Quando é preciso corrigir o erro de Deus, na poesia de Tobias Barreto

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Tobias Barreto deixou uma obra de importância

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O jurista, filósofo, crítico e poeta Tobias Barreto de Meneses (1839-1889), no poema “A Escravidão”, questiona a estrutura escravagista do regime monárquico vigente na época, opondo-lhe a República e a Abolição. Na primeira estrofe do poema, procede a uma reflexão filosófica profunda acerca da Divindade dogmática como instituição mantenedora das desigualdades sociais e conivente com a exploração do homem pelo homem. Enquanto que, nos dois últimos versos do poema, encontramos um eu-lírico cético e questionador de todos os dogmas religiosos e que não se furta a apontar as falhas Divinas: “Nesta hora a mocidade / Corrige o erro de Deus”.

A ESCRAVIDÃO
Tobias Barreto

Se Deus é quem deixa o mundo
Sob o peso que o oprime,
Se ele consente esse crime,
Que se chama a escravidão,
Para fazer homens livres,
Para arrancá-los do abismo,
Existe um patriotismo
Maior que a religião.

Se não lhe importa o escravo
Que a seus pés queixas deponha,
Cobrindo assim de vergonha
A face dos anjos seus,
Em seu delírio inefável,
Praticando a caridade,
Nesta hora a mocidade
Corrige o erro de Deus!…

6 thoughts on “Quando é preciso corrigir o erro de Deus, na poesia de Tobias Barreto

  1. Poeta!

    Parabéns por nos trazer a poesia abolicionista e republicana de Tobias Barreto.
    Uma bela inspiração para se começar esta semana em meio a tempos de descrédito de tudo.
    Bravo!

  2. -O primeiro “diabo” que induziu ao surgimento de um “deus”: foi a impotência e a pequenez do homem ante a imensidão e complexidade do Universo. E assim “deus” continuará sobrevivendo; graças à impossibilidade de contraprovar o improvável!

  3. Paulo III, duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.
    É o mesmo que afirmar que o Universo e o seu funcionamento perfeito é produto do acaso, de uma explosão (big bang)…
    Um exemplo bem simples: crer no acaso, é o mesmo que acreditar que o helicóptero “surgiu” de uma explosão de peças e ao acaso essa junção funciona perfeitamente, isenta de qualquer vontade, desejo, ou capacidade …

  4. O livre arbítrio é um poder de liberdade conferido ao ser humano em que admite Deus que se exerça o contraditório ao seu propósito original segundo a vontade que expressou ao primeiro homem.
    O contraditório do homem é que pode se arrumar sem Deus, mas não pode viver sem a mulher. Que pode construir um paraíso paralelo e sem Deus, mas não pode viver no paraíso de Deus sem a mulher. Pois bem, o Grande Teocrata admite o exercício da autodeterminação humana e a sua evolução até o esgotamento das alternativas de modelos de governanças.
    Chegamos ao séc. XXI humilhados e onde está a sabedoria filosofal do homem com o apoio da ciência e tecnologia de ponta? Que mundo construímos? A verdade é que nos encontramos no ponto final e nos encontramos humilhados.
    O fato dee Deus permitir o exercício da autodeterminação humana não quer dizer que essa ideia saiu do coração de Deus;muito pelo contrário, Desde o início Deus sabia do desastre que é o homem colocar uma coroa de rei em sua cabeça e dominar os seu semelhante. Se quiser conferir o que digo, consulte o que Deus disse sobre os governos humanos em Eclesiastes 8:9.
    É um mal necessário tal como um mal necessário foi a admissão da poligamia, mas nem o governo de homem sobre o homem nem a poligamia saíram do coração de Deus, mas a sua racionalidade admitiu, sem desconsiderar que no tempo certo poria um ponto final.
    Jesus pôs um ponto final na poligamia dentro da congregação cristã e como executor da vontade do Pai, está finalizando os preparativos para a batalha que porá fim ao contraditório que a História da evolução política reprovou ou seja, a autodeterminação humana jamais produzirá um paraíso alternativo, mas sim, a Teocracia que o Grande Teocrata colocou na responsabilidade do Senhor Jesus. Mat.6:9; Dan, 2:44 e Is.11:1-9.
    Deus não tem vocação para tirania, ele ama a liberdade e esta liberdade que nasce como princípio de justiça que fez Deus não se ofender com a ignorância dos homens, mas deixá-los construir a própria razão.

  5. KKK mas quem criou a escrevidão foram os homens e não Deus. O poeta quis jogar nas costas de Deus culpa que Ele nunca teve. Talvez por ser republicano misturou as coisas, ligou a monarquia a Deus, sem perguntar se Ele, Deus era monarquista, republicano e aprovava a escravidão.

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