutir sua idade – até porque, se comprovadas, suas informações demonstrarão que tem idade suficiente para causar um terremoto político. E, se desmentidas, não haverá como recuperar sua imagem, seja qual for sua data de nascimento, por muitos e muitos anos.

    É um livro a ser lido com calma. E a ser dissecado pela imprensa fato por fato, frase por frase. O importante não é ser amigo ou inimigo de Tuma Jr. É verificar se aquilo que ele conta é verdade ou mentira. E daí tirar as consequências.

    Leia outras notas de Carlos Brickmann no site do Observatório da Imprensa

  8. Esse livro pode ser mais uma picaretagem como o daquele “jornalista” Amaury Junior sobre privataria. Não obstante, o autor, Tuma Jr. , como Jefferson, fazia parte da maquina governista, Conheciam o antro de dentro do antro. Viveram o antro. Isto confere gravidade no que revela e sua credibilidade deve ser colocada a prova pelos mecanismos judiciais.

    Ps. A propósito do Livro picareta do Amaury Jr., ele não saia -ficou anos- dos temas principais abordados pelos chapas-brancas da Carta Capital e Carta Maior. Agora, sobre este livro do Tuminha, o silêncio é total por parte desses fascistas disfarçados de jornalistas.

  9. Sr. Percival Puggina:
    O Sr. é um grande articulista, é veraz, sincero, culto, honesto intelectualmente, e escreve bem.
    Acontece, Sr. Puggina, que este não é o seu espaço. A maioria esmagadora dos colunistas, comentaristas, visitantes deste site é comunista, e como o Sr. bem sabe; “uma andorinha só não faz verão”, como disse Aristóteles.
    O único articulista conservador, cristão, que escreve neste Blog é o Sr. Infelizmente, o Sr. serve apenas como pretexto, como desculpa esfarrapada, do editor, para dizer que este blog é plural, o que é uma mentira, pois todos os outros colunistas comungam da cartilha marxista, ad nauseam. Boff, Beto, Santayana,CN,Nery, Nogueira,e todos os outros, são comunistas.
    Sr. Puggina, mesmo que o Sr. escreva pérolas, não será reconhecido, não lhe atribuirão o seu valor real, infelizmente, neste blog.
    O Sr. terá muitos dissabores por aqui. Eu não dou murro em ponta de faca, pense nisso.

  10. Sr. Puggina:
    Para completar, Sr. Puggina: Nada tenho a ensinar a ninguém, mas posso lhe afirmar que não suporto a ideia de conviver com pessoas grosseiras, que só expresso as minhas melhores idéias para pessoas civilizadas, e que não aceito insultos de estranhos, sem a resposta cabível, tête à tête.

  11. O comentário de Mascarenhas procede e eu tenho protestado também por essas causas e outras.
    Como cético, me interesso apenas por fatos concretos e a chance deles aparecerem é maior onde há maior diversidade de pensamento.

    Quanto a Lafer, o comentário dele não procede, pois eu não disse que o livro do Tuminha contém verdades. Falei que até poderia ser como foi a picaretagem do livro da privataria de Amaury Junior.
    Disse apenas que as denúncias de Tuma jr. devam ser apreciadas à luz das leis e caso, se confirmarem crimes, os envolvidos deverão se explicar nos tribunais.
    Isso é da democracia e não do fascismo, nazismo ou comunismo, em que a “verdade” é estabelecida por essas ideologias irmãs sem se precisar buscá-la, através de provas como se faz em qualquer país civilizado.

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