Quando chegar a hora, Temer dará sinal verde ao impeachment

Carlos Newton

A presidente Dilma Rousseff tem comportamento bipolar, ninguém pode prever quando estará em depressão profunda ou em delírio de grandeza, não consegue manter o equilíbrio, é impressionante. Em meio a essas oscilações, ela teve de sair em busca da “agenda positiva” que o marqueteiro João Santana e o grupo duro do Planalto tentam impor. Está sendo obrigada a dar entrevistas semanais e sempre acaba falando alguma bobagem ou se excedendo naquele dialeto dilmês que ela criou e ninguém consegue entender. Foi assim na entrevista que deu ao Estadão,  domingo passado, quando afirmou que o ministro Joaquim Levy não deveria ser tratado como Judas.

No dia seguinte, o vice-presidente Michel Temer, que está lutando para recompor o que resta da articulação política do governo, foi procurado pelos jornalistas para comentar a estapafúrdica declaração de Dilma, e respondeu que o ministro da Fazenda deveria ser tratado como Jesus Cristo, devido aos sacrifícios que tem feito ao propor as medidas de ajuste fiscal.

Dilma Rousseff teve um ataque, chamou seu escudeiro Aloizio Mercadante e lhe ordenou que sugerisse a substituição de Temer no comando da articulação política. O chefe da Casa Civil, que há tempos perdeu sua antiga individualidade se transformou num áulico vulgar, sequer contestou a destemperada determinação da presidente e imediatamente deu entrevista sugerindo que fosse recriado o Ministério das Relações Institucionais e entregue a Eliseu Padilha, a pretexto de auxiliar Temer, que estaria “sobrecarregado”.

MAIS UMA CRISE

Quando a presidente e o chefe da Casa Civil agem em conjunto, o desastre é sempre previsível. O resultado desse inesperado e gratuito ataque a Temer foi o pior possível, porque fez a cúpula do PMDB entender que é impossível confiar em Dilma e Mercadante. Se havia alguma dúvida a respeito, se dissipou completamente. Os caciques do PMDB se conscientizaram que Renan Calheiros e Eduardo Cunha é que estão no caminho certo. Daqui para a frente, será cada um por si. O PMDB só apoiará o governo Dilma em propostas de real interesse público, óbvias e essenciais, mas sem qualquer ranço de submissão política.

Temer é um mestre do contorcionismo político, se adapta a qualquer situação, sabe agir nos bastidores. É frio, dificilmente esboça um sorriso, não dá intimidade a ninguém. Sabe que tem diante de si a oportunidade única de chegar à Presidência. Se não for agora, nunca mais terá outra chance. Por isso, quando chegar a hora, Temer dará o sinal verde para o PMDB aprovar o impeachment da presidente Dilma, mas pessoalmente não moverá uma palha. Pelo contrário, ficará aparentemente ao lado dela até o fim, apoiando-a e amparando-a.

Porém, no momento certo e atendendo a insistentes pedidos, aceitará assumir a inebriante função de presidente da República, que já está exercendo interinamente, com desempenho muito superior ao de Dilma Rousseff.

12 thoughts on “Quando chegar a hora, Temer dará sinal verde ao impeachment

  1. Muito bem comentado editor Carlos Newton:

    A vice-presidência é sempre uma expectativa do cargo principal. A história demonstra o medo dos presidentes em relação aos seus vices. Raríssimas vezes, o vice não conspirou para assumir o cargo de número 1.

    Jânio Quadros tinha medo de João Goulart, por esta razão, mandou Jango em viagem oficial para a China, enquanto preparava seu “golpe” travestido de renúncia, mal preparado e por isso fracassado.

    O general Costa e Silva confiava no jurista Pedro Aleixo, o seu vice, no entanto a linha dura do regime o detestava. Com o advento da doença do presidente militar, o vice foi afastado sumariamente. Em 1969, uma Junta Militar (ministros do Exército, da Marinha e da Aeronáutica) assumiu o poder interinamente até a posse do general Médici.

