“Quando não existe terceira via, temos de trabalhar para construi-la’, diz Marina Silva

[Marina Silva pede intedição a Bolsonaro e diz que presidente usa "fanatismo" de apoiadores para propagar "ameaças ditatoriais"]

Marina Silva está fechada com a candidatura de terceira via

Marcelo de Moraes
Estadão

Após disputar três eleições presidenciais, a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) mudou o foco de sua atenção para 2022. Em vez de preparar uma quarta candidatura, diz, em entrevista ao Estadão, que está empenhada em colaborar para a construção de uma candidatura de terceira via, que seja uma alternativa aos nomes do presidente Jair Bolsonaro e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Para ela, “é um erro histórico” voltar a insistir na priorização para a disputa antes de se definir “o que queremos para o Brasil”. “Infelizmente, após tantos anos no poder de PT e

PSDB, a semente que brotou foi o Bolsonaro.”

Como a sra. pretende se posicionar na disputa de 2022?
Estou empenhada em ajudar a construir e viabilizar um projeto que coloque em primeiro lugar o que nós queremos para o Brasil, em lugar da priorização do nome de pessoas. Porque esse é um erro histórico que vem sendo cometido. Infelizmente, após tantos anos no poder de PT e PSDB, a semente que brotou foi o Bolsonaro. São mais de 14 milhões de desempregados. Mais de 19 milhões passando fome no nosso País. Então, esse é o momento de fazer o debate, de reconectar as pessoas com as possibilidades para o País.

No Brasil, há o costume de se lançar os candidatos e depois se constrói o projeto que embasa a candidatura…
Nesse momento, o que é necessário, no meu entendimento, é debater como fortalecer a aderência no sentido social político brasileiro à defesa das instituições e da democracia. Depois, fazer com que o País possa sair dessa grave crise econômica, onde a pandemia faz com que mais riquezas sejam concentradas nas mãos daqueles que já têm.

Como é possível fazer isso?
Precisamos enfrentar a necessidade de mudar o modelo de desenvolvimento para que o Brasil não continue sendo um pária ambiental. E possa, a partir dos seus grandes ativos, ter isso como a base dos novos investimentos que o mundo quer fazer e precisa fazer.

Até quando esse processo de reflexão deve ser feito antes da definição de um candidato?
Eu acho que esse projeto já deveria estar posto há muito tempo. Infelizmente, os atores que têm a capacidade de fazer isso preferem, digamos assim, a velha estratégia da polarização. Uma alternativa à polarização precisa ocupar esse lugar de reconexão com a sociedade pela sua proposta, e não, simplesmente, em função do esgarçamento político ainda maior do que aquele que tem sido feito ao longo desses anos e, principalmente, a partir de 2014, quando ele começou a ser aprofundado com essa estratégia da política com base na desconstrução, da qual Bolsonaro é hors concours. Uma coisa importante, no momento de crise, é saber que não pode resolver a questão do presidente da República de forma exclusivista, porque é muito mais fácil uma alternativa com base no diálogo de diferentes forças políticas, da esquerda, do centro-esquerda, do centro democrático. O problema no Brasil é que a gente fala do centro, mas não existe um centro ideologicamente posicionado. São conservadores e reacionários que quando lhes é oportuno e conveniente se dizem de centro.

A construção dessa terceira via não terá de passar pelos políticos de centro e pelo Centrão?
Muitos analistas reconhecem que a ideia da terceira via teve mais força em 2010 e 2014. Hoje, esse lugar é ocupado por aqueles que ficam numa política pendular para ver quem é o poder para estar junto ou a expectativa de poder para migrar. Isso é um problema.

Como sair desse problema?
Isso está se repetindo agora numa reforma política de conveniência, que está sendo feita para ver o que é melhor para os partidos hegemônicos. É um debate colocado de forma errada, tratando do que fortalece e enfraquece os partidos. Não é isso. É o que fortalece a democracia. E essas mudanças que estão sendo propostas são feitas de conveniência e com o olho gordo do Centrão, que quer mandar em todo e qualquer governo. Eles atuam para serem os operadores de qualquer um que seja vitorioso. Por isso, defendo um debate que trabalhe a ideia de uma política de longo prazo em vez de querer alongar o seu prazo na política.

Como vê o governo Bolsonaro?
É um governo que não governa para construir. Só governa para destruir. Dá a impressão é de um governo que não quer trabalhar. Só quer ficar contra a Educação e tudo que é decente e civilizatório nesse País.

A sra. deixou claro que não apoiará Bolsonaro e nenhuma hipótese. Poderá apoiar Lula, caso essa seja a alternativa contra a reeleição do presidente?
Eu trabalho para que a gente possa construir uma alternativa à polarização. Mas com a clareza de que a democracia é um balizador fundamental para esse debate. É claro que, nesse momento, nessa situação que o Brasil está vivendo, Bolsonaro é o vetor de todas essas mazelas. Mas quando você também estreita os caminhos em torno de escolher o que já está posto, não é escolha. A escolha pressupõe um terceiro. Quando esse terceiro ainda não existe, a gente tem de trabalhar para construir.

19 thoughts on ““Quando não existe terceira via, temos de trabalhar para construi-la’, diz Marina Silva

  1. Temos que nos unir, dona Marina, em torno de um nome decente – Nada de Lula, nem Haddad, nem Ciro. Tem que ser alguém em que possamos confiar. Pelo passado, devemos evitar gente do PT, PSDB e definitivamente o candidato não deve ser idoso da reserva remunerada das forças armadas.

  2. As melhores ideias para o desenvolvimento do país em longo prazo são as de Ciro Gomes. Pode nem ser ele a escolha, mas as ideias devem ser semelhantes.

  3. 1) Para os que acreditam ou mesmo não acreditando respeitam…

    2) Hoje, 18/08/21, é Dia de Nobre Senhora da Vitória, devoção nasceu no século 15, na Espanha.

    3) Que possamos tecer/alinhavar/construir/costurar uma bela e necessária Vitória da Terceira Via…

    4) TV = Terceira Via. Teremos Vitória !

  4. A Terceira Via de Verdade, a TVV, existe, e está pronta desde 2010, como demonstrado nas ruas do do país em Junho de 2013, aos gritos de “sem partidos, sem violência, sem golpes, sem corrupção, vocês não nos representam”. E o resto é tudo mais dos mesmos. E a Marina, a que parece, infelizmente, continua montada do muro da dubiedade e do blá-blá-blá, continua jogando de Blablarina, como dizia o saudoso Paulo Henrique Amorim. E de duas uma: ou ela tem medo de amadrinhar a nova política e a terceira via, de verdade, ou ela está tentando nos enganar de novo, porque ela, o Ciro e o sistema podre inteiro sabem a Terceira Via e a Nova Política, de verdade, existem, tem nome e sobrenome, CPF, RG, endereço certo, começo, meio e fim, e estão prontas desde 2010, as quais, aliás, visitam a página dela no facebook com frequência, mas ela, infelizmente, não desce do muro, em favor da terceira via de verdade, não tem coragem para abraçar e quer apenas usar em benefício próprio, passando a impressão de que o negócio dela é isto sim a mesma velha terceira via, da velha política, do mais dos me$mo$, do velho e podre continuísmo da mesmice, 171, que já morreu e fede à beça em praça pública, raia essa na qual já tem pelos menos uns dez concorrentes outra vez, fazendo de tudo para que continue tudo como dantes no velho quartel de Abrantes, tudo para os bandidões da bandidocracia do sistema apodrecido e ferro no povo, o manezão da história do Brasil.

  5. O título do artigo diz tudo, Marina dá o caminho, o comentário do Jaime completa bem, o engajamento maciço e vital. Ideias, ideias, ideias!

  6. Sarney, que lhe caiu a presidência no colo, seria aquele que concretizaria a passagem da ditadura para a democracia.
    Não conseguiu, além de se defrontar com uma inflação tão poderosa que o derrotou vergonhosamente no fim do seu mandato.

    Collor queria a glória, de ter sido o vencedor na guerra contra a inflação.
    Não só foi igualmente derrotado fragorosamente, como alinhou seus canhões contra o povo, ao confiscar a poupança e o dinheiro em caixa do cidadão brasileiro.

    Itamar foi outro presidente de transição, apesar de ter dado início ao Plano Real, que estancou a inflação de três dígitos!

    FHC, com a sua soberba, arrogância, prepotência, sofisticação como presidente porque poliglota, mesmo com a pecha de socialista implementou o liberalismo econômico, ocasionando desemprego, quebra de empresas, e doações de nossas estatais em privatizações escandalosas.
    Surfando na onda do Plano Real queria continuar no Planalto, e não se conteve em comprar corruptos parlamentares à aprovação da reeleição.

    Lula, que trouxe consigo a esperança, onde finalmente um cidadão oriundo do povo, filho de uma retirante nordestina, alcançava a presidência da República depois de várias disputas, ficou embevecido pelo poder, pela facilidade de lançar mão sobre o dinheiro público, e as inúmeras facilidades que as instituições ofereciam para a corrupção agir livre e consistentemente.

    Dilma deu continuidade à corrupção porque designada por Lula para ocupar o seu lugar.
    Cabeça dura, gerentona, rompeu o acordo de não concorrer à reeleição, e teve o seu governo complicado pelos seus próprios correligionários, os petistas.
    Seu impedimento surgiu naturalmente.

    Temer tentou proteger seus amigos das acusações de corrupção e vários outros crimes, incluindo muitos deles de sua autoria.

