Qual a reação dos apoiadores de Jair Bolsonaro diante de seus ataques às vacinas?

Charge do Zé Dassilva (nsctotal.com.br)

Pedro do Coutto

A pergunta que está no título deste artigo, espero, deve ser respondida nas próximas pesquisas do Datafolha e do Ipec, pois se trata de uma situação de inegáveis reflexos políticos e eleitorais, e portanto objeto de destaque nos levantamentos de opinião pública. O presidente Jair Bolsonaro tem se caracterizado por suas posições contrárias à vacinação e agora, mais recentemente,  contra a vacinação infantil e à Anvisa.

Como a vacinação é algo extremamente popular, conforme a adesão de pessoas demonstra, é natural que o posicionamento do chefe do executivo gere oposição na opinião pública. Pode-se presumir que as reações dos eleitores e eleitoras seja contrária, porém é preciso confirmar e essa confirmação coletiva só pode ser alcançada por intermédio do Datafolha e do Ipec.

REFLEXO – Importante também é medir o reflexo da nova ofensiva de Bolsonaro contra ministros do Supremo Tribunal Federal, especificamente Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso e agora Edson Fachin.

Fachin por um despacho sobre o registro de uma criança em Santa Catarina que desperta dúvidas quanto ao sexo. Numa entrevista ao canal Gazeta Brasil no Youtube, o presidente da República acusou Moraes e Barroso  de interferências políticas. “Quem pensa que são ?”, indagou Bolsonaro. “Vão apurar medidas drásticas sobre as redes sociais, ameaçando as liberdades democráticas e a liberdade de expressão?”, acrescentou.

ARSENAL DE ATAQUES – Bolsonaro disse ainda que os dois ministros são defensores da candidatura de Lula. O presidente da República reabriu assim, como acentua Daniel Gullino, O Globo de ontem, seu arsenal de ataques aos integrantes da Corte Suprema. “Que país é esse? Que ministro é esse Alexandre de Moraes, o que ele tem na cabeça?”, questionou.

Bolsonaro voltou a atacar a Anvisa por sua decisão a favor da vacinação infantil e demonstra assim ou um descontrole emocional ou o desejo de radicalizar em profundidade a campanha eleitoral, visando deslocar o desfecho, penso, das urnas para as armas. Mas a posição do Exército, refletida nas recentes palavras do general Paulo Sergio Nogueira ,indicam a existência de forte obstáculo.

FUNDO ELEITORAL –  O ministro André Mendonça, do STF, em seu primeiro despacho,  pediu informações ao presidente da República e ao Congresso Nacional sobre o valor do fundo eleitoral, que subiu de R$ 2 bilhões em 2020, nas eleições municipais, para R$ 7,5 bilhões, nas eleições gerais deste ano. Nos últimos dois anos a inflação está em cerca de 20%, mas o fundo eleitoral cresceu 270%. Como se vê, doze vezes mais do que o índice inflacionário do IBGE.

Essa importância foi aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente da República, representando uma despesa orçamentária adicional exatamente no momento em que o ministro Paulo Guedes aparentemente defende a contenção de gastos públicos e manutenção do teto orçamentário para este ano, lembro novamente, de R$ 4,8 trilhões.

VOOS DE LUXO –  No O Globo de ontem, Daniel Gullino comenta o decreto do presidente da República autorizando os ministros de Estado, assessores e titulares de cargos em comissão,quando em viagens internacionais, a marcarem os seus assentos na classe executiva, cujos preços são duas vezes e meia maiores dos que os da classe comum.

Como as passagens são pagas pelo governo e os ministros e servidores de destaque não pagam as passagens e também recebem diárias proporcionais aos dias em que permanecem no exterior, verifica-se que o decreto de Bolsonaro eleva as despesas do Tesouro. E numa escala elevada, pois o decreto que acaba de entrar em vigor abrange 500 servidores, entre ministros, titulares de cargos em comissão, assessores especiais, entre outros. A medida tem que se ajustar ao orçamento. Um acréscimo desnecessário às despesas públicas.

CUSTO DOS AUTOTESTES –  O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, referindo-se à perspectiva de que a população alarmada com os casos de ômicron, inclusive atingindo os vacinados, sugeriu que a população realize autotestes, uma vez que a procura por testes tem sido muito intensa, como era esperado nas redes públicas de Saúde. Porém, estão faltando insumos para os testes de forma geral.

A escassez é objeto de excelente reportagem de Mariana Rosário e Adriana Mendes, O Globo de ontem. Mas mesmo que houvesse insumos no mercado, é indispensável que o Ministério da Saúde explique qual o procedimento e a interpretação sobre o resultado. Mas o problema não termina aí. É preciso considerar o custo dos insumos. Quem pagaria a conta da aquisição do contraste necessário para diagnosticar o resultado e das hastes com algodão na ponta que testam a reação nasal?

Os testes em farmácia têm preço, em laboratórios são mais caros ainda. Os postos de Saúde estão sobrecarregados. A grande maioria da população, cerca de dois terços, não tem condições financeiras para arcar com mais essas despesas.

PROMESSAS DE CAMPANHA –  Os cinco principais candidatos à Presidência da República nas urnas de outubro, Lula da Silva, Jair Bolsonaro,  Sergio Moro, Ciro Gomes e João Doria – reportagem de Gustavo Schmitt e Bianca Gomes, O Globo, apresentaram seus planos sintéticos para a Economia do país caso sejam eleitos.

Os planos são sempre importantes e promissores, é claro, pois precisam dizer aquilo o que os eleitores e os empresários precisam ouvir. Como se diz há alguns séculos, o papel aceita tudo. Mas a teoria na prática é diferente e as promessas o vento leva. Vejam o exemplo de candidatos vitoriosos que no poder agiram ao contrário do que disseram em suas campanhas.

10 thoughts on “Qual a reação dos apoiadores de Jair Bolsonaro diante de seus ataques às vacinas?

  1. Depoimento

    Minha filha foi vacinada com o imunizante da Jansen.

    Resultado:

    Teve complicações graves. Não morreu por ter plano de saúde e ter sido atendida num hospital de ponta.
    Sofreu uma intervenção cirúrgica, retirando todo o aparelho reprodutor, isso aos 28 anos, na flor da idade. Ainda ficou com sequelas que não têm como prever se um dia serão curadas.

    É o que tenho a testemunhar.

    • O ataque as Vacinas é Eleitoreiro, visando agradar os apoiadores Negacionistas. Ele não quer perder esse contingente fiel, que estará com ele, desde que continue apoiando aquelas pautas conservadoras ao extremo, semelhantes aos Republicanos que apoiam Donald Trump nos EUA.
      Mas, essa raiva tarada contra a Vacina de um modo geral, não importando se é aplicada nas crianças ou nos adultos. A ideia dele se concentra na imunidade de rebanho, sem se importar com as vidas perdidas, nesse caminho da escuridão.

  2. Parei de ler na sentença “air Bolsonaro tem se caracterizado por suas posições contrárias à vacinação”. Senti engulhos. Quando um jornalista com a experiência do Pedro do Coutto confunde “ser contra a obrigatoriedade de alguma coisa” com “ser contra a coisa em si”, pareçe que ele está enganando o seu leitor. Está?

  3. Situação complicada, tinha 3 amigos negacionistas e bolsonaristas de carteirinha. Daqueles que acham que no caso da covid é uma conspiração mundial contra o grande líder que surge e o país entrando em recessão irá prejudicar sua ascenção como o grande líder da direita internacional. É ridículo mas é verdade, só para se saber o que se passa na cabeça do aloprado gado bolsonarista. Voltando, disse tinha 3 amigos pois 1 morreu de covid, mesmo sendo um praticante do tal tratamento precoce, teve covid e seus rins não suportaram 1 semana…

  4. O ataque aos ministros da Suprema Corte tem um componente Ditatorial bem manifesto.
    O Presidente se incomoda com decisões da Justiça, que contrariam seus interesses de Poder total.
    Se elegeu em circunstâncias especiais e pensou que detinha um Poder imperial, o suficiente para fazer o que desse na sua cabeça.
    Quando contrariado, seja pela Corte Máxima vou até nas Instâncias inferiores ( primeira instância) não se conforma e ataca impiedosamente as decisões.
    Invadiu o STF com sua tropa de choque, sob o olhar surpreso do ministro Dias Toffoli, quando este presidia o STF e não impediu seus apoiadores de tentarem invadir o Supremo. No sete de setembro do ano passado, houve aquela tentativa de quartelada, felizmente fracassada.
    Esse comportamento Ditatorial, segue o mesmo script de ditaduras latinas, como as da Venezuela, Nicarágua e El Salvador. Em Ele Salvador, o jovem presidente, aprendiz de Ditador, um novo Mussolini abaixo da linha do Equador, substituiu todos os ministros, cassou juízes, faz o que quer nesse pequeno país das Américas. Os EUA, seja sob Obama, Trump ou Biden não querem saber de nada, deixa a coisa rolar solta, fingindo que não é com eles, deixando seu quintal pegar fogo literalmente.
    Entretanto, o Brasil é diferente. Um país continental, destinado a ser uma superpotência, tem Instituições fortes e atuantes. Suas Forças Armadas estão conscientes de seu papel constitucional de defesa da Constituição e das fronteiras para impedir a invasão de seu território.
    Nenhuma aventura golpista têm espaço para prosperar, porque podem colocar o país no turbilhão da convulsão social. Os estrategistas militares sabem do perigo do Separatismo, que destruiu a União Soviética e a Iosgulavia e ameaça a Espanha.
    Nos já tivemos movimentos nesse sentido no Rio Grande do Sul e em São Paulo com a Revolução Constitucionalista de 1932, sufocada pelo governo Vargas.
    Nenhum governante pode colocar fogo na União entre os entes federados, como ocorre hoje. Além dos ataques aos Ministros, sua excelência vem atacando repetidamente os governadores dos Estados, principalmente os do Norte e do Nordeste. Chamou o do Piauí de paraíba e recentemente o governador do Maranhão de “GORDO”.
    Importante alertar o atual governante, que o esgarçar dos ânimos pode romper o equilíbrio da nação e assim, implodir o equilíbrio da nacionalidade. A história mostra, que quando esse cristal se quebra, se torna impossível juntar seus cacos.
    O Sr. Putin, atual ditador da Rússia está tentando anexar as antigas repúblicas soviéticas, perdidas no Separatismo da década de 90, agora com tropas russas no entorno da Ucrânia, porém, pode tirar o cavalinho da chuva, porque não terá sucesso.
    Os soviéticos tentaram dominar o Afeganistão e sofreram uma derrota histórica dos guerrilheiros talibãs liderados por Osama Bin Laden com apoio dos americanos e Ingleses.
    Não se pode de maneira alguma colocar a nação em perigo, por mais um período de quatro anos no Poder. As futuras gerações não merecem esse desfecho trágico, que estão tentando nos impor. Olhem atentamente o exemplo da URSS e coloquem juízo nas suas cabeças.

  5. Essa medida destinada a privilegiar integrantes dos ministérios e assessores presidenciais com voos nas Classes VIP e Executiva das aeronaves, rumo as viagens internacionais, com direito a vinhos caríssimos, uísque escocês, jantares e poltronas super confortáveis é um escárnio com o argumento da falta de recursos para conceder aumentos salariais para os servidores públicos.
    Dinheiro para essa colossal mordomia tem a vontade não é ?
    Alguém deve ter reclamado, de ter que compartilhar a classe econômica com cidadãos pobres. Não querem se misturar. Entendo.
    Estão perdendo a vergonha e mostrando as suas caras, antes envergonhadas e agora dizendo a que vieram: Acentuar vai dá mais as desigualdades Sociais.

  6. Assisti estupefato, a declaração do ministro da Saúde, dizer que será autorizado a compra pela população dos auto testes da Covid nas Farmácias do Brasil.
    Disse mais, que os empregados das farmácias terão que explicar ao comprador como será feito o Autoteste.
    Ora, trata-se de uma transferência de responsabilidade, que é do poder público para o empreendedor privado. Um abissal absurdo.
    O Ministério da Saúde deveria disponibilizar gratuitamente os testes, nos Postos de Saúde e através de uma Campanha Nacional explicar como fazê-lo.
    Mas, não, Queiroga quer que os donos das farmácias ganhem dinheiro. Os pobres não terão condição de comprar os autotestes. Será mais uma medida para favorecer quem tem condições de comprar e excluir quem não tem nada.
    Esse é um exemplo de um governo que privilegia as elites e condena ou outros cidadãos, a comer o pão que o diabo amassou.
    Incrível. Sinceramente, não dá para acreditar no que ouvi ontem.

    • Não acredito em nenhuma promessa de Campanha, de qualquer candidato, seja de Centro, a esquerda ou a direita.
      Uma coisa é na Campanha outra é quando ganha e começa a governar. Aí, é que a cobra torce o rabo.
      Falam, falam, prometem, prometem e depois não cumprem nem a metade.
      Todos eles sabem, que se forem verdadeiros não se elegerão. Então, todos mentem muito.
      É uma sina sem fim.
      Agora, o pior de todos tem nome: João Dória. Felizmente esse almofadinha não ganha.

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