    João Figueiredo confiava em Aureliano Chaves, porém, após o enfarto violento do general e seu afastamento para operar a safena em Cleveland nos EUA, os áulicos do presidente começaram a fofocar sobre a atuação de Aureliano no exercício interino do país. Com a volta do titular, a relação já estava estremecida.

    Collor e Itamar Franco eram como água e óleo, não cabiam no mesmo copo. Apesar de Itamar, um político ético, não ter operado para a desestabilização do presidente, a relação era no mínimo conturbada. Mas, o PT agiu com maestria invulgar no Congresso e na imprensa agindo e operando para a queda do político das Alagoas, mesmo assim, o presidente Collor ficou magoado com seu vice. As razões jamais saberemos, pois Collor emudeceu sobre os detalhes daqueles tempos.

    FHC e Lula não tiveram atritos com seus vices, Marco Maciel e José Alencar.

    O vice Michel Temer ficou no ostracismo durante os primeiros quatro anos do atual mandato presidencial. Ali paradinho no Palácio Jaburu ele permaneceu à espera do seu momento, que afinal chegou. Está se tornando imprescindível no segundo mandato. Temer foi chamado para colocar água na fervura entre o Executivo e o Legislativo. O vice aprendeu direitinho a arte da política, na convivência com o mestre Ulisses Guimarães. Estar ao lado de Ulisses, significa aprender por osmose, as lições diárias de sua atuação como presidente do MDB e depois do PMDB e como presidente da Câmara Federal, além de dar as cartas no mandato de Sarney.

    Ter o privilégio de conviver com os grandes homens, seres de notável saber em inúmeros tópicos do conhecimento da ciência política e da psicologia é sem nenhuma dúvida uma dádiva de Deus. Já a convivência com pigmeus e empíricos da pior espécie, leva inevitavelmente ao desastre com todas as dimensões trágicas, que a história repete ao longo do tempo.

  2. Na noite do dia 26 de outubro de 2014, após o anuncio da reeleição de Dilma, postei um comentário em meu face num papo virtual com um grupo de pessoas, que a Presidência da República ainda cairia no colo de Michel Temer. Perguntaram-me como? Eu apenas disse esperem um pouco.

    • Comentarista Eliana.

      Temer repetirá a trajetória de Jango ou de Itamar? Como a história não se repete, pois os fatos não são exatamente iguais por total impossibilidade prática derivada do tempo, que está sempre rodando sem parar, pode acontecer tudo e ao mesmo tempo não acontecer nada. Como disse magistralmente o editor Carlos Newton, de fato, Temer exerce o poder como o único articulador político com condições de controlar a agenda do Congresso. Tanto que o ajuste fiscal só andou após suas articulações. O Ministro da Casa Civil se transformou em mero coadjuvante de Temer. Ou ele cai voltando a ser apenas vice ou se transformará no presidente de fato. Portanto, uma terceira via, totalmente diferente das situações de Jango e Itamar. A situação hoje se assemelha a enfrentada por Sarney, que tinha Ulisses em seu calcanhar, mordendo as pernas do presidente e futuro acadêmico o tempo todo.

  3. “Dilma Rousseff teve um ataque, chamou seu escudeiro Aloizio Mercadante e lhe ordenou que sugerisse a substituição de Temer no comando da articulação política”
    Sinceramente não entendi essa fala da Dilma, “ordenou que sugerisse bla bla bla………? essa “bipolaridade” dela deixa qualquer leitor atabalhoado né Newton?

  4. Meu ponto de vista é que Temer (PMDB) irá pedir a Sarney (PMDB) muitos conselhos, por que no seu governo o país também estava em crise financeira. Sarney decretou até moratória da divida e ainda hoje sofremos suas consequências.

    Se Temer vai repetir ou não a trajetória do ex-presidente, que era vice de Tancredo Neves, não sei. Um dos motivos é o tempo que vai restar de mandato. Outro motivo é que quando ele sentar na cadeira Presidencial poderá nos surpreender igual a postura do Itamar.

  5. Eta! sofrimento danado, todos em corrida desenfreada em busca da cabeça de Dilma. Não se fala outra coisa. Não é só aqui na Tribuna da Internet, é em quase toda a mídia, todos correndo em uma só direção. Só para confirmar a gente pergunta: Para onde vai a manada? Resposta: Vamos ver a decapitação de Dilma. Todos então perguntam em uníssono? Podemos nos candidatar a carrasco? Dizem que a história só se repete como farsa, mas está parecendo a época de Vargas, quando a UDN expargia ódio que contaminava a sociedade chegando até aos quarteis. Acho que estou cego, não vejo no horizonte essa possibilidade.

  6. Mestre Aquino,
    Com toda a sua vivência e experiência para falar com autoridade sobre o assunto,permita-me discordar veementemente.
    A situação é totalmente diferente.
    Getúlio Dorneles Vargas,com todos os defeitos que lhe possam atribuir era homem inteligente,experiente e PRINCIPALMENTE HONESTO.Sua honestidade jamais poderá ser posta em dúvida.A história provou isto.Sua ilustre descendência e prova cabal e viva do que afirmo.
    Agora temos uma quadrilha inescrupulosa,iletrada,burra e totalmente inapta para comandar um país tão importante como o nosso.Só querem ROUBAR,ROUBAR E ROUBAR!
    Grande abraço,
    Werneck

  7. Quando leio que uma pessoa de tamanha expressão como José Carlos Werneck é radical na sua posição sobre o governo atual, reconforta-me saber que os adjetivos que emprego para caracterizar o PT são procedentes!
    Evidente que, eu, ao não usar de meio termo, sou um ilustre desconhecido, que pertence à plebe ignara, à massa desconhecida, que se mistura ao povão.
    Muito diferente o célebre e reconhecido jornalista, cujo nome e conceito ultrapassa os limites deste País!
    Dito isso, esta senhora já deveria ter sido apeada do poder diante de suas mentiras, manipulação de dados, incompetência, corrupção em seu governo, desonestidade em qualquer setor público, e uma Nação que está sendo arrasada porque pessimamente administrada.
    Não bastasse o comando deplorável e deprimente, o seu partido é composto por um bando de criminosos, de ladrões, que não satisfeitos em roubar o erário, investem contra as estatais, autarquias, bancos oficiais, na ânsia desmesurada de encher os bolsos de seus dirigentes e agremiação.
    Dilma já deveria ter sido deposta e PRESA!

  8. Estimado Werneck … a nova Frente Ampla que tenho sugerido é um lugar para as diferentes correntes de pensamento e ação Política se encontrem em uma prática comum … Hoje se espalha … E sem força para um objectivo comum de colocar nosso Brasil na Civilização … Após muitos erros deles, se redimiram perante a História. Abrs.

  9. Werneck, é bom que você discorde com a maneira elegante de sempre. Tenho dito muitas vêzes que não sou o dono da verdade, muito menos profeta e que posso sim ser contestado em tudo que escrevo. A comparação que fiz vem com ressalva. “O tumor foi lancetado”, porque a sofreguidão? Não é mais lógico acreditarmos em nossas instituições? Ou será que a prova usada contra Dilma é o antigo conceito: “Prova Circunstancial; hoje “Conhecimento do Fato”? Falo de Dilma; não do PT. Não que eu a defenda, acontece que não hove ainda uma prova contundente. Ninguém ainda apontou o dedo dizendo: eu dei tanto a Dilma ou ao seu secretário, irmão, filha, marido ou coisa que valha. Hoje tenho controle sobre minhas emoções e não mais acredito na “lei de Linch”? Meu bom Werneck, creio ter me explicado.

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