    Se, desde o ressurgimento da democracia só tivemos presidentes incompetentes, corruptos, mal intencionados, que mentiam para o povo a tendência política que abraçavam, então que elegêssemos quem se identificava como de direita, e mudássemos o esquema de eleger quem apenas nos decepcionara, roubara, explorara e manipulara.

    Bolsonaro foi pior a emenda que o soneto.
    Quando for derrotado em 2022, sabe-se lá quantas vítimas ocasionadas pela pandemia terá de responder.
    Os roubos de seus antecessores foram mais ou menos apurados porque monetários. No entanto, com 700 ou 800 mil vítimas até lá, e pelo fato de uma vida humana não poder ser avaliada pelo vil metal, Bolsonaro já pode ser registrado na História do Brasil como o presidente que mais danos e prejuízos nos ocasionou, tanto em espécie mas, principalmente, pelo incalculável em vidas humanas!

    Pelo amor de Deus:
    Não podemos e muito menos devemos eleger Lula ou Bolsonaro.

    Caso um desses dois criminosos for eleito, então somos nós, o povo, que merecemos pagar muito caro pela irresponsabilidade e alienação conosco e com este país.

    Ou demonstramos juízo e discernimento ou seremos roubados e mortos até o fim desta republiqueta comandada por bandidos, pois é assim que queremos e gostamos!!!

  7. Não estaríamos na situação atual se o eleitorado brasileiro fosse equilibrado.

    Se tivéssemos eleito Marina em 2014 não chegaríamos onde estamos com forte polarização e um Genocida Louco presidente querendo dar um autoGolpe.

    • Como pode haver eleitorado equilibrado se mais da metade desse eleitorado e analfabeto funcional e o sistema que se beneficia desse “desequilíbrio” nunca o tirará dessa condição.

    • Caro Bendl, boa tarde!
      Espero que esteja bem.
      Sinceramente, acredito que sim.
      O PT (ou qualquer outro) seguir por mandatos consecutivos no poder não é saudável. Isso com certeza concordamos.
      Logo, uma pessoa mais ao equilíbrio e do diálogo como Marina, os sentimentos que afloraram na sequência daquelas eleições não teriam vez… Não passaríamos por um Golpe de 16. Quer você aceite como Golpe, ou não, não foi saudável para Democracia. Nada resolveu. Foi tudo aparência para, depois, piorar na economia, para os trabalhadores, ainda que setores tenham saído e estejam lucrando. Veja o grupo Americanas que continua adquirindo empresas. Concentrando mercado. Veja Magazine Luiza. Veja Havan. Mas o pequeno e médio… sofre a instabilidade gerada no meio político econômico e da Pandemia e as deficientes e nem sempre sério enfrentamento das autoridades.
      Um abraço.

      • Prezado Leão,

        Boa tarde.
        Não vou lá muito bem. Resisto aos ataques do tempo inclemente, torturador, que dizima a todos nós.

        Pensamos igual em vários aspectos.
        E, vejo-me a concordar, que a deposição de Dilma – não que tenha sido um golpe porque não foi, haja vista ter sido realizada dentro das leis e normas que regem o impeachment -, de fato não ajudou o país, pelo contrário.

        Tivesse ela a chance de concluir o seu mandato, e não teríamos Temer, e mais situações que nos dificultaram a economia, sobretudo.

        De certa forma, se Jango foi deposto através de um golpe militar, indiscutivelmente;
        Collor porque foi uma camionete Elba o pivô de seu impedimento;
        Dilma, em razão de suas pedaladas fiscais, convenhamos, Bolsonaro já deveria ter sido impedido de seguir adiante por umas 15 razões, no mínimo!

        Agora, Marina tem uma característica pessoal que não me agrada:
        Falta-lhe autoridade, imposição, falar forte quando necessário.

        Neste particular, de mulher para mulher, Simone Tebet teria um pulso mais firme que Marina, muito pacata, fala mansa, fraca, e uma aparência que não entusiasma, pelo fato de ser tão tranquila e dar a impressão que nada a perturba.

        Precisamos de um candidato com disposição, entusiasmo, que saiba o que dizer quando questionado, e que tenha posições firmes.
        Marina não se enquadra, a meu ver, claro, nessas condições que julgo fundamentais para a próxima eleição.

        Abraço.

        • A Tebet não me agrada nenhum pouco por suas origens ruralista, atuações que teve em favor dos seus, que sabemos atuam pela devastação, nenhuma política de exploração sustentável, em terras públicas e de índios, gerando conflitos no campo devido ao privilégio daqueles poucos grandes produtores, e seu marido, deputado estadual, fazendo uso de Comissão contra o CIMI, o governador de sua chapa sendo preso por corrupção…

Deixe um comentário para Francisco Bendl Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *