Quando a narrativa triunfa sobre a realidade, qualquer informação perde logo o sentido

Luciano Trigo  (Gazeta do Povo) / Tirinha do  Schulz 

Um levantamento feito pelo portal Poder360 demonstra que o Governo Federal já gastou R$ 557 bilhões em ações de resposta à pandemia de Covid-19. O valor representa 7,5% do PIB. Poucos governos no mundo gastaram tanto. Só de auxílio emergencial foram R$ 311 bilhões. Mais de R$ 9 bilhões já foram gastos na aquisição de vacinas.

Entre os países da América Latina, o Brasil é um dos que mais vacinaram, tanto em números absolutos (primeiro lugar disparado) quanto em porcentagem da população (só ficando atrás do Chile e do Uruguai).

NADA DISSO IMPORTA – Na cabeça das pessoas que se aglomeraram sábado nas ruas – porque, como se sabe, o vírus não circula em aglomerações “do bem” – o governo não só não comprou nenhuma vacina nem gastou um centavo sequer para combater a pandemia como também torce para que os pobres morram de covid-19, especialmente se pertencerem a alguma minoria. É o triunfo da narrativa sobre a realidade.

Há no ar uma desalentadora mistura da má-fé de poucos com a ingenuidade de muitos. É uma combinação perigosa. Porque a intenção não é contribuir para resolver nada, apenas sabotar e destruir. Mas muita gente cai na conversa. Nada de bom pode vir daí.

Outros dois episódios recentes mostram que as milícias da PPV (“Performance Pública da Virtude”) estão alvoroçadas, babando de ódio em busca de pretextos para derrubar o governo genocida.

SUGESTÃO DE GUEDES – O primeiro foi uma declaração de Paulo Guedes: ele cometeu o pecado de sugerir que o aproveitamento da comida que é desperdiçada nos restaurantes acabaria com a fome no Brasil. Um escândalo! As manchetes foram: “Guedes propõe alimentar pobres com restos de comida de ricos”; “Contra a fome, Guedes defende dar resto de comida aos pobres”; “Guedes faz política higienista ao defender resto de comida para os pobres”; etc.

Ninguém fez o mínimo esforço para entender que o ministro se referia ao que se chama de “sobra limpa”, não ao resto raspado de pratos. Na verdade, entenderam sim, mas fizeram de conta que não. Guedes precisou se justificar nas redes sociais:

Muito desconhecimento quanto a um conceito básico de segurança alimentar. Apenas em um contexto de total polarização política, expressar ideias de combate ao desperdício e auxílio aos mais necessitados é motivo de ironia na imprensa e entre políticos, os quais deveriam discutir de forma propositiva saídas para este momento triste da história mundial.

Num momento em que o mundo passa por obstáculo sanitário, seria a hora das pessoas se unirem para encontrar soluções sustentáveis, produtivas e humanas. Eu me referi à ‘sobra limpa’ que significa, justamente, não os restos no prato, mas panelas de alimentos preparados e não consumidas de arroz, feijão, frango, por exemplo, que em condições de higiene, temperatura e condicionamento, possam manter a qualidade do alimento”, postou o ministro no Twitter.

SEGUNDO EXEMPLO – Pois é. Mas isso acontece porque a preocupação não é com os pobres e necessitados, mas apenas em sabotar o Governo. Alguém duvida?

O segundo episódio revelador da sanha golpista foi um vídeo no qual Bolsonaro elogia o trabalho dos policiais na perseguição ao serial killer Lázaro Barbosa. O presidente declarou: “Aos policiais que estão na captura do marginal Lázaro, que tem levado terror ao entorno de Brasília, nós sabemos que esse bandido tem uma certa prática de andar na mata sem deixar vestígios, mas sabemos também que nossos policiais, além da coragem, são tenazes e não descansarão enquanto não cumprir essa missão. Tenho certeza que, brevemente, o Lázaro estará, no mínimo, atrás das grades. Um grande abraço.”

Pronto. Outro escândalo. Algumas manchetes foram: “Bolsonaro chama Lázaro de ‘marginal’ e manda mensagem de apoio a policiais”; “Bolsonaro deseja sorte a policiais do caso Lázaro, mas não comenta 500 mil mortes”.

SENSIBILIDADE – Como se sabe, não se pode chamar serial killer de marginal, porque isso pode ferir a sensibilidade de um ser humano que só sai matando por aí porque não recebeu afeto dos pais (“O pequeno Lázaro foi criado pela avó”, um jornalista já escreveu) e é uma vítima da sociedade. Lázaro é rebelde porque a vida quis assim, porque nunca o trataram com amor. É um ser humano que merece ser ressocializado e acolhido, não perseguido e preso por policiais truculentos.

Não sei não. Tenho a impressão de que a maioria dos brasileiros comuns está do lado dos policiais, não dos bandidos – e deseja que seja mesmo questão de tempo para o serial killer estar, no mínimo, atrás das grades. Mas, para a turma “do bem”, a polícia está sempre do lado errado, e todo criminoso é uma vítima. Anotem: logo haverá gente querendo transformar Lázaro Barbosa em vítima e herói. Já está acontecendo.

(Artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

12 thoughts on “Quando a narrativa triunfa sobre a realidade, qualquer informação perde logo o sentido

  1. Há uma provérbio chinês que diz: “Mais vale uma imagem do que mil palavras”.
    Fútil sempre será os “chupa-glandes” de Bolsonaro tentarem sacralizar um satã, se daqui a 12 horas, o próprio bicho abre aquela boca leprosa e escoiceia em todas as direções, peida, xinga, escarnece, ameaça….
    -Taí babaca sem-vergonha, de que adiantou tu lamberes o saco curubento?

    • Pensei que missão de um Ministro da Economia seria a de delinear e implementar planos de desenvolvimento para a economia de um país, através dos quais políticas de repartição da riqueza C e não de sobras de comida C se tornassem exequíveis.
      Por outro lado,
      Para essa distribuição desejada por Guedes, não seria mais natural utilizar os talentos do gênio da Logística, Pazuello?

  2. Após a leitura do artigo em tela escrito por Luciano Trigo, Gazeta do Povo, mais do que nunca nesses graves momentos de nossas vidas precisamos mesmo separar o “joio do trigo”, ou seja, eliminar algumas questões para purificar alguns entendimentos que estão misturados.

    E não são poucos os problemas que merecem esse sentido de purificação, dessa separação do joio e do trigo, repito.
    Uma delas, a principal, é sobre o conceito de “propósito”.

    O sentido do texto acima é francamente em defesa de Bolsonaro.
    Até mesmo a ideia absurda, ofensiva e degradante, de Paulo Chicago Guedes Boi, que as sobras de comidas dos restaurantes dariam para matar a fome dos necessitados nesta republiqueta, o autor quis explicar e elogiar??!!

    Não satisfeito, elogiou as quantias pagas aos pobres e miseráveis, denominadas como auxílio de emergência, cujos valores o governo gastou 311 bilhões de reais.
    Enfatizou, orgulhoso, que poucos governos no mundo gastaram tanto com os seus povos, conforme reconhece e aplaude as medidas de Bolsonaro.

    O sectário jornalista apenas omitiu que, se for verdade essa despesa com o povo, a quantia foi absolutamente mal empregada, mal utilizada, e jogada fora pela incompetência e insensibilidade do atual presidente com os desvalidos!

    Caso os 311 bilhões de reais tivessem sido destinados à abertura de postos de trabalho, onde cada desempregado ganharia um salário mínimo, arrecadaria mais suporte ao INSS, aqueceria a Economia, os restaurantes até aumentariam a venda de refeições, eu seria o primeiro a reconhecer que Bolsonaro seria extraordinário, que eu seguiria votando e confiando nas suas intenções e medidas para amenizar os graves problemas sociais que ora vivemos, INDEPENDENTE da corrupção que está envolvido junto com seus filhos!!!!

    No entanto, os gastos imensos foram literalmente jogados fora, pois não resolveram as questões de sobrevivência dos necessitados, as reservas que tínhamos vão sendo dilapidadas, o povo continua na miséria, pobreza, esfaimado e desempregado!!!

    Elogiar Bolsonaro por esta estupidez e idiotice??!!

    Precisamos mais do que nunca separar o joio do trigo, nessas alturas!

    • Para fechar essa sua narrativa com chaves de ouro; só faltou você pedir censura ao post. Visto que na maioria das vezes, você não se contenta em dar o seu ponto de vista; apenas critica o que os outros falam, quando não pede para o editor censurar quem dá opinião e não critica e nem ofende igual a você.

      Na sua cabeça baldia e na do william bonner, 200 mil parentes de vitimas do covid devem ser lembrados todos os dias, Mas, os 80 milhões de pessoas que foram socorridas do crime de fechar tudo, com o auxilio emergencial, foi dinheiro “jogado fora”.

    • Nossa, imitando você, eu nem tinha lido essa bobagem que você escreveu, e já fui criticando.

      Nem tinha lido esse absurdo, de criticar o auxilio emergencial dado aos trabalhadores que foram impedidos de trabalhar pelos governadores com o “fique em casa”.

      Quer dizer; o auxilio emergencial é para quem foi impedido de trabalhar; e você queria que esse dinheiro fosse usado para criar mais empregos, que as pessoas serão proibidas de trabalhar pelos governadores.

      • Prezado Batista,

        Grato pelo comentário.

        Não vejo oportuno um artigo querendo elogiar Bolsonaro, tanto pelo que não fez como por aquilo que fez errado.

        Faltou ao articulista dizer que a compra de vacinas não seria responsabilidade de Bolsonaro, que as adquiriu porque se trata de um presidente que “pensa no povo”.

        Enfim, teremos muito mais artigos como este, onde se misturam o joio e o trigo, restando uma farinha de péssima qualidade para se fazer pão, massas, bolos e demais alimentos.

        Abraço.
        Saúde e paz.

  3. Dei “azar” de abrir o blog logo com este artigo.
    Se a realidade é encarada desta maneira, a responsabilidade e de exclusivamente a falta de educação do povo e principalmente das dezenas de exemplos (maus) do número hum do Brasil, e não foi por falta de aviso , de todos os lados.
    Ele poderia ser olhado hoje como Herói Nacional se tivesse empunhado ‘armas’, simples como dar bom exemplo e somar com todos, sem distinção, governadores para aplacar a força da pandemia e isto, foi dito diversas vezes aqui na TI, através de artigos e principalmente comentários.
    Como um bom imitador, procurou o mais caricato presidente para imitar e aí está o resultado; colhe-se o que se plantou.
    E este artigo é mais um, da estratégia de culpar os outros pelos seus erros.
    Só falta começar a propagandear que se: “se há desmatamento, a culpa é da floresta de existir”.
    Sobre as “sobras”, todos entendem o que o ‘sabujo’ do “tosco” quis transmitir e ele só esqueceu(?) que isto é feito de forma ostensiva e poderosa, nos restaurantes e CEASAS do país; precisa sair de trás da mesa e andar (se puder) um pouco mais pelas comunidades.
    Bom São João para todos.

  4. Sr. Newton
    Veja o desperdício de dinheiro público.
    Como eles adoram “roubar” os cofres públicos do povo.
    E o pior, sempre como aquelas frases prontas na ponta da língua.
    “Somos os mais preparados”, “nós sabemos governar”., “nós temos ideias”.”

    Prefeitura de SP deixa carros próprios parados e gasta R$ 14 mi em locação… –

    https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/brasil-de-fato/2021/06/24/prefeitura-de-sp-deixa-carros-proprios-parados-e-gasta-r-14-mi-em-locacao.htm?cmpid=copiaecola

  5. As narrativas são diversas. Por exemplo, pela narrativa do autor, tudo vai bem, o governo está fazendo só o certo.

    As vacinas estão sendo adquiridas e isso é bom, com atraso e isso é ruim.

    Muitos países aumentaram suas dívidas com auxílios emergenciais durante a pandemia, o Brasil foi nessa direção e isso foi correto, talvez tenha faltado socorro às empresas.

    Quanto à comida sobrando dos restaurantes, é uma ideia antiga, mas a legislação atual é bastante rígida, talvez possa ser melhorada: https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-acontece-com-a-comida-que-sobra-dos-restaurantes/

  6. 311 bilhões somente com auxilio emergencial e a esquerda dizendo que é pouco.Para o fujão Lázaro, mais de 2 semanas passando a perna em centenas de policiais, só existe uma ressocialização:o cemitério, veriamos se levanta do túmulo para fugir e matar novamente!Bandidólatras, esse monstro não tem jeito, país sério a ressocialização mínima seria a perpétua!

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