Quais serão as condições de governabilidade de Haddad e de Bolsonaro?

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Haddad e Bolsonaro precisam fazer novas coalizões

Merval Pereira
O Globo

Dois cientistas políticos da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (EBAPE), da Fundação Getúlio Vargas do Rio (FGV), Octavio Amorim Neto e Carlos Pereira, fizeram estudos separadamente sobre temas semelhantes que poderiam ser resumidos na pergunta: qual a capacidade de os candidatos à presidência da República construírem coalizões políticas estáveis?

Os dois chegaram à mesma conclusão: o petista Fernando Haddad é o que terá maiores dificuldades, enquanto Bolsonaro tem condições médias. Quem teria melhores condições de governar o país na situação atual, de crise política e econômica, seria um candidato de centro, que refletiria melhor a tendência majoritária do Congresso a ser eleito, de centro-direita.

CAPACIDADES – Mas, como essa hipótese parece remota, me fixei nas análises que fizeram dos principais concorrentes, Bolsonaro e Haddad. Octavio Amorim Neto, cujo trabalho foi publicado no Observatório Político do Boletim Macroeconômico da EBAPE, analisou seis dimensões entre muitas possíveis: (1) a probabilidade de ter maioria legislativa estável; (2) o tamanho da coalizão social; (3) política econômica; (4) capacidade de atrair bons quadros técnicos; (5) relações com as Forças Armadas; e (6) capacidade de distensionar o ambiente político.

Com relação a Haddad, Octavio Amorim Neto tem uma série de interrogações. Diz que, se ele seguir a cartilha de Lula, tentará fazer acordos com o centro e a direita varejistas. As feridas deixadas pelo embate eleitoral deverão dificultar uma composição parlamentar com a centro-direita, o que significa que a probabilidade de ter uma maioria estável é de nível médio para baixo.

Para o cientista político, a coalizão social de Haddad deverá ser ampla, incluindo setores do sindicalismo, do empresariado e dos movimentos sociais. A política econômica, ainda que tenha boas doses do pragmatismo, deverá ser heterodoxa por pressão da esquerda do PT e dos principais assessores econômicos do partido.

BONS QUADROS – A capacidade de Haddad de atrair bons quadros técnicos seria alta, porém a radicalização de posições do partido vai espantar muita gente que poderia colaborar. As relações do PT com as Forças Armadas são complicadas desde o final do processo de destituição de Dilma Rousseff em 2016, lembra Octavio Amorim Neto.

“Haddad é um político moderado, e teria capacidade alta de distensionamento, mas o radicalismo de setores poderosos do PT, e o antipetismo que grassa hoje na sociedade dificultarão a tarefa de arejamento do ambiente político”, diz ele.

E BOLSONARO??? – Jair Bolsonaro, em função da mínima aliança partidária, do extremismo ideológico e do caráter antipolítico da sua campanha, tem baixa probabilidade de lograr uma maioria parlamentar estável, diz Octavio Amorim Neto. Porém, como uma centro-direita mais ideológica deverá controlar o Congresso, ele considera que esse fato poderá facilitar as relações Executivo-Legislativo sob a presidência de Bolsonaro.

 A coalizão social do candidato, porém, deverá ser estreita, dada sua forte militância contra minorias e organizações em prol dos direitos humanos. Pelo perfil do seu principal assessor econômico, Paulo Guedes, a política econômica será ortodoxa, mas Octavio Amorim Neto diz que há legítimas dúvidas sobre a credibilidade dessa propalada orientação, “uma vez que não há nada de liberal nos votos dados por Bolsonaro ao longo da sua carreira parlamentar”.

POTENCIAL BAIXO – A capacidade de Bolsonaro de atrair bons quadros técnicos é baixa, segundo sua avaliação, embora quadros do mercado, das consultorias e de universidades privadas comecem a se dispor a colaborar com um seu eventual governo. As relações de Bolsonaro com as Forças Armadas são boas, ele conta com a simpatia explícita de uma boa fatia do oficialato. Destaque-se que o candidato tem prometido nomear vários militares como ministros.

Essa situação não é necessariamente boa nem para a democracia, nem para as Forças Armadas, adverte Octavio Amorim Neto. Por último, a capacidade de Bolsonaro de distensionar o ambiente político é baixa em virtude da sua personalidade belicosa e do caráter antipolítica de sua carreira e campanha. “Uma eventual presidência do ex-capitão do Exército é uma grande incógnita”.

15 thoughts on “Quais serão as condições de governabilidade de Haddad e de Bolsonaro?

  1. O nível do jornalismo neste país é catastrófico.
    Merval disse que o extremismo ideológico é do Bolsonaro.
    Que se saiba, ideologia tem o PT, socialista comunista.
    Bolsonaro não tem ideologia, é do óbvio, da realidade dos fatos. Daquilo que se vê com os olhos e se toca com as mãos.
    Isto é o que se pratica nos países desenvolvidos e que essa gente extremista, sempre de esquerda, chama de fascismo.
    Enfim, fazer o que , aqui é Brasil e não a Austrália que, com a metade da nossa idade é um dos melhores países do mundo.

    • E nos preparemos, se o PT voltar ao poder, será a pá de cal no futuro de alguma coisa diferente que este país possa ter, pela desgraceira que o próprio PT aprontou para a população nos seus anos de desgoverno.

  2. A função de Haddad não é governar. É libertar Lula e reconduzi-lo ao poder para implementar a ditadura, conforme anunciou José Dirceu.

    Mas os desinformados e desinformantes continuam promovendo a ilusão.

  3. Um fato que não se pode deixar de lado é que o PT não pretende cortar a verba governamental para a mídia e a mídia sabe disso.

    Daí está o massacre de mentiras que a mídia detona 24 horas por dia sobre Bolsonaro.

  4. -Ora, um governo com o HADDAD já sabemos como será, pois o LULA (e os seus ALIADOS BANDIDOS) já foi presidente do Brasil por mais de doze anos. Quanto anos a mais… quatro anos a menos…
    -A novidade será agora um governo do BOLSONARO, sem os mesmos ladrões de sempre!

  5. O vizinho da minha comadre, aqui em Bangu, me contou que em Virginia, USA, estado rico e organizado, há um sistema computadorizado para verificar os eleitores de um determinada posto de votação e um outro que recebe o voto do eleitor para contagem. Este consiste de um formulário em que o eleitor apenas preenche uma bolinha ao lado do nome do candidato. Um sistema ótico lê o formulário e processa o voto. Portanto, o formulário existe para verificação de fraude, se for necessário.
    No Brasil, em que um presidente da Republica chefia uma gang de corruptos, em que o STF está totalmente desmoralizado pelo protecionismo de corruptos poderosos por certos juizes, pela baixa qualidade dos políticos, não é irrazoavel desconfiar dos resultados apurados nas eleições através de contagem eletrônica. E não é a dona Rosa Weber nem a dona Carmen que vai nos assegurar do contrário, visto que elas não entendem bufas do riscado.

  6. Que mudança o governo de Haddad faria, se o seu próprio partido não conseguiu fazer nos 14 anos quando estava á frente da presidência do Brasil?
    O PT venceu em 2002, também em 2006, ganhou de novo em 2010, assim como 2014, mas a culpa da crise é sempre dos outros.

  7. Dos dois, qualquer que venha a ser o eleito, poderá trazer consigo a ignição de uma anomia social sem precedentes, em toda a nossa história.
    Se Bolsonaro perder, ele vai fazer de tudo para sabotar o governo petista (inclusive incitando as FFAA) que, devido aos fatos recentes, já chega ao poder desmoralizado.
    Eleito o capitão, além de a maioria acachapante do Congresso Nacional, Governadores e Assembléias Legislativas, ele será fustigado, sem trégua, por segmentos radicais ligados à esquerda, os quais, apesar de desarmados, são muito bem organizados e financiados.
    Pacto Nacional? pacto pela governança, entre brasileiros? Dura alguns dias…….

  8. A governabilidade será nenhuma , pois , de certo modo , querendo ou não , ouve uma politização da sociedade e o Brasil começa mudar , embora os decrépitos continuem insistir em mante – lo no século xx .

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