Quando é preciso corrigir o erro de Deus, na visão poética de Tobias Barreto

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O jurista, filósofo, crítico e poeta Tobias Barreto de Meneses (1839-1889), no poema “A Escravidão”, questiona a estrutura escravagista do regime monárquico em vigência, opondo-lhe a República e a Abolição. Na primeira estrofe do poema, procede a uma reflexão filosófica profunda acerca da Divindade dogmática como instituição mantenedora das desigualdades sociais e conivente com a exploração do homem pelo homem. Enquanto que, nos dois últimos versos do poema, encontramos um eu-lírico cético e questionador de todos os dogmas religiosos que não se furta a apontar as falhas Divinas: “Nesta hora a mocidade / corrige o erro de Deus”.

A ESCRAVIDÃO
Tobias Barreto


Se Deus é quem deixa o mundo
Sob o peso que o oprime,
Se ele consente esse crime,
Que se chama a escravidão,
Para fazer homens livres,
Para arrancá-los do abismo,
Existe um patriotismo
Maior que a religião.

Se não lhe importa o escravo
Que a seus pés queixas deponha,
Cobrindo assim de vergonha
A face dos anjos seus,
Em seu delírio inefável,
Praticando a caridade,
Nesta hora a mocidade
Corrige o erro de Deus!…

3 thoughts on “Quando é preciso corrigir o erro de Deus, na visão poética de Tobias Barreto

  1. 1) Bela poesia de Tobias Barreto.

    2) A meu ver, Deus (que tem vários nomes) criou o cosmos, o universo (não só o planeta Terra) e pronto…

    3) Os seres humanos que administram cada mundo.

    4) Então, vez por outra, pela incompletude dos homens e mulheres, barbáries acontecem.

    5) Deus só está presente, energeticamente, na Lei do Carma, que rege o Cosmos.

  2. Qual é a razão do Grandioso Teocrata permitir o sofrimento?
    Porque estou pagando por algo que não fiz?
    Ao meditarmos em 1ºJoão 4:8 (amor), Gên. 17:1 (poder); Is. 61:8 (justiça) e Rom. 16:27 (sabedoria) referindo sempre aos 4 atributos principais do supremo Criador (amor, poder, justiça e sabedoria), a resposta ao conjunto de perguntas propostas necessariamente começa com o conceito de liberdade.
    O livre arbítrio é um poder de liberdade e liberdade exige responsabilidade num território de restrição, mas aberto. Não aberto ao infinito, mas que garante dentro de seu território, o infinito dentro do finito.
    O limite é o território da liberdade e consequentemente o a sua garantia é a restrição ou seja, a lei. -Uma definição contrastante, uma ideia paradoxal.
    Deus aceitou o exercício do contraditório por que amando a liberdade, não tem vocação para a tirania.
    Advertira que o exercício do contraditório levaria a família humana a ruína e concordemente admitiu o uso da liberdade e pacientemente esperou que chegássemos no ponto em que estamos, um estado de humilhação… Ciência e tecnologia são incapazes de revelarem a saída.
    Para finalizar; “O amor ao Grandioso Teocrata e ao próximo são os limites do livre arbítrio”. Que cada um busque a sabedoria com humildade pautando-se pela oração do salmista no Sal. 143:10.

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