Qual a razão da Vale ser chamada de empresa privada? De quem eram ou são os minérios raríssimos, as terras vastíssimas, as riquezas incalculadíssimas? Só por que um cidadão destrambelhado e globalizado doou tudo? E o Bradesco?

Helio Fernandes

Não existe na coleção de escândalos, corrupção, roubo do patrimônio nacional, nada parecido com a D-O-A-Ç-Ã-O da Vale do Rio Doce. Não existe país, em qualquer parte do mundo, que tenha patrimônio de minérios igual ao Brasil. De alguns deles, mais de 90 por cento estão no Brasil, acelerando a inveja, a cobiça e a posse das chamadas grandes potências.

Pode ser dito, sem qualquer exagero, que a Vale nunca foi brasileira, no sentido de contribuir para o nosso desenvolvimento, progresso, prosperidade do país e do seu povo.

Desde 1950 até 1964, as riquezas extraídas da terra eram propriedade da Vale, que por sua vez era e continua sendo propriedade de um único senhor, Eliezer Batista. Veio o golpe de 64, ele, lógico, se acumpliciou, participou, exauriu essas riquezas a partir do riquíssimo e raríssimo manganês do Amapá.

Até a D-O-A-Ç-Ã-O, ninguém ousava chamar a empresas de minérios, de privada ou particular. Mas era como se fosse. Para a prosperidade nacional, a Vale contribuía com “zero ao quadrado”. O genial Barão de Itararé disse do presidente da Vale do Rio Doce: “Bebeu o rio, comeu o doce, deixou o vale na caixa”.

Mais do que genial, era lancinante. A céu aberto, nossas riquezas minerais eram contrabandeadas, enriqueciam os Batistas, os que já existiam e os herdeiros, que encontraram tudo preparado. Não vou repetir tudo o que venho escrevendo (como tenho dito, desde 1956 pelo “Diário de Notícias”), fui o primeiro a escrever artigo e coluna diários, desmascarando os que enriqueciam com a riqueza nacional. E nada aconteceu.

Agora, vou tratar apenas da Vale, DOADA, transacionada, roubada. O governo entregou tudo por um preço miserável, e ainda mais grave: “recebendo” com o que chamei de “moedas podres”. Rebotalhos de títulos, que valiam UM CENTÉSIMO do que estava escrito, desmoralizadíssimos, mas que o DOADOR aceitava pelo valor de face. Façam as contas, imaginem os prejuízos para o país.

Nos 50 anos que se passaram entre 1950 e a DOAÇÃO, a Vale, estatal do ponto de vista administrativo, era apenas uma fábrica de LUCROS FAMILIARES. Depois da DOAÇÃO, a empresa continuou fabricando lucros familiares, mas aí passou a exarcebar, a aumentar, a crescer espantosamente a cobiça dos mais diversos grupos, pessoas e bancos protegidos por todos os governos. Bancos que dominam o Brasil, empobrecendo-o assombrosamente.

Começaram então as combinações acionárias, tantos por cento de um lado, outros tantos de novos ajustes, cada qual acelerando as compras e aquisições de ações, para que na soma geral pudessem se considerar majoritários.

Concluam então, estarrecedoramente; como disse no início dessas notas, tudo era do povo, terras, minérios, riquezas. Some-se a isso, o mais vergonhoso e supersuperescandaloso: a maioria das ações pertencia à PREVI, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. Foram se juntando, aumentando o poder na empresa, favorecendo os minoritários, depreciando a potencialidade da majoritária Previ, que foi se submetendo inacreditavelmente a todas as manipulações, que só tinham como objetivo diminuir o seu poder de fogo. Que aconteceu mesmo.

Começou então a batalha, perdão, a guerra pelo controle interno da Vale. FHC DOOU, Lula ENCAMPOU. Não fez nada do que havia declarado na campanha presidencial de 2002. A primeira que venceu.

Surgiu então esse desconhecido Roger Agnelli (nome de família do dono da Fiat da Itália), ninguém se interessou em desvendar, outros fingiam que era mesmo parente. Até hoje, dois mandatos ininterruptos, mistério total: por que Lula não cumpriu o compromisso de DESDOAR não só a Vale, mas todo o resto do nosso patrimônio? Que vergonhosamente passou a ser P-R-I-V-A-D-O.

Aí surgiu esse Roger Agnelli, patrocinado pelo Bradesco. Dele só se sabia que era funcionário do banco, que provavelmente por causa disso, foi nomeado. Mas não era personagem destacado na constelação interna do banco voraz e sem escrúpulos.

Agnelli assumiu e pouco depois já morava na emblemática Vieira Souto. Convidou o presidente Lula para jantar, este foi, quase fecharam a Zona Sul, para que Lula pudesse jantar em calma, com a potência que surgia.

Dúvidas sobre a alegada e divulgada nomeação de Agnelli para presidente da Vale. Motivo: na época, o Bradesco era minoritaríssimo na Vale, não dava para indicar, referendar e controlar Agnelli ou qualquer outro nome para presidente da riquíssima Vale do Rio Doce. (Só que quando os outros estão indo, o pessoal do Bradesco já está vindo, triunfante e cheio de troféus).

Como “seu” Brandão é ótimo em aritmética (que ele chama de matemática, desculpem, isso não altera a sua formidável obsessão por lucros ávidos e ilícitos), fez as contas, concluiu: “Precisamos  de mais 200 milhões em ações, para derrubar Agnelli”. (Já contei isso há meses, ainda nem se sabia da derrubada de Agnelli).

De banco para banco, o Bradesco conseguiu “empréstimo” no BNDES. Precisava de 200 milhões, “arranjou” 242 milhões, a 4 por cento ao ano, aceita o que quiserem. O que sobrar compra de “bônus” do governo, que recompensa com juros de 11,75% (até agora, vai aumentar, não demora passará de 12 por cento).

*** 

PS – Não existe a menor veracidade no que espalharam: “O governo há 10 anos tem acordo para manter Agnelli como presidente da Vale. Ha!Ha!Ha! É o máximo da desinformação.

PS2 – Agnelli recebia de “salários” 15 milhões por ano, mais de 1 milhão e 200 mil por mês, nem Ronaldinho Gaúcho e Neymar ganham isso.

PS3 – Será o salário do “presidente” que está entrando? E o Bradesco, mandará tanto ou mais na Vale, quanto mandava com Agnelli? Por enquanto, mistério total.

PS4 – Mas acredito: até agora, Dona Dilma não é Lula.

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