Qual a motivação de Bolsonaro em querer desconsiderar a atuação do ministro Mandetta?

Humor Político – Rir pra não chorar | Página 189

Charge doi Amarildo (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O Globo e a Folha de São Paulo, edições desta segunda-feira, dia 30, publicaram em suas manchetes principais a atitude do presidente Jair Bolsonaro em contrariar as recomendações do ministro da Saúde, Henrique Mandetta, do isolamento social e da lógica de evitar aglomerações. O presidente da República fez exatamente o contrário, foi a Ceilândia, cidade satélite de Brasília e fez selfies entre várias pessoas, uma delas com uma criança no colo.

Repetiu assim o que havia feito recentemente no domingo dia 15, na manifestação diante do Palácio do Planalto.

ISOLADO DA REALIDADE – Não há como explicar essa atitude de Bolsonaro, sobretudo porque ele se isolou da realidade de hoje e colidiu com os princípios e providências tomadas por todos os países atingidos pela circulação do coronavírus.

Por falar em todos os países, os grandes jornais do mundo condenaram e se demonstraram surpresos com o comportamento de um presidente da República que, por inciativa própria, se expõe ao risco de uma contaminação, não só a dele como a dos outros que o rodeavam.

Havia um grande número de pessoas em torno do presidente. Percorreu também várias outras localidades da capital. Foi um desastre em matéria de comentários internacionais.

UM ERRO GROTESCO – O reflexo na imprensa estrangeira quanto à atitude de Bolsonaro ressalta com bastante nitidez o erro cometido, capaz até de aumentar a contaminação do vírus na capital do país.

Assim, o presidente Jair Bolsonaro isolou-se ainda mais, ficando absolutamente desgastado com as manifestações repetidas e desaconselhadas pelo ministro Henrique Mandetta.

Ontem, em entrevista coletiva da qual participaram vários ministros, inclusive o general Braga Neto, Chefe da Casa Civil, o ministro da Saúde reafirmou sua recomendação no sentido do isolamento das pessoas e acentuou que suas providências inspiram-se em critérios científicos e técnicos, os quais estão distantes de comportamentos políticos.

No meio da entrevista diante de uma pergunta da jornalista Delis Ortiz, da Rede Globo, sobre sua permanência no cargo que ocupa, o general Braga Neto entrou em ação dizendo que esta hipótese é absolutamente rejeitada.

NOVA REALIDADE – Dessa forma, estabeleceu-se uma nova realidade, esta política, revelando que o governo necessita da presença de Mandetta, da mesma forma que necessita de Sérgio Moro e Paulo Guedes.

O titular da Economia reviu a posição que adotara inicialmente, ao colocar o funcionamento do Economia acima da exigência fundamental das ações do Ministério da Saúde. Agora, passou a admitir que sem saúde a economia não pode funcionar.

Com a entrevista de ontem formou-se um novo panorama que tanto poderá ser marcado pelo recuo de Jair Bolsonaro, ou então por uma nova atitude descontrolada. Temos que aguardar. Porém, de qualquer forma, o presidente da República se expôs como personagem principal de uma situação de absurdo. O ministro Henrique Mandetta não recuou. Seria inclusive um absurdo na sua orientação traçada para combater o vírus que ameaça a vida humana.

7 thoughts on “Qual a motivação de Bolsonaro em querer desconsiderar a atuação do ministro Mandetta?

  1. A meu ver, o PR, 01, 02 e o 03 é uma estrutura monolítica e muito narcisista; é o membro do governo despontar para despertar a inveja e a raiva e tentam ao máximo destruir o que não é espelho.
    Ainda bem que o Ministro da Saúde pôs a saúde acima de tudo, respeitando seu juramento de médico.

  2. Votei no sujeito por absoluta falta de opção: todos da esquerda?! prometeram soltar o lulla, ladrão e genocida conforme o Chicão.

    Mas quanto ao post, pouco adianta a recomendação médica para o bucéfalo sem freio e os três patetas. Casos perdidos.

  3. A motivação do Bolsonaro tem origem no fanatismo ideológico, na sua insensibilidade pelo sofrimento e pela vida humana, já tinha dado demonstração disso, ao defender a tortura e dizer que o Pinochet no Chile matou pouca gente, deveria ter matado mais.

  4. Bolsonaro nesse momento é apenas uma mera figura decorativa quanto a decisões na área da saúde. Alguém imagina que se ele resolver dar uma canetada para desmontar o atual plano de defesa da saúde nacional, que os militares deixarão esse documento sair de sua mesa… Agora impedir suas saídinhas e declarações de rua é impossível. Depois da sua desastrosa declaração a nação sobre a “gripezinha”, ele simplesmente está escanteado e sem voz oficial, pelo menos para esse tema.

  5. Perfeita a colocação. A atração do presidente pelo conflito o desfoca completamente de um projeto de construção. Não há nenhum discurso do presidente no sentido de instruir, organizar, unir, inspirar e inovar. Não é dele pacificar. Seus defeitos se amplificam na crise.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *