Qual o mistério que há na dor de uma paixão?, indagavam Catulo e Pedro de Alcântara

Cantores iluminam obra lírica de Catulo da Paixão Cearense em CD derivado de show

Ilustração de Elifas Andreato

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor, compositor e poeta maranhense Catulo da Paixão Cearense (1863-1946) e seu parceiro Pedro de Alcântara, na letra de “Ontem ao Luar”, tentam explicar através de uma lágrima o que é a dor de uma paixão. A música foi gravada por Vicente Celestino, em 1917, pela Odeon.

ONTEM AO LUAR

Pedro de Alcântara e Catulo da Paixão Cearense

Ontem, ao luar, nós dois em plena solidão
Tu me perguntaste o que era a dor de uma paixão.
Nada respondi, calmo assim fiquei
Mas, fitando o azul do azul do céu
A lua azul eu te mostrei
Mostrando-a ti, dos olhos meus correr senti
Uma nívea lágrima e, assim, te respondi
Fiquei a sorrir por ter o prazer
De ver a lágrima nos olhos a sofrer

A dor da paixão não tem explicação
Como definir o que eu só sei sentir
É mister sofrer para se saber
O que no peito o coração não quer dizer
Pergunta ao luar, travesso e tão taful
De noite a chorar na onda toda azul
Pergunta, ao luar, do mar à canção
Qual o mistério que há na dor de uma paixão

Se tu desejas saber o que é o amor
E sentir o seu calor
O amaríssimo travor do seu dulçor
Sobe um monte á beira mar, ao luar
Ouve a onda sobre a areia a lacrimar
Ouve o silêncio a falar na solidão
De um calado coração
A penar, a derramar os prantos seus
Ouve o choro perenal
A dor silente, universal
E a dor maior, que é a dor de Deus